Cultura

Criadores de artes e cultura necessitam de maior apoio

O gabinete provincial da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos do Cuando Cubango está desprovido de meios para apoiar os fazedores de cultura e artes, que neste momento vivem momentos difíceis, por conta da pandemia da Covid-19.

22/01/2021  Última atualização 13H05
© Fotografia por: DR
A informação foi avançada, ontem, ao Jornal de Angola, pelo chefe em exercício do departamento de artes e acção cultural local, Domingos Inesa, que adiantou que a Direcção Provincial da Cultura controla 109 músicos, 13 promotores  culturais, sete grupos de artes cénicas, cinco de dança moderna e tradicional, quatro associações culturais, três escritores, dois artesões e igual número de artistas plásticos, que se têm debatido com inúmeras dificuldades para sobreviverem em tempo de pandemia da Covid-19.

Domingos Inesa disse que 70 por cento dos fazedores de artes e cultura na província  vivem da realização de espectáculos e outros eventos culturais, nos quais são convidados para actuarem, sobretudo nas celebrações de datas históricas, razão pela qual um grande número de pessoas estão a desistir do sonho de se tornarem profissionais e são obrigados a optar  por outras actividades para sobreviverem. "Poucos são os fazedores de artes e cultura que são funcionários públicos ou de instituições privadas e os que dependem exclusivamente da arte atravessam momentos críticos nas suas carreiras”, disse. 

Com a suspensão da realização de actividades culturais, frisou o responsável, pode-se assistir ao fim de muitos jovens talentosos por falta de meios de subsistência.Domingos Inesa revelou que no Cuando Cubango não existe um espaço no qual os fazedores de artes e cultura possam actuar e expor os seus trabalhos. Os criadores do Cuando Cubango, salientou,  continuam a enfrentar sérios problemas desde a falta de salas de espectáculos e apoio por parte dos empresários locais, com vista a desenvolverem as suas actividades.

Domingos Inesa disse não existir um horizonte temporal para a construção de uma sala de espectáculos e de exposições, na qual os músicos, actores, escritores, poetas, artistas plásticos e escultores possam exibir os seus trabalhos. A província do Cuando Cubango debate-se com a falta de museus, bibliotecas, centros culturais e outras instituições culturais para a promoção e o engrandecimento das artes na região, situação que contribui negativamente para a perda de valores históricos e culturais a nível da província.
Grito de socorro
Ernesto Deya, artesão há  28 anos, disse que nunca viveu momentos tão difíceis como agora, adiantando que antes da pandemia da Covid-19, arrecadava semanalmente até 50 mil kwanzas com a venda das suas obras, mas hoje reduziu para quatro a cinco mil kwanzas."Produzo várias peças de madeira, desde rinocerontes, girafas, elefantes, búfalos, bengalas, palanca negra gigante, jacarés, cabra do mato e mapa de Angola e tinha como clientes preferenciais os viajantes de diferentes regiões do país, que por diversas razões escalavam o Cuando Cubango”, desabafou.Por esta razão, fez um apelo a quem de direito e aos empresários locais no sentido de mobilizarem esforços para salvarem os agentes culturais do Cuando Cubango.

Lourenço Bule | Menongue

Jornalista

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