Opinião

Escritores angolanos no Prémio Oceanos 2021

Adriano Mixinge

Escritor e Jornalista

Este é, no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o prémio literário mais importante, depois do Prémio Camões. Ao fim da tarde de ontem soube que dez escritores angolanos concorrem, este ano, ao Prémio Oceanos de Literatura em Língua Portuguesa: Elis Cruz, Djaimilia Pereira de Almeida, José Eduardo Agualusa, Fragata de Morais, Júlio de Almeida, Reinira28, Fernando Kawendimba, Franciso Guita Jr e Kanyanga têm obras suas numa lista de 1.835 livros, que concorrem ao prémio, uma forma prática e activa que ajuda a consolidar o mercado do livro e as literaturas do espaço da lusofonia.

04/05/2021  Última atualização 06H45
O conjunto de obras que, neste ano, foram inscritas pelos autores ou pelos seus editores – cuja lista pode ser consultada no site do prémio - foram publicadas pela primeira vez em português, por autores que residem em dez países diferentes do mundo - Alemanha, Angola, Argentina, Brasil, Cabo Verde, China, Espanha, França, Haiti, Índia, Itália, Moçambique, Peru, Portugal, Rússia, Suíça, Timor-Leste e Venezuela -: todas elasaspiram a ganhar este prémio.

O Prémio Oceanos é relevante não só pelo valor monetário, mas, pelo impulso que dá, com maior ou menor impacto, à carreira de qualquer escritor que resulte entre as cinquenta obras semifinalistas, entre os dez finalistas ou, o que chega a ser decissivo, entre os três primeiros vencedores e evidentemente, sobretudo, ao vencedor do primeiro lugar que embolsa 250 mil reais, que equivalem a mais de 30 milhões de kwanzas. 

Evidentemente, muito gostaríamos que fosse um escritor angolano a ganhar o primeiro lugar do Prémio Oceanos 2021, mas, desde já,seja qual for o veredicto final dos jurados que, na prática, obedecem a um processo complexo em três fases, os que não ganharem o prémio, os que o perderem, podem sempre fazê-lo com a cabeça erguida pelo elevado número de obras, autores, géneros literários que nele participam e, por conseguinte, a concorrência é enorme.

Tendo em conta a pujança das editoras portuguesas e brasileiras, a maior parte dos concorrentes ao Prémio Oceanos 2021 provém delas e um número muito reduzido de editoras de Moçambique e de Angola. Dentre as editoras angolanas destacam-se a Mayamba e a Kacimbo, cada uma delas com livros de dois dos seus autores. Entre os concorrentes angolanos chama a atenção o facto de um assinar com o nickname (Reinira28) e outros autores como o Fernando Kawendimba e Kanyanga, ao que me parece, não serem ainda assim tão conhecidos entre nós. 

Mas, podemos dizer que Elis Cruz com o seu livro "Parece Novela”, Djaimilia Pereira de Almeida com "As Telefones”, José Eduardo Agualusa como "Os Vivos e os Outros”, Fragata de Morais com "Os Ventos ao Sul”, Júlio de Almeida com"O Incesto Real”, Reinira28 com "Com Quem Me Casei?”, Fernando Kawendimba com "Mãe Nossa Que Sóis o Céu”, Franciso Guita Jr com "Da Pele do Rosto” e Kanyanga com "O Garimpeiro de Kamanga” perfazem, no geral, uma presença de amplo espectro pela diversidade de género e perfis que inclui.Entretanto, de um modo geral, os organizadores notaram que a diferença dos anos passados aumentou as edições de autor, porque é possível fazer publicações por pedido através de métodos como a Kindle Direct Publishing (KDP), da Amazon, e o Clube de Autores, que aliados às vendas em plataformas de e-commerce têm sido muio utilizadas durante o período da pandemia da Covid-19. 

Um par de notas finais deve aqui ficar, a saber: a primeira é que, a curadoria desta edição é realizada pela linguista Adelaide Monteiro, de Cabo Verde, a escritora e jornalista Isabel Lucas, de Portugal, e o jornalista Manuel da Costa Pinto, do Brasil, com coordenação da gestora cultural Selma Caetano e o apoio do Itaú Cultural do Brasil, quetambém  é o responsável pela gestão e pela organização do prémio. 

E a segunda é que, para além do patrocínio do Banco Itaú e da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), de Portugal, o Oceanos 2021 passa a contar com a parceria do Instituto Cultural Vale, do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde eo apoio institucional da CPLP.Assim que, se você é editor ou escritor e, neste ano, não se apercebeu da convocatória do Prémio Oceanos 2021, continua a trabalhar para que, no próximo ano, possa fazê-lo e quem sabe ainda um dos autores que publicar ou um dos seus livros ganhe o Prémio Oceanos 2022.

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