Opinião

As nossas crianças

Os problemas sociais que afectam a milhares de famílias acabam por resvalar para o elo mais fraco da cadeia familiar : as crianças e os adolescentes. Nos últimos tempos, temos assistido a iniciativas particulares relacionadas com a criação de lares de acolhimento para crianças e adolescentes.

25/02/2021  Última atualização 12H37
E muitas destas instituições devem merecer a atenção das instituições do Estado e de toda a sociedade, na medida em que actuam como verdadeiras parceiras no processo de assegurar que o "futuro da nação" não esteja perdido nas ruas da amargura, com todas as consequências para a sociedade angolana.
Há dias, os órgãos de comunicação social destacaram as actividades de um  centro de acolhimento no Zango, em que se encontram cerca de 150 crianças, adolescentes e jovens, que vive inúmeras dificuldades para a manutenção do mesmo. Falando para a imprensa, pouco depois de um acto de beneficência, protagonizado por uma instituição privada, o responsável do centro de acolhimento falou de dificuldades que o lar vive e que, por essa razão, precisa da ajuda do Estado e dos seus parceiros.
Tal como o lar do Zango, que acolhe centenas de menores, não há dúvidas de que existem numerosas outras instituições de caridade, muitas geridas pelas igrejas, e que precisam do contínuo acompanhamento do Estado e dos seus parceiros. É verdade que, em muitos casos, se tratam de iniciativas privadas, de cidadãos ou grupos de cidadãos, religiosos e não religiosos que, movidos pelo espírito altruísta, decidiram erguer espaços para acolher menores em situação de vulnerabilidade. Fizeram-no, acreditamos nós, pelas melhores razões e porque acreditam na melhoria da condição humana.
Mas, na verdade, tratam-se de iniciativas, desde que comprovadamente  motivadas por razões solidárias, causas humanistas e necessidade de ajudar ao próximo, diligências estas em que todos nos devemos rever. Toda a sociedade deve mobilizar-se para que, na medida do possível, seja capaz de ajudar os que ajudam os outros e, extensivamente, contribuir para uma melhor reinserção de pessoas anteriormente em situação de vulnerabilidade.
Somos de opinião que as instituições do Estado não devem ficar indiferentes  aos apelos no sentido da ajuda e da mobilização de ajudas para minimizar as dificuldades por que passam os referidos espaços de acolhimento.
Acreditamos que a melhoria das condições nos espaços de acolhimento de crianças, adolescentes e jovens vai, de alguma maneira, contribuir para a redução do fenómeno menino de rua, ajudar a várias famílias em condição de vulnerabilidade e contribuir para assegurar o futuro com pessoas adultas que garantam a continuidade e viabilidade do Estado.
As crianças, adolescentes e jovens de hoje devem merecer a devida atenção e, obviamente, muito em particular aquelas que vivem em condição de vulnerabilidade, quer pela consagração constitucional, quer pela necessidade de assegurarmos o futuro com adultos, equilibrados, dedicados à pátria, trabalhadores  e contínuos construtores de Angola.

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