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Etiópia reivindica a morte de três antigos ministros

O Governo da Etiópia anunciou, ontem, que matou três antigos ministros membros da Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF), incluindo o antigo chefe da diplomacia, durante quase 20 anos, Seyoum Mesfin.

16/01/2021  Última atualização 18H36
Primeiro-Ministro, Abiy Ahmed, anunciou o fim da ofensiva © Fotografia por: DR
De acordo com um comunicado citado pela AFP, entre os mortos numa "troca de tiros” no âmbito da operação lançada, em Novembro, estão o antigo ministro dos Assuntos Federais Abay Tsehaye e o antigo líder do grupo parlamentar do TPLF, Asmelash Woldeselassie.
Os três homens foram mortos "num tiroteio entre as forças da autoridade e a sua segurança pessoal criminosa”, depois de se terem "recusado a render-se”, acrescenta-se no comunicado.

Em 28 de Novembro, após a tomada do controlo militar da capital regional Mekele pelas tropas federais, o Primeiro-Ministro etíope, Abiy Ahmed, anunciou o fim da ofensiva armada contra a região, o que é negado pela Organização das Nações Unidas.

O conflito começou a 4 de Novembro, depois de o Governo ter decidido lançar uma operação militar contra a TPLF, o partido que governa a região, alegadamente em retaliação a um ataque das forças regionais contra uma base do Exército Federal naquele território. Entretanto, a Comissão Etíope de Direitos Humanos disse, ontem, que mais de 80 civis morreram no último ataque numa área do Oeste da Etiópia, na região de Benishangul-Gumuz, mais concretamente em Metekel.

Trata-se da mesma região onde centenas de civis foram mortos por agressores usando armas, facas e outras armas em sucessivos ataques que começaram em Setembro.  
O Primeiro-Ministro, Abiy Ahmed, tem lutado para impor a ordem em Metekel ou explicar o que está a impulsionar a violência, apesar de ter visitado a área, em Dezembro, e delegar poderes a um posto de comando para assumir a segurança.

Não há nenhuma ligação conhecida entre a violência e as operações militares na região de Tigray. Este último ataque em Metekel ocorreu, na terça-feira, com vítimas entre os 2 e os 45 anos de idade.
Ainda ontem, o Alto Comissário da ONU para os Refugiados declarou-se ontem "extremamente preocupado” com a situação dos eritréus refugiados na Etiópia e as vítimas colaterais do conflito entre o Governo Federal e a região do Tigray.

"Estou extremamente preocupado com a segurança e o bem-estar dos refugiados eritréus”, escreve Filippo Grandi num comunicado, a que a Reuters teve acesso.
O mesmo responsável acrescenta que, apesar dos repetidos pedidos, nem a ONU, nem outras organizações de ajuda tiveram acesso aos dois campos de refugiados desde o início da operação militar na região, no início de Novembro.
O escritório da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) já expressou no final de 2020 a sua preocupação com os aproximadamente 96 mil refugiados eritréus que permanecem na Etiópia.

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