Opinião

A dopamina das redes sociais (2)

Estudiosos alertam que as redes sociais são altamente viciantes, sobretudo, pelo facto de as chamadas “curtidas” conseguirem activar o neurotransmissor dopamina. Os jovens parecem ser as principais vítimas desta “pandemia”, que afecta indivíduos e famílias.

21/01/2021  Última atualização 10H26
Entretanto, a tendência pode estar a mudar. Estudos recentes apontam para uma cada vez maior desistência dos jovens das redes sociais. Uma pesquisa realizada em Março e Abril de 2020, pela agência de pesquisa Dentsu Aegis Network, em que foram entrevistadas 32 mil pessoas em 22 países, permitiu concluir que, na chamada Geração Z, isto é, jovens entre 18 e 24 anos, um em cada cinco desactivou as suas contas nas redes sociais.

Outros estudos, como o divulgado em Outubro de 2020 pela Plan International, uma organização não-governamental fundada, em 1937, e presente em 70 países, revelou dados similares em relação a outras franjas da sociedade, em particular as mulheres.

De acordo com esta ONG, também uma em cada cinco mulheres abandonaram ou reduziram o uso das redes sociais, mas isso após sofrerem algum tipo de abuso. Uma pesquisa com entrevistas a 14 mil mulheres de 22 países, com idades entre os 15 e os 25 anos, revelou que 58 por cento delas já foram vítimas de atitudes maldosas, como assédio, o que levou a mudanças no seu comportamento digital.

Além do assédio, as mulheres queixaram-se de já terem sido vítimas de racismo, xenofobia ou outro tipo de abuso ou ofensa em relação à sua orientação religiosa ou sexual. Nas redes sociais, os abusos, de forma geral, são mais comuns que nas ruas e, a ter em conta que estes acontecem também entre pessoas do mesmo sexo, seja porque motivo for, então é de sugerir aos cientistas sociais que deem maior atenção ao facto, até no sentido de melhor se disciplinar o uso dessa ferramenta.

A tendência de abandono das redes sociais, reportada na pesquisa da Dentsu Aegis Network, é muito maior entre os jovens que nas pessoas com idade acima dos 45 anos. Os mais velhos parecem sentir-se menos afectados pelas maravilhas proporcionadas por este novo mundo. Em boa verdade, as pessoas com emprego estável ou actividade definida procuram nas redes sociais saídas que a agitação do dia-a-dia coarcta, como localizar pessoas e encurtar distâncias.

É verdade que, com as redes sociais, aumentou o número de crimes cibernéticos ou aplicados em resultado dos relacionamentos à distância. Mas, já antes existiam os casamentos e negócios de compra e venda por procuração. Há 2.400 anos mandavam-se cartas e desde meados do século XIX existe um serviço postal público.

Reza a História que, na América pré-colombiana, os correios de Montezuma, imperador asteca, eram respeitados e detentores de imunidades. A ninguém era permitido barrar a passagem destes homens, que usavam uma rica manta atada ao corpo.

Nos incas, o serviço de correio era desempenhado pelo "chasque”. Os mensageiros percorreram grandes caminhos ao longo da costa e nas serras, com postos de repouso e um organizado sistema tipo estafetas.
Se considerarmos que quem conta um conto aumenta um ponto, muitas reticências ficaram perdidas em todos esses sistemas de comunicação, que vêm desde os tantãs e sinais de fumo.

Astecas e incas, que não dispunham de Internet, tinham outro tipo de redes sociais, mas os jovens estavam excluídos delas, sobretudo por despreparo.
Hoje, estudam-se os efeitos das redes sociais (modernas), sobretudo, entre os jovens, na perspectiva de que, para todo o mal, há sempre um remédio. Ideia antiga essa, de quem ainda não tinha Internet.

Osvaldo Gonçalves

Jornalista

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