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Embaixador italiano morto no Leste da RDC

O embaixador italiano em Kinshasa foi ontem morto a tiro num ataque armado a um comboio do Programa Alimentar Mundial (PAM), durante uma visita perto de Goma, no Leste da República Democrática do Congo (RDC), segundo fontes diplomáticas.

23/02/2021  Última atualização 15H29
O diplomata morreu num ataque armado a um comboio de viaturas das Nações Unidas © Fotografia por: DR
O embaixador Luca Attanasio "morreu em consequência dos ferimentos”, disse à agência AFP uma fonte diplomática em Kinshasa.
Neste ataque foram também mortas outras duas pessoas, de acordo com o porta-voz do Exército na região do Kivu Norte, major Guillaume Djike, que não revelou a identidade das vítimas.
Segundo o portal "Actualite”, Luca Attanasio e o militar de 30 anos foram alvo de uma "tentativa de sequestro”, informa a media local.

 De acordo ainda com o portal "Actualite”, citando fontes do Governo, "os autores do ataque tinham como objectivo principal o próprio diplomata italiano”. O ataque ocorreu por volta das 10h00 locais numa área ocupada por diversos grupos armados. A área Leste da RDC, próxima à fronteira com Rwanda e Uganda, é considerada de alto risco para a actuação de grupos humanitários e de direitos humanos. Por isso, a missão da ONU para o país (Monusco) actuava fortemente na área.

Ainda conforme o portal, o atentado "ocorreu próximo a Goma no território Nyiragongo”, onde intervieram as Forças Armadas da RDC e "os guardas do Parque Nacional de Virunga”. Conforme a agência AFP, os dois foram alvos de tiros durante a acção e Attanasio faleceu "em decorrência das feridas sofridas”.

Após a nota oficial do Ministério das Relações Exteriores da Itália, o ministro Luigi Di Maio foi informado sobre o caso enquanto participava de uma reunião da União Europeia. O chanceler "manifestou imensa dor” pelo ocorrido e manifestou-se formalmente durante o encontro europeu, informam fontes. O representante italiano anunciou imediatamente a viagem de regresso a Roma.

 Vítimas: Attanasio tinha 43 anos e entrou na carreira da diplomacia em 2003 na Farnesina, actuou em diversas funções internas, sendo algumas, inclusive voltada para os africanos. Na carreira internacional, foi chefe do Escritório Económico na Embaixada italiana em Berna (2006-2010) e cônsul-geral em Casablanca, no Marrocos (2010-2013).
 Também já foi conselheiro em Abuja, na Nigéria, em 2015, e desde 2017, era o chefe da missão Ninkhasa, na RDC - tendo sido confirmado como embaixador no país em Outubro de 2019.

Reacção do Presidente 

O Presidente italiano, Sérgio Mattarella, denunciou, o "ataque cobarde” que custou a vida ao seu embaixador na República Democrática do Congo, ao soldado italiano Vittorio Iacovacci e ao seu motorista. "A República italiana está de luto por estes servidores do Estado que perderam a vida no exercício das suas funções”, acrescentou Mattarella, lamentando o "acto de violência” perpetrado contra um comboio do PAM no Leste da RDC.

O Exército congolês disse, entretanto, que "as Forças Armadas Congolesas estão a tentar descobrir quem são os agressores”.
A União Europeia já reagiu e está a seguir "de perto”, ao nível de chefes de diplomacia, as "terríveis notícias” do ataque que resultou na morte do embaixador italiano.


Kinshasa acusa
rebeldes rwandeses

O Ministério do Interior congolês acusou os rebeldes hutus rwandeses de estarem por detrás do ataque que  matou o embaixador italiano no Leste da RDC. "Uma caravana do Programa Alimentar Mundial (PAM) foi vítima de um ataque armado por elementos das Forças Democráticas de Libertação do Rwanda (FDLR)" na província do Kivu Norte, afirmou o ministério numa declaração, acrescentando que quatro pessoas foram raptadas na ocasião.

Uma destas quatro pessoas "foi encontrada" pelos soldados do Exército congolês "que continuam a patrulhar a área", acrescentou a declaração.
"Os serviços de segurança e as autoridades provinciais não puderam fornecer quaisquer medidas especiais de segurança à caravana ou ajudá-los devido à falta de informação sobre a sua presença nesta parte do país, que é considerada instável", apontou o Ministério do Interior. As autoridades congolesas adiantam que o embaixador  foi "alvejado no abdómen" e "resgatado pelos guardas do Instituto Congolês para a Conservação da Natureza (ICCN)" no Virunga Park.

Foi então levado para o hospital da Missão das Nações Unidas em Goma, onde sucumbiu aos ferimentos. O Governo congolês lamentou "esta tragédia" e assegurou que "nenhum esforço será poupado para restaurar a segurança" nesta região "alvo de grupos armados nacionais e estrangeiros" apoiados por beneficiários "da exploração ilegal dos recursos naturais".

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