Reportagem

Associação dos condutores paralisam transportes públicos na rota Huíla-Namibe

A Associação dos Condutores e Auxiliares de Transportes Públicos da região sul (ACATRES) paralisou, ontem, (quinta-feira), a corrida de táxi, na categoria de miniautocarros e autocarros, no percurso Lubango (Huíla) - Namibe, alegadamente por falta de reajuste nos preços do bilhete de passagem.

02/04/2021  Última atualização 09H20
Demora nos trabalhos de actualização de preço na base da greva © Fotografia por: Arão Martins|Edições Novembro
O presidente daquela associação, Pombeu Katombela Kachimo, que prestou a informação ao Jornal de Angola, disse que a greve começou ontem e a actividade só retomará quando haver respaldo na proposta enviada aos órgãos afins, sobre o aumento do preço da corrida do táxi, de 2 mil kwanzas para 3 mil, respectivamente.


Pombeu Katombela Kachimo informou que na rota inter-provincial Huíla-Namibe, operam 17 empresas com 144 miniautocarros e cerca de autocarros que transportam, mais de mil pessoas diariamente.


A fonte lamentou o estado da estrada nacional da estrada 280, sobretudo na Leba. A paralisação da actividade está a criar sérios constrangimentos aos passageiros que pretendiam deslocar-se à província do Namibe, por vários motivos.


Vários motoristas decidiram encostar os veículos na paragem do Lubango. O interesse pela viagem aumentou, devido ao fim-de-semana prolongado, por causa da semana Santa, que antecede a celebração da Páscoa, domingo próximo.


O presidente da Associação dos Condutores e Auxiliares de Transportes Públicos da região sul (ACATRES), Pompeu Katombela Kachimo, reconheceu os constrangimentos causados.


"Depois de enviarmos o caderno reivindicativo, já trabalhamos com os técnicos do Ministério das Finanças e os Governos da Huíla e Namibe, mas a definição está demorada”, lamentou, acrescentando: "Nós entendemos os constrangimentos que a greve está a causar, mas as empresas estão incapacitadas de cobrir as necessidades com os actuais preços que são praticados”, disse.


Explicou que o processo da proposta começou em Outubro de 2020. "A nossa intenção é o reajuste da tabela do preço. Estamos a cobrar 2 mil kwanzas e em função da resposta que recebemos do Ministério das Finanças, o preço foi aprovado para 3 mil kwanzas para os miniautocarros e 2.700 para os autocarros”, disse.


Explicou que a actual conjuntura económica e financeira do país, provocada pela descida do preço do petróleo, aliada a Covid-19, criou embaraços em várias actividades provocando subida de preços nos materiais de reposição e conservação dos automóveis.


Reconheceu que o sector dos transportes como pilar de desenvolvimento de qualquer economia para a mobilidade de pessoas e bens. Acrescentou que os concessionários vêm-se afectados com a falta de divisas para a aquisição de materiais no exterior e concomitantemente, a falta de capacidade de resposta no mercado interno.


"Face à situação actual, devido a desvalorização da moeda, aliado aos preços praticados pelos concessionários de transporte público de passageiros inter-provincial, não faz cobertura as despesas inerentes ao funcionamento dos meios e humanos. "Daí, decidimos paralisar com a actividade na rota Lubango-Namibe e vice-versa, até que nos dêem respaldo à nossa preocupação”.


O trabalho da actualização do preço regista demora. "Já trabalhamos com os Governos provinciais e da Huíla, mas sem êxito”, disse.

Reconheceu o apoio prestado pelos Governos provinciais, mas sem sucesso. "No dia 18 de Março remetemos novamente um documento à delegação provincial das Finanças do Namibe. "O Governo do Namibe enviou o dossier à Luanda, os técnicos das Finanças trabalharam no assunto. Cooperamos. Tendo em conta as respostas que temos recebido, tem criado um clima não muito bom dos associados, por falta da definição de uma data exacta da implementação do preço. Queremos ter a certeza da resposta do documento, que segundo dados, o expediente já se encontra no Gabinete do secretário de Estado dos Transportes”.


Informou que a nível da região sul, no traçado Huíla-Namibe, operam 17 empresas com 144 miniautocarros e 100 autocarros que transportam, mais ou menos mil pessoas que viajam por dia.


O responsável esclareceu que a greve começou na rota Lubango-Namibe. Reconheceu os constrangimentos causados. "Nós entendemos os constrangimentos que a greve está a causar, mas as empresas estão incapacitadas de cobrir as necessidades com os actuais preços que são praticados”, disse.


A Associação dos Condutores e Auxiliares de Transportes Públicos da Região Sul de Angola (ACATPRS) é uma associação sem fins lucrativos, apartidária e não governamental com personalidade jurídica e de autonomia administrativa e financeira de pessoas singulares e colectiva, interessados a desenvolver actividades no ramo da camionagem, transportes públicos que rege pelas normas jurídicas angolanas e seu estatuto.

Arão Martins | Lubango

Jornalista

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