Política

Chefe de Estado homenageia produtores de bens essenciais

O Presidente da República, João Lourenço, homenageou, ontem, no Palácio da Cidade Alta, os produtores de bens essenciais de amplo consumo, que integram a cesta básica e não só, de todo o território nacional, pela resiliência demonstrada perante a crise económica existente no país desde 2014, agravado, este ano, pela pandemia da Covid-19.

23/12/2020  Última atualização 07H39
Executivo reconhece a forma como os empresários estão a realizar investimentos em diferentes ramos da economia © Fotografia por: Santos Pedro| Edições Novembro
Os produtores de bens essenciais de amplo consumo, de todo o país, foram homenageados através de um grupo de 62 empresas provenientes das 18 províncias do país. 

O Presidente da República disse ser justo reconhecer, publicamente, a forma como o empresariado privado respondeu, positivamente, e pelo facto de estar a realizar um investimento em diferentes ramos da economia, com resultados satisfatórios e visíveis aos olhos de todos.


"No passado dia 10 de Novembro, por ocasião da celebração do 45º aniversário da Independência Nacional, tive a oportunidade de homenagear grupos de profissionais que se têm destacado no combate à Covid-19. Hoje, é chegado o momento de homenagear os produtores de bens essenciais de amplo consumo, bens da cesta básica e não só”, frisou.

João Lourenço ressaltou que a homenagem, na véspera da quadra festiva, justifica-se por ser um bom momento para se reflectir sobre o empenho e capacidade de resistência demonstrada pelos produtores nacionais ao longo deste ano muito difícil, que se aproxima do fim. 

O Chefe de Estado considerou ainda a homenagem como uma oportunidade para, uma vez mais, destacar o papel crucial dos empresários no processo de diversificação da economia, sobretudo para a redução da dependência ainda verificada no sector petrolífero, que tem deixado o país muito vulnerável aos choques externos registados no sector.

Bons resultados

O Presidente da República revelou que os dados relativos à última época agrícola apontam para o alcance de bons resultados na produção das principais culturas, com destaque para cereais, raízes e tubérculos e hortícolas, tendo sido atingidos os níveis de produção previstos no Plano de Desenvolvimento Nacional 2018-2022 para este ano. 

Disse terem sido produzidas mais de três milhões de toneladas de cereais, mais de 11 milhões de toneladas de raízes e tubérculos e mais de dois milhões de toneladas de hortícolas. "Temos sinais animadores na produção pecuária, na avicultura de corte e na avicultura de postura”, realçou.


Apesar de o país não ter atingido as metas previstas para este ano, João Lourenço destacou que a produção de carne alcançou cerca de 145 mil toneladas das 197 mil toneladas previstas e na avicultura de postura obteve-se 1,2 mil milhões de unidades de ovos, quando se previa alcançar 1,5 mil milhões de unidades.

Para melhorar estes resultados, o Titular do Poder Executivo disse terem sido realizadas importantes acções de fomento da produção de carne bovina, de carne de frango e de ovos, que tiveram uma forte adesão e participação de empresas, cooperativas e produtores familiares em diversas províncias do país.

João Lourenço ressaltou que, graças ao empenho dos produtores nacionais, vai assistir-se, num período muito curto, a um aumento significativo na produção de carne e ovos. No domínio da pesca e da produção de sal, o Presidente disse que os empresários estão a responder positivamente, com iniciativas de reorganização do sector das pescas, sobretudo em relação às medidas que estão a ser introduzidas para melhorar a fiscalização de embarcações. 

"Com base na informação disponível, este ano a captura de pescado correspondeu a mais de 240 mil toneladas, resultado, no entanto, inferior à meta deste ano, de 347 mil toneladas, sendo, deste modo, indispensável, no próximo ano, aumentar o apoio aos pescadores, sobretudo da pesca artesanal e sem-industrial”,
frisou.


Produtores de sal

João Lourenço assinalou o empenho dos produtores de sal, que, de uma maneira geral, procuraram ampliar as salinas existentes nas províncias de Benguela, Bengo, Namibe, Cuanza-Sul e Zaire, tendo a produção alcançado, este ano, 120 mil toneladas. 

O papel da indústria transformadora também foi reconhecido. Sobre este sector, o Presidente da República destacou o bom desempenho, sobretudo no que diz respeito à produção de bens de amplo consumo das populações, como são os casos do sabão, da fuba de milho e da farinha de trigo.


João Lourenço disse que, este ano, foram ultrapassadas as metas de produção estabelecidas, o que permitiu que a produção nacional de sabão, de fuba de milho e de farinha de trigo atendessem à procura interna em 63,48 e 93 por cento, respectivamente. O Chefe de Estado felicitou os empresários que, este ano, apostaram no investimento e na entrada em funcionamento de novas unidades industriais.


O destaque recaiu sobre as fábricas de produção de massas alimentares, de leite, de transformados e enchidos de carne, de montagem de electrodomésticos, de montagem de máquinas e equipamentos, de produtos têxteis e de confecções, bem como de diversos materiais para a construção civil.


"Com os indicadores acima apresentados, temos motivos bastantes para reconhecer o empenho do sector produtivo e, por este motivo, prestar uma singela homenagem aos senhores empresários e às senhoras empresárias, que têm assumido, com abnegação, o seu papel de motores da economia nacional”, realçou.
Arranque de três unidades têxteis

João Lourenço anunciou, para breve, o arranque das três unidades de indústria têxtil instaladas no país, iniciativa que, como destacou, surgirá para cobrir uma grande lacuna e criar inúmeros postos de trabalho.

 "Mas, para essa indústria ser rentável e ter sustentabilidade, precisamos de voltar a ser produtores de algodão e, para isso, contamos com os nossos empresários agrícolas, assim como com as cooperativas de camponeses”, salientou.


Preocupado com a deterioração dos bens produzidos pelos camponeses e tendo em vista a necessidade de se baixarem os preços dos produtos alimentares, o Chefe de Estado disse que o Executivo vai abrir facilidades de crédito, para operadores de transporte que operam no mercado rural e no escoamento dos bens do campo para os centros de consumo.


Nos próximos anos, continuou, o país deve ter a perspectiva de investir na exploração de outros recursos minerais, para além dos diamantes e do ouro, bem como iniciar a produção de ferro e aço. A implantação da indústria de construção e reparação naval, a indústria de fertilizantes, expandir a de tractores, implantar a de vacinas para a veterinária, a indústria farmacêutica, com o investimento privado, também constam desse desejo.

Para as obras públicas de grande dimensão, como auto-estradas, pontes, barragens hidroeléctricas, portos e caminhos de ferro, João Lourenço ressaltou que o país conta, igualmente, com o empresariado privado, não apenas como empreiteiros, mas, sobretudo, para parcerias público privadas, com vantagens mútuas para o Estado e para o concessionário. 
"Aos responsáveis das empresas do sector produtivo, aqui presentes, em representação dos produtores nacionais, quero expressar, em nome do Executivo, o nosso reconhecimento pelo vosso papel crucial na estabilidade económica e social do país”, aclarou.


O Executivo, acrescentou, concluiu da necessidade de apostar seriamente na diversificação da economia, através do aumento da produção interna de bens e de serviços como único caminho para a redução das importações, o aumento das exportações e consequente aumento da arrecadação de divisas.

César Esteves

Jornalista

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