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Angola partilha experiência com outros países de África

Angola pretende transmitir para o continente africano a sua singular experiência no que toca a conquista da paz, integração e reconciliação nacional, durante o Fórum Pan-africano para Cultura de Paz em África -Bienal de Luanda, que decorre em Setembro próximo

02/02/2021  Última atualização 09H40
Gilberto Veríssimo quer que a Bienal da Paz perdure no tempo © Fotografia por: José Cola | Edições Novembro
A intenção foi debatida  ontem, na Cidade Alta, em Luanda, entre a  ministra de Estado para a Área Social, Carolina Cerqueira, e uma delegação da Comissão da Comunidade Económica dos Estados da África Central  (CEEAC), chefiada pelo seu presidente, o angolano Gilberto Veríssimo.

  Em declarações à imprensa, no final do encontro de cerca de uma hora, o presidente da CEEAC disse que Angola deve fazer do seu Dia da Paz (4 de Abril) algo que possa ser replicado pela região e pelo continente. "Experiências como a de Angola há poucas", reconheceu.

Gilberto Veríssimo explicou que a ideia é fazer com que a Bienal de Luanda deste ano não seja um "acto pontual" que decorra a cada dois anos, em Setembro, mas algo que perdure no tempo. Salientou que a nível da CEEAC tudo está a ser feito para que Angola partilhe a sua "singular experiência de paz" com outros povos da região, referindo que a Bienal de Luanda pode constituir-se num instrumento para o efeito.

Evento continental

A Bienal de 2019 foi essencialmente cultural e não teve uma participação ampla do continente, explicou Gilberto Veríssimo, para quem a ideia é transformar a bienal deste ano num evento continental. "Vamos servir de ligação entre Angola e outras regiões como a CEDEAO e SADC, por forma que todos participem no evento", afirmou.

Sublinhou que até Setembro próximo decorrerão vá-rios eventos para assinalar o evento. "A ideia é não fixar a Bienal de Luanda apenas como um festival de cultura", indicou o diplomata angolano, recordando que a bienal nasceu na perspectiva de desenvolver a cultura da paz, no geral, e não apenas da música. O presidente da CEEAC recordou, a propósito, que a arquitectura de paz e segurança da União Africana (UA) é desenvolvida, sobretudo, num quadro jurídico, adiantando, por isso, que a Bienal de Luanda pode ajudar a promover uma pedagogia de paz.

Explicou ainda que a Bienal de Luanda terá capital político suficiente para elevar a experiência de paz, sobretudo, em países como RDC e RCA, que vivem "crises políticas profundas" internas.  Gilberto Veríssimo disse que devido à pandemia da Covid-19 o evento de Luanda, em muitos aspectos, poderá ser transmitido por vídeo-conferência. Considerou ser uma boa experiência, por exemplo, grupos de jovens combatentes pela paz na fronteira entre os Camarões e o Tchad interagirem com jovens angolanos, que vivem em clima de paz, através de vídeo.

Em relação ao lema principal do evento, o diplomata disse que o mesmo não foge ao da União Africana para 2021: "Ano das Artes, Cultura e Património: Alavancas para Construir a África que Almejamos”.

  União Africana adopta fórum Pan-africano

O Comité de Representantes Permanentes (CRP) da União Africana adoptou, domingo, em sessão ordinária, o Projecto de Decisão sobre o Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz em África - Bienal de Luanda e o submeteu ao Conselho Executivo, que reúne amanhã e quinta-feira. Durante o evento virtual, Angola apresentou um informe sobre a 1ª Bienal de Luanda, realizada de 18 a 22 de Setembro de 2019, que mereceu o encorajamento do CRP para prosseguir com os esforços, visando a promoção de um movimento pan-africano de prevenção da violência e dos conflitos, através do seu compromisso de divulgação de uma cultura de paz em África.

Segundo uma nota do serviço de imprensa da embaixada de Angola na Etiópia, representação permanente junto da União Africana e CEA, o Governo angolano e a UNESCO acordaram a 18 de Dezembro de 2018 realizar o 1º Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz em África - Bienal de Luanda, em Setembro de 2019, a fim de fortalecer o movimento Pan-Africano para uma cultura de paz e de não-violência, através do estabelecimento de uma parceria multilateral entre governos, sociedade civil, comunidade artística e científica, sector privado e organizações internacionais.

O CRP considerou que a realização do Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz em África - Bienal de Luanda, cuja segunda edição decorre em Setembro deste ano, na capital angolana, insere-se nos esforços da União Africana relativos à procura da paz. A reunião, em que participou o Representante Permanente de Angola junto da UA, Francisco José da Cruz, decorreu durante uma semana e precedeu o 38º Conselho Executivo (Chefes de diplomacias) e a 34ª Sessão da Assembleia da UA (Chefes de Estado e de Governos), marcados para 3 e 4 e 6 e 7 de Fevereiro, respectivamente.

Garrido Fragoso

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