Sociedade

Camponeses e elementos da Administração disputam terra no Distrito dos Ramiros

Camponeses do Distrito dos Ramiros, no município de Belas, em Luanda, estão a acusar alguns elementos supostamente ligados à Administração local, Polícia Nacional e o soba da circunscrição de serem os responsáveis da invasão das suas lavras.

01/01/2021  Última atualização 13H48
© Fotografia por: DR
Em declarações ao Jornal de Angola, Isabel Neto denunciou que na venda das lavras estão, também, envolvidos o soba, os filhos e genros deste. Explicou que, por exemplo, uma parcela de 20/30 está a ser comercializada a 800 mil kwanzas, ou em troca de viaturas de marca Toyota Hiace ou Land Cruiser , modelo V8. 

"A lavra nos foi cedida, em 1981, por sermos antigos combatentes, pelo malogrado membro do Bureau Político do Comité Central do MPLA, Lúcio Lara, sob orientação do então Presidente da República, António Agostinho Neto”, conta a camponesa agastada com a situação.

Segundo a camponesa, tudo começou, em 2004, quando alguns responsáveis do Ministério dos Petróleos decidiram expropriar as terras, alegando que a área tinha petróleo e era reserva do Estado.  Acrescenta que, desde 2018, que não prega o sono, porque algumas pessoas influentes continuam a  apropriar-se das lavras e chegaram a derrubar as plantações. "Já constituímos um advogado e levamos o caso à Justiça”. 

Detenções 

 Na quarta-feira, 75 camponesa manifestaram-se em frente à 51ª Esquadra do Kilamba, para exigir a libertação de dois membros, um dos quais o presidente da Associação dos Camponeses Yeto Ramiro, Paulino Macaia, que já se encontra em liberdade. 

Segundo apurou o Jornal de Angola, Paulino Macaia foi detido na sequência de uma briga entre as camponesas e um indivíduo identificado apenas como o gerente das bombas de combustíveis da Sonangol, nos Ramiros, acusado de se apropriar das lavras. 

O advogado da Associação dos Camponeses Yeto Ramiro, Zola Bambi, relatou que os camponesas foram surpreendidas, na terça-feira, por elementos do Serviço Investigação Criminal (SIC) e, sem nenhum mandado, levaram-nas para a Esquadra do Distrito dos Ramiros. 

Contactado por telefone, o director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional, inspector-chefe, Nestor Goubel, disse apenas ter tomado boa nota e prometeu encaminhar o assunto.

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