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Egípcios continuam a pedir liberdade

Dez anos depois de milhares de egípcios terem pedido a liberdade nas ruas, lançando a “revolução de 25 de Janeiro”, o poder de Abdel Fatah al-Sissi continua a tomar decisões que chocam com aquilo que era então a vontade da maioria da população.

27/01/2021  Última atualização 11H10
© Fotografia por: DR
A 25 de Janeiro de 2011 milhares de pessoas desfilaram no Cairo, Alexandria e em muitas outras cidades e gritaram "Pão, Liberdade, Dignidade”, enquanto outros pediam a saída do autocrata Hosni Mubarak.
Este demite-se a 11 de Fevereiro, mas "a Primavera Árabe no Egipto durou pouco”, disse, ontem, à AFP, Agnès Callamard, relatora especial da ONU em execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias.Após a destituição, pelo Exército, em 2013, do Presidente islamita Mohamed Mursi- o primeiro eleito democraticamente -, a sociedade civil egípcia perdeu gradualmente todo o espaço de expressão livre. Activistas políticos, jornalistas, advogados, intelectuais são presos por uma Justiça expedita. As organizações de defesa dos direitos humanos denunciam, ainda, as condições de detenção desastrosas, torturas e execuções extrajudiciais.

No início de Dezembro a Amnistia Internacional denunciou um recente "frenesim de execuções” e no relatório anual, apresentado há uma semana, a Human Rights Watch assinala o "forte controlo do Governo autoritário” de Al-Sissi, adiantando que "dezenas de prisioneiros morreram sob custódia, pelo menos, 14 dos quais aparentemente devido à Covid-19” que "agravou as já terríveis condições de detenção no país”.A resposta das autoridades egípcias face às críticas internacionais tem sido invariável e foi reiterada recentemente pelo chefe da diplomacia, Sameh Choukry: "No Egipto, pensamos que a avaliação da fidelidade de um Estado aos direitos humanos é da responsabilidade da sociedade em causa e não de partes externas”.

As autoridades desmentem qualquer prática de detenção arbitrária ou de tortura. O Governo atribui "grande importância à liberdade de opinião e de expressão. Não existem ‘presos políticos’. Todas as detenções estão ligadas a acções de violação do Código Penal”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros egípcio à AFP.

Segundo organizações de defesa dos direitos humanos, o país terá cerca de 60 mil presos políticos.A onda de repressão começou no Verão de 2013, quando centenas de islamitas que protestavam contra a destituição de Mursi foram mortos pela Polícia no Cairo, segundo várias ONG. Seguiram-se as detenções arbitrárias, julgamentos em massa e condenações à morte de muitos membros da Ir-mandade Muçulmana (à qual Mursi tinha pertencido e que foi proibida em 2013) e outros da oposição.

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