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Conflito na Etiópia com mediação de três ex-Presidentes africanos

Joaquim Chissano, de Moçambique, Ellen Johnson-Sirleaf, Líbéria, e Kgalema Motlanthe, África do Sul, indicados para tentar encontrar uma solução à crise na região etíope de Tigré

21/11/2020  Última atualização 21H16
Altas personalidades africanas defendem a via do diálogo entre os beligerantes para a solução do conflito em Tigré © Fotografia por: DR
A União Africana (UA) nomeou três antigos Presidentes como enviados especiais à Etiópia para tentar concretizar a mediação entre as várias facções envolvidas no conflito no país, anunciou, ontem, o Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa.

O Chefe de Estado sul-africano, que ocupa actualmente a presidência rotativa da UA, anunciou, em comunicado, que os antigos Presidentes de Moçambique, Joaquim Chissano, da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, e da África do Sul, Kgalema Motlanthe, serão os enviados à Etiópia.Cyril Ramaphosa expressou também, citado pela agência France Press (AFP), o "profundo desejo de acabar com o conflito através do diálogo entre todas as partes”.

Estes três enviados especiais viajarão para a Etiópia com o intuito de criar as condições para um diálogo "aberto para resolver as questões” que originaram este conflito. O Chefe de Estado sul-africano e presidente da UA não adiantou um calendário. O trabalho dos três antigos Presidentes que viajarão para Addis Abeba para "encontrar uma solução para os problemas” da Etiópia, guiados "pela máxima de soluções mais africanas para os problemas africanos”.

Confrontos entre as forças da Frente de Libertação do Povo de Tigré e o Exército Federal da Etiópia voltaram a assolar a região de Amhara, ontem, horas depois de o Governo central anunciar que os militares se estavam a aproximar de Mekele, capital da região dissidente.

O Primeiro-Ministro etíope, Abiy Ahmed, vencedor do Nobel da Paz em 2019, lançou esta operação contra as milícias de Tigré, que acusa de desestabilizar o Governo e de atacar duas bases militares da Etiópia naquela região. O ataque é negado pelos tigrínios, o grupo étnico que vive na região de Tigré.


Secretário-geral da OMS acusado de apoiar separatistas


O chefe do Estado-Maior do Exército etíope acusou, ontem, o director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, de  fazer campanha pela região de Tigré, onde as forças locais estão em confronto com as tropas federais, tendo a ONU pedido a abertura de um corredor humanitário.

O etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, originário da região de Tigré, "trabalhou em países vizinhos para condenar a guerra” que o Governo federal da Etiópia tem travado contra as autoridades regionais de Tigré, desde o dia 4, e "trabalhou para lhes fornecer armas”, disse o general Berhanu Jula numa conferência de imprensa, citada pela agência Lusa. O director-geral da OMS "não negligenciou nenhuma via” para ajudar a Frente de Libertação do Povo de Tigré (TPLF), partido no poder na região de Tigré e que desafia a autoridade do Governo federal há vários meses. "Esse homem é mesmo um membro da equipa” da TPLF, acusou o General Berhanu.

Tedros Adhanom Ghebreyesus foi ministro da Saúde de 2005 a 2012, no Governo de Meles Zenawi, chefe histórico da TPLF e que detinha muito poder em Addis Abeba. "O que podemos esperar dele? Não esperamos que se alie ao povo etíope e condene” as autoridades de Tigré, acrescentou.

Altos funcionários das Nações Unidas conduziram uma missão de 48 horas ao Sudão, onde cerca de 30 mil etíopes se refugiaram na sequência de combates entre forças nacionais e regionais na província de Tigré, disse, sexta-feira, a organização mundial citada pela Efe. O coordenador humanitário das Nações Unidas no Sudão, Babacar Cissé, juntamente com os chefes da agência da ONU para os refugiados (HCR), do Programa Alimentar Mundial (PAM), do Fundo da ONU para a Infância (UNICEF) e o Fundo para a População (UNFPA), estiveram no local para avaliar a situação nos campos de refugiados, de acordo com uma declaração da ONU.

Tigré está localizado, no Norte da Etiópia, e os confrontos eclodiram, no início deste mês, na sequência de um ataque a uma base militar, levando o Primeiro-Ministro a lançar uma ofensiva militar.
Cerca de quatro mil pessoas estão a atravessar a fronteira para o Sudão, segundo o porta-voz das Nações Unidas, Stephane Dujarric, que acrescentou que as famílias e as crianças dormem ao relento.

"A equipa da ONU, em colaboração com o Governo do Sudão, está a assegurar que os refugiados não permaneçam mais de dois dias em centros de acolhimento, antes de serem transferidos para infra-estruturas mais apropriadas nos campos de refugiados”, disse.

De acordo com a declaração, a missão visitou o Centro de Acolhimento Hamdayet, que abriga quase 16 mil pessoas, bem como o campo de Um Raquba, que acolhe actualmente 4.440 refugiados etíopes.
O campo tem uma capacidade de 10 mil pessoas, enquanto a capacidade do centro de acolhimento está a ser reforçada para receber mais pessoas a atravessar a fronteira para o Sudão. Na sexta-feira, António Guterres, apelou a uma ajuda massiva à população e lamentou o facto de as autoridades não aceitarem qualquer mediação.


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