Desporto

Estrelas do futebol europeu fintam pandemia no relvado

Honorato Silva

Jornalista

Em seis décadas de história, o Euro, a maior cimeira futebolística de selecções da Europa, a mais prestigiada à escala planetária, depois do Mundial, disputa-se pela primeira vez em 11 cidades de diferentes países, com Portugal, detentor do título, e França, finalista derrotada em casa e campeã do mundo, em destaque entre a concorrência.

11/06/2021  Última atualização 05H00
© Fotografia por: DR
Cancelada o ano passado, face ao impacto devastador da pandemia da Covid-19, a prova mantém a designação "Euro'2020”, apesar de ser disputada em 2021, e coloca em disputa, de 11 de Junho a 11 de Julho, 24 países divididos por seis grupos de quatro equipas, que jogam no sistema de todos contra todos, a uma volta. Os dois primeiros classificados de cada série avançam para a fase seguinte, oitavos-de-final, mais os quatro melhores terceiros.  

A Inglaterra acolhe a competição na cidade de Londres, com o modernizado Estádio do Wembley, um dos recintos míticos do futebol mundial, palco da final, meias-finais, dois jogos dos oitavos e três da fase de grupos, no caso os da Selecção anfitriã, inserida no Grupo D.  
Escolhida em substituição de Dublin, capital da Irlanda, como cidade-sede, São Petersburgo, na Rússia, vai receber seis jogos da primeira fase, dos quais dois da dona da casa, e um dos quartos-de-final. Os estádios estão abertos ao público, com a lotação limitada a 25 por cento da capacidade. 
 

O Olímpico de Baku, Azerbaijão, será o centro das atenções em três jogos da fase de grupos e num dos quartos, à semelhança do Allianz Arena, em Munique, "santuário” da Alemanha, e o Olímpico de Roma, obra emblemática que parece embalar a Itália e a sua Squadra Azzurra, à conquista de um feito de monta, depois da consagração em 2006, na final do Mundial da Alemanha, que marcou a despedida dos campos de Zinedine Zidane, expulso aos 108 minutos do prolongamento, pelo argentino Horacio Elizondo, por agredir Marco Materazzi. 

O Johan Cruijff Arena em Amesterdão (Holanda), a Arena Nacional em Bucareste (Roménia), o Estádio Ferenc Puskas em Budapeste (Hungria), o Estádio Parken em Copenhaga (Dinamarca), o Hampden Park em Glasgow (Escócia) e o Estádio La Cartuja em Sevilha (Espanha), que rendeu o recinto da também cidade espanhola de Bilbao, afastada da organização do torneio, albergam três partidas da primeira fase e uma dos oitavos-de-final. 

Inicialmente previsto para 12 cidades, o "Euro‘2020” decorrerá em 11 sedes, com todos os estádios a acolherem adeptos, mas dentro das limitações impostas pela pandemia. Deste modo, a bola vai rolar em Amesterdão (Holanda), Baku (Azerbaijão), Bucareste (Roménia), Budapeste (Hungria), Copenhaga (Dinamarca), Glasgow (Escócia), Roma (Itália), São Petersburgo (Rússia), Londres (Inglaterra), Munique (Alemanha) e Sevilha (Espanha). 


  LES BLEUS ESBANJAM QUALIDADE  
Potencial para formar três selecções capazes de ganhar   


No capítulo competitivo, os holofotes estão projectados na superavitária França, quanto à qualidade dos seus efectivos, o que leva os denominados "Les Bleus” a serem considerados favoritos incontestados à conquista do troféu perdido em 2016, diante de Portugal, campeão improvável consagrado pelo tento solitário de Éder, para a tristeza dos adeptos anfitriões que lotaram a grande catedral da capital francesa. 

O campeão do mundo esbanja robustez da baliza ao banco de suplentes. Da lista dos 26 jogadores chamados, mais três de modo a acautelar eventuais casos positivos da Covid-19, Didier Deschamps dispõe de fartura em todas as posições, facto que chegou mesmo a motivar uma espécie de troca de gracejos entre o seleccionador e José Mourinho, após o renomado técnico português ter afirmado que a abundância de atletas de excelência permite à França formar três selecções. 

Talvez a sacudir a pressão dos seus pupilos, pois Portugal faz parte do Grupo F, integrado igualmente pela Alemanha e Hungria, Deschamps disse a Mourinho que chegou a pensar o mesmo do plantel do Tottenham, que no entanto ficou distante do pódio em Inglaterra. Porém, à parte as picardias, a verdade mostra que em todas as posições o campeão do mundo de 1998, ao lado de Zidane e Thierry Henry, tem mais de um jogador de topo. Na baliza destacam-se Hugo Lloris (Tottenham), Steve Mandanda (Olympique de Marselha) e Mike Maignan (Lille), atrás de uma fortaleza formada Benjamin Pavard (Bayern de Munique),  Lucas Hernández (Bayern de Munique), Lucas Digne (Everton), Raphaël Varane (Real Madrid), Kurt Zouma (Chelsea), Presnel Kimpembe (Paris Saint-Germain), Clément Lenglet (Barcelona) e Jules Koundé (Sevilla). O meio-campo, a "sala de máquinas”, é liderado por N’Golo Kanté (Chelsea), um dos maiores "desejos de consumo” dos grandes emblemas europeus, apoiado por Paul Pogba (Manchester United), Adrien Rabiot (Juventus), Corentin Tolisso (Bayern de Munique), Moussa Sissoko (Tottenham) e Thomas Lemar (Atlético de Madrid). 

De tanta força disponível, o ataque tem no banco talentos com pergaminhos para serem titulares nas equipas concorrentes. Marcus Thuram (Borussia Mönchengladbach), Kingsley Coman (Bayern de Munique), Kylian Mbappé (Paris Saint-Germain), Antoine Griezmann (Barcelona), Olivier Giroud (Chelsea), Karim Benzema (Real Madrid), Wissam Ben Yedder (Mônaco) e Ousmane Dembélé (Barcelona) são opções ofensivas de Dechamps, que tem o regressado goleador madridista em dúvida para estreia diante da Alemanha, por limitações físicas. 


  TIRAR LIÇÕES DA RESILIÊNCIA  

Campeões jogam embalados pelos bravos heróis do mar  


Portugal chega ao "Euro ‘2020”, prova a ser disputada de forma itinerante, por passar por 11 cidades de países diferentes, com o estatuto de campeão, mas sem a possibilidade de esconder a força que tem, como em 2016, em França, porque a concorrência já sabe como proceder para contrariar a equipa de Fernando Santos. 

A inspiração dos detentores do título vem da bravura dos heróis do mar, no apelo ao nobre povo e à nação valente, imortal, mensagem destacada no Hino da República. É assim que Cristiano Ronaldo, hoje com menos vigor físico, entretanto, mais experiente na zona de finalização, assume a liderança em campo da equipa das Quinas, reforçada pelo poder inventivo de João Félix, a estrela projectada para o futuro. 

E a prova à capacidade portuguesa de lutar pela defesa do troféu será feita ainda na primeira fase. Resistir à força competitiva das favoritas França e Alemanha, sem perder de vista o desejo de surpreender da Hungria, que à partida se afigura um estorvo à passagem dos portugueses como um dos quatro melhores terceiros, caso falhe o alcance de um dos dois primeiros lugares.  

Entre os eleitos de Fernando Santos são destaque os guarda-redes Anthony Lopes (Lyon) e Rui Patrício (Wolverhampton), os defesas João Cancelo (Manchester City), José Fonte (Lille), Pepe (Porto), Rúben Dias (Manchester City) e Raphaël Guerreiro (Dortmund), os médios Danilo Pereira (Paris Saint Germain), Bruno Fernandes (Manchester United), Renato Sanches (Lille), Sérgio Oliveira (FC Porto) e William Carvalho (Bétis), bem como os avançados Bernardo Silva (Manchester City), Cristiano Ronaldo (Juventus), Diogo Jota (Liverpool) e João Félix (Atlético de Madrid). 

 
Peso do ranking 

Apontada de forma recorrente como favorita à vitória nos grandes torneios, a Bélgica liderada pelo espanhol Roberto Martinez apresenta nas credenciais, além do futebol apelativo e eficaz, assim atestam os resultados, o estatuto de líder do "ranking” da FIFA, força classificativa a ser provada em campo.  

Um dos melhores guarda-redes do mundo, Thibaut Courtois (Real Madrid) garante segurança entre os postes, protegido por uma cortina defensiva formada por Toby Alderweireld (Tottenham), Dedrick Boyata (Hertha Berlin), Jason Denayer (Lyon), Jan Vertonghen (Benfica) e Thomas Vermaelen (Vissel Kobe).  

Na zona intermédia, as referências são Timothy Catagne (Leicester), Yannick Carrasco (Atlético de Madrid), Kevin De Bruyne (Manchester City), Thorghan Hazard (Borussia Dortmund), Thomas Meunier (Borussia Dortmund) e Dennis Praet (Leicester), ao passo que no ataque a passarela da fama é estendida para Mitchy Batshuayi (Crystal Palace), Christian Benteke (Crystal Palace), Eden Hazard (Real Madrid), Romelu Lukaku (Inter de Milão) e Dries Mertens (Napoli). 

 
Fraqueza na renovação 

A Alemanha tem tradição de conquista das provas europeias e mundiais. Todavia, os tempos subsequentes ao brilharete assinado no Campeonato do Mundo no Brasil, em 2014, foram pouco risonhos para a Mannschaften, muito por força do processo de renovação levado a cabo por Joachim Low, técnico em final de ciclo.  

Os alemães concentram maior experiência na baliza, com a presença de Bernd Leno (Arsenal), Manuel Neuer (Bayern de Munique) e Kevin Trapp (Eintracht Frankfurt) na lista dos convocados. Na defesa, Antonio Rüdiger (Chelsea), Mats Hummels (Borussia Dortmund), Mathias Ginter (Borussia Mönchengladbach), Niklas Süle (Bayern de Munique) e Christian Günter (Freiburg) são as jóias da coroa. 

Joshua Kimmich, Serge Gnabry, Leon Goretzka, Thomas Müller, Leroy Sané e Jamal Musiala (Bayern de Munique), Emre Can (Borussia Dortmund), Timo Werner (Chelsea), Toni Kroos (Real Madrid), Ilkay Gündogan (Manchester City) e Kevin Volland (Monaco) podem fazer a bola rolar no meio campo e no ataque.  

A Inglaterra, antiga promessa cuja afirmação tarda a chegar, forma com a ressurgida Holanda uma segunda linha de selecções com arcaboiço para chegar ao pódio. A Itália de Roberto Mancini, que conta com os muitos quilómetros de relva percorridos pelo experiente defesa Giorgio Chielini, o faro de golo de Ciro Immobile e o talento de Moise Kean, avançado oriundo da Costa do Marfim, quer voltar a ser a Squadra Azzurra conquistadora.  

Suíça, Turquia, País de Gales, Dinamarca, Finlândia, Rússia, Áustria, Macedónia, Ucrânia, Croácia, República Tcheca, Escócia, Polónia, Eslováquia, Suécia e Hungria vão lutar por um lugar na segunda fase da competição.  


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