Desporto

Campeões jogam embalados pelos bravos heróis do mar

Honorato Silva

Jornalista

Portugal chega ao “Euro ‘2020”, prova a ser disputada de forma itinerante, por passar por 11 cidades de países diferentes, com o estatuto de campeão, mas sem a possibilidade de esconder a força que tem, como em 2016, em França, porque a concorrência já sabe como proceder para contrariar a equipa de Fernando Santos.

11/06/2021  Última atualização 07H00
© Fotografia por: DR
A inspiração dos detentores do título vem da bravura dos heróis do mar, no apelo ao nobre povo e à nação valente, imortal, mensagem destacada no Hino da República. É assim que Cristiano Ronaldo, hoje com menos vigor físico, entretanto, mais experiente na zona de finalização, assume a liderança em campo da equipa das Quinas, reforçada pelo poder inventivo de João Félix, a estrela projectada para o futuro. 

E a prova à capacidade portuguesa de lutar pela defesa do troféu será feita ainda na primeira fase. Resistir à força competitiva das favoritas França e Alemanha, sem perder de vista o desejo de surpreender da Hungria, que à partida se afigura um estorvo à passagem dos portugueses como um dos quatro melhores terceiros, caso falhe o alcance de um dos dois primeiros lugares.  

Entre os eleitos de Fernando Santos são destaque os guarda-redes Anthony Lopes (Lyon) e Rui Patrício (Wolverhampton), os defesas João Cancelo (Manchester City), José Fonte (Lille), Pepe (Porto), Rúben Dias (Manchester City) e Raphaël Guerreiro (Dortmund), os médios Danilo Pereira (Paris Saint Germain), Bruno Fernandes (Manchester United), Renato Sanches (Lille), Sérgio Oliveira (FC Porto) e William Carvalho (Bétis), bem como os avançados Bernardo Silva (Manchester City), Cristiano Ronaldo (Juventus), Diogo Jota (Liverpool) e João Félix (Atlético de Madrid).  
 
Peso do ranking  
Apontada de forma recorrente como favorita à vitória nos grandes torneios, a Bélgica liderada pelo espanhol Roberto Martinez apresenta nas credenciais, além do futebol apelativo e eficaz, assim atestam os resultados, o estatuto de líder do "ranking” da FIFA, força classificativa a ser provada em campo.  

Um dos melhores guarda-redes do mundo, Thibaut Courtois (Real Madrid) garante segurança entre os postes, protegido por uma cortina defensiva formada por Toby Alderweireld (Tottenham), Dedrick Boyata (Hertha Berlin), Jason Denayer (Lyon), Jan Vertonghen (Benfica) e Thomas Vermaelen (Vissel Kobe).   
Na zona intermédia, as referências são Timothy Catagne (Leicester), Yannick Carrasco (Atlético de Madrid), Kevin De Bruyne (Manchester City), Thorghan Hazard (Borussia Dortmund), Thomas Meunier (Borussia Dortmund) e Dennis Praet (Leicester), ao passo que no ataque a passarela da fama é estendida para Mitchy Batshuayi (Crystal Palace), Christian Benteke (Crystal Palace), Eden Hazard (Real Madrid), Romelu Lukaku (Inter de Milão) e Dries Mertens (Napoli).  
 
Fraqueza na renovação 

A Alemanha tem tradição de conquista das provas europeias e mundiais. Todavia, os tempos subsequentes ao brilharete assinado no Campeonato do Mundo no Brasil, em 2014, foram pouco risonhos para a Mannschaften, muito por força do processo de renovação levado a cabo por Joachim Low, técnico em final de ciclo.   
Os alemães concentram maior experiência na baliza, com a presença de Bernd Leno (Arsenal), Manuel Neuer (Bayern de Munique) e Kevin Trapp (Eintracht Frankfurt) na lista dos convocados. Na defesa, Antonio Rüdiger (Chelsea), Mats Hummels (Borussia Dortmund), Mathias Ginter (Borussia Mönchengladbach), Niklas Süle (Bayern de Munique) e Christian Günter (Freiburg) são as jóias da coroa. 

Joshua Kimmich, Serge Gnabry, Leon Goretzka, Thomas Müller, Leroy Sané e Jamal Musiala (Bayern de Munique), Emre Can (Borussia Dortmund), Timo Werner (Chelsea), Toni Kroos (Real Madrid), Ilkay Gündogan (Manchester City) e Kevin Volland (Monaco) podem fazer a bola rolar no meio campo e no ataque.  

A Inglaterra, antiga promessa cuja afirmação tarda a chegar, forma com a ressurgida Holanda uma segunda linha de selecções com arcaboiço para chegar ao pódio. A Itália de Roberto Mancini, que conta com os muitos quilómetros de relva percorridos pelo experiente defesa Giorgio Chielini, o faro de golo de Ciro Immobile e o talento de Moise Kean, avançado oriundo da Costa do Marfim, quer voltar a ser a Squadra Azzurra conquistadora.   
Suíça, Turquia, País de Gales, Dinamarca, Finlândia, Rússia, Áustria, Macedónia, Ucrânia, Croácia, República Tcheca, Escócia, Polónia, Eslováquia, Suécia e Hungria vão lutar por um lugar na segunda fase da competição.  

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