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Embaixada diz ter avisado o Governo sobre a viagem

A Embaixada da Itália em Kinshasa informou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da RDC que o diplomata Luca Attanasio faria uma viagem à região de Goma, no Leste deste país, entre 19 e 24 de Fevereiro, disse, ontem, uma fonte do Governo italiano, em Roma, citada pela agência de notícias Reuters.

03/03/2021  Última atualização 12H20
O diplomata italiano, Luca Attanasio morreu em Goma, na República Democrática do Congo © Fotografia por: DR
Embaixador em Kinshasa desde 2017, Luca Attanasio foi morto há uma semana, nos arredores de Goma, du-rante um ataque a uma caravana do Programa Alimentar Mundial (PAM), juntamente com um agente policial italiano Vittorio Iacovacci e do motorista congolês Mustapha Milambo.

Logo após o crime, o Go-verno da RDC disse que não sabia da presença do diplomata na região, o que teria impedido que a sua comitiva tivesse a segurança adequada. No entanto, num documento oficial enviado a 15 de Fevereiro, a Embaixada da Itália em Kinshasa informou o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Congo sobre a missão.
No documento, a sede diplomática pede autorização de acesso para Luca Attanasio e Vittorio Iacovacci no Aeroporto Internacional de N'djili, de onde partiria a viagem, e afirma que a missão incluiria visitas à comunidade italiana de Goma e Bukavu, a 200 quilómetros de distância uma da outra.

Após a divulgação do documento, o Ministério dos Ne-gócios Estrangeiros da RDC confirmou ter recebido o aviso, mas disse que o próprio embaixador encontrou-se posteriormente com o "director do Protocolo de Estado para co-municar que a viagem não aconteceria mais e que seria enviada uma segunda nota". O Governo congolês, no entanto, não divulgou nenhum documento oficial que comprove a realização desse encontro, de acordo com o site de notícias "UOL".

A chancelaria ainda justificou que Rutshuru, destino da comitiva do diplomata no dia do seu assassinato, não fazia parte do itinerário original mencionado pela Embaixada italiana em Kinshasa. O diplomata e o agente policial viajavam num comboio do PAM que visitaria um projecto de distribuição de comida em escolas. Pouco depois de deixar a cidade de Goma, a comitiva foi atacada por seis homens armados numa estrada dentro do Parque Nacional Virunga, santuário natural do Congo e palco da actuação de milícias que disputam a riqueza mineral da região.
 
Ofensiva militar provoca 19 mortos
Pelo menos 19 pessoas morreram, ontem, em confrontos entre o Exército congolês e milícias armadas em Ituri, no Nordeste da República Democrática do Congo RDC), anunciou fonte militar citada pela AFP.
A ofensiva das Forças Armadas da RDC (FARDC), iniciada na segunda-feira tinha como alvo os bastiões da Força Patriótica e Integracionista do Congo (FPIC), grupo armado activo no território Irumu em Ituri.  
"Durante o combate, as FARDC neutralizaram 16 elementos do FPIC e capturaram outros sete", disse o tenente Jules Ngongo, porta-voz do Exército em Ituri, fa-zendo um balanço da operação. "Duas localidades passaram a estar sob o controlo de soldados leais" ao Governo, acrescentou. O responsável referiu, ainda, que o Exército congolês perdeu três soldados.

"O FPIC é constituído principalmente por jovens da Bira (comunidade local) e diz-se que tem reivindicações políticas, porque aquela comunidade não faz parte do Governo provincial (Ituri). Também quer recuperar terrenos ocupados pelos Hema em território Irumu", segundo os peritos do Barómetro de Segurança do Kivu (KST). Membros desta milícia estão também a atacar elementos da comunidade Alur, de acordo com vários testemunhos de residentes de Irumu à agência de notícias francesa AFP. No início de 2020, atearam fogo a uma esquadra de Polícia e ao gabinete territorial de Irumu, de acordo com as mesmas testemunhas.

A RDC está numa situação de instabilidade há quase três décadas devido à presença de dezenas de grupos armados locais e estrangeiros. Num relatório recente, o grupo de estudo do KST identificou pelo menos "122 grupos armados" activos em quatro províncias orientais do país (Ituri, Kivu Norte, Kivu Sul e Tanganica).

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