Sociedade

Água volta a jorrar na Centralidade do Kilamba

Dois dias depois da interrupção no fornecimento de água na Centralidade do Kilamba, devido a uma ruptura numa das linhas de esgoto do quarteirão A, a situação foi reposta, ontem, pela Empresa Pública de Água de Luanda (EPAL).

01/01/2021  Última atualização 13H33
A avaria provocou inundação e entupimento de sanitas em alguns apartamentos da zona © Fotografia por: DR
O administrador da Centralidade do Kilamba, Murtala Marta, esclareceu que foi necessária a  interrupção do fornecimento de água, para avaliar o nível de avaria que tem provocado inundações e entupimento de sanitas em alguns apartamentos. 

Justificou que tal situação contribuiu para que alguns moradores da centralidade encontrassem dificuldades para efectuarem às necessidades maiores nas suas residências, daí ter sido fundamental fechar a água, devido ao problema dos colectores localizados no quarteirão A.  

O administrador do Kilamba disse que, além do problema acima referido, nestes dois dias de trabalho constatou-se que a ruptura se deveu também ao abatimento de terra. "Estamos a trabalhar para identificar a real causa e não era possível fazê-lo sem interromper o abastecimento de água”, esclareceu. 

Murtala Marta aventou a hipótese que, enquanto durar as obras, de haver novamente a interrupção no abastecimento de água, por isso pediu aos moradores a racionalizarem o consumo de água, de  modo a evitar que a linha de colectores esteja pressionada. 

A linha de colector, que está a ser concertada, é de 22 quilómetros e tem 800 milímetros. O problema persiste desde Janeiro do ano passado e houve a necessidade de se fazer um estudo mais aprofundado, para avaliar a causa do abatimento de terra, que está a ser feita numa profundidade de dez metros. 

O responsável informou que a manutenção preventiva das linhas de esgotos da Centralidade do Kilamba têm sido feitas de forma regular e disse que o saneamento básico é funcional.  Um dos encarregados da obra da linha de esgoto, Francisco Silva, explicou que existe um lençol freático que fez quebrar a manilha, porque a terra é arenosa. Justificou que, por este motivo, toda a via de drenagem foi obstruída.  

Alertou que com o aumento da humidade se  coloca em risco os dois edifícios que estão no meio desta linha de esgoto, causando fissuras que pode levar ao desabamento.  

Esgoto absorve 80 por cento da água consumida 

O presidente do Conselho de Administração da Empresa Pública de Água de Luanda (EPAL), Fernando Cunha, aclarou que 80 por cento da água potável consumida vai para o esgoto e, para se trabalhar nele, é preciso parar o abastecimento. O responsável da EPAL disse que a Centralidade do Kilamba está preparada para receber por dia 40  milhões de litros de água, mas, neste momento, o consumo normal tem sido de aproximadamente  20 a 30 milhões de litros. 
 Por outro lado, Fernando Cunha explicou que a conta da EPAL está indexada a dos resíduos por uma questão estrutural, porque os dois trabalhos são similares e tratados pela mesma empresa.  Fernando Cunha lembrou que  a cobrança feita por estimativa termina em breve, mas, para tal, é necessário mais investimento. Informou que o número de devedores de água da Centralidade do Kilamba é de 35 por cento do total de moradores. 

A falta de água criou transtornos aos moradores da Centralidade do Kilamba, que ficaram privados do consumo do líquido durante dois dias. A maioria não possui reservatório. Manuel Catraio vive no 12º andar de um dos apartamentos da centralidade. Lamentou a falta de água e considerou ser impossível viver sem o líquido, porque todos os serviços dependem da água. 

Para se deslocar ao seviço,  Manuel não teve outra alternativa senão tomar banho com água mineral, o que não ficou barato. No seu entender, a EPAL e a administração do Kilamba pecam pelo facto de não comunicarem, com antecedência, sobre o corte no abastecimento de água, no sentido de as pessoas se prevenirem. 

Na primeira entrada do Kilamba, a  equipa de reportagem do Jornal de Angola constatou, ontem, um aglomerado de pessoas a acarretar água em cisternas, outros retiravam nos canais de bocas-de-incêndio. 

Edivaldo Cristóvão

Jornalista

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