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EUA exigem investigação imparcial sobre as eleições

Os Estados Unidos estão a exigir uma “investigação independente, imparcial, confiável e completa” das eleições de 14 de Janeiro no Uganda, que dizem ter sido marcadas por irregularidades e abusos por parte das forças de segurança contra candidatos da oposição.

01/03/2021  Última atualização 20H07
Robert Kyangulanyi (Bob Wine à esquerda), insiste que houve irregularidades nas eleições © Fotografia por: DR
Segundo a Reuters, ontem, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, disse que irá considerar "uma série de opções específicas” para garantir que os membros das forças de segurança do Uganda sejam responsabilizados pelas acções quando o país foi às urnas a 14 de Janeiro.
"As eleições no Uganda fo-ram marcadas por irregularidades e abusos por parte dos serviços de segurança do Go-verno contra candidatos da oposição e membros da sociedade civil ’’, disse Price.

Robert Kyagulanyi, mais conhecido como Bobi Wine, o principal opositor do Presidente do Uganda, Yoweri Museveni, usou o Twitter para expressar a sua gratidão aos Estados Unidos por "não ficarem calados sobre as eleições mais fraudulentas da história de nosso país”.
Ontem, o candidato da oposição mais votado nas últimas eleições presidenciais no Uganda anunciou que vai retirar uma queixa que visava anular a vitória do Presidente Yoweri Museveni nas eleições de 14 de Janeiro, refere a Associeted Press (AP).

Robert Kyagulanyi Ssentamu, nome verdadeiro do deputado e antigo músico Bobi Wine, referiu que deu instruções aos seus advogados para iniciarem o processo de retirada da petição, apesar do Supremo Tribunal do Uganda se preparar para começar a ouvir as provas, depois de receber declarações sob juramento relativas ao caso. "Decidimos retirar o caso do (Supremo) Tribunal e de-volvê-lo ao tribunal do povo”, afirmou Kyagulanyi Ssentam, em declarações numa língua local do país.
O opositor acusou os tribunais do Uganda de estarem cheios de "homens-sim” nomeados por Museveni e de não esperar uma decisão justa por parte do painel de nove juízes.

O deputado disse ainda que, em breve, informará aos seus apoiantes sobre os seus próximos passos. Na semana passada, Kyagulanyi Ssentamu exigiu que, pelo menos, três juízes pedissem escusa na apreciação do caso, com o argumento de que estariam comprometidos por laços com Museveni.

 
Supremo Tribunal
Contesta acusações

O presidente do Supremo Tribunal ugandês, Alphonse Owiny-Dollo, contestou, na semana passada, a acusação de Bobin Wine, afirmando que tinha havido uma tentativa de "chantagem” ao Tribunal.
Não é ainda claro como irá o poder judicial responder à decisão de Bobi Wine retirar o caso de impugnação das eleições. Os advogados de Museveni advertiram já que o político não poderia retirar o caso sem enfrentar consequências. "Se ele optar por esse caminho, estamos prontos”, avisou Oscar Kihika, advogado do Presidente Yoweri Museveni, em declarações ao jornal local, "New Vision”, citadas pela agência Associated Press, referindo-se a uma eventual punição que o tribunal po-derá determinar.

Museveni foi declarado vencedor das eleições com 58 por cento dos votos, contra 35 por cento de Bobi Wine. O político considerou os resultados fraudulentos, e alegou estar em posse de provas de que soldados encheram urnas, votaram em nome de pessoas e afastaram eleitores das mesas de voto.
Bobi Wine começou por dizer que não queria lançar um desafio legal porque a perda num tribunal validaria a vitória de Museveni. Hoje foi um pouco mais longe e afirmou que tinha deixado de confiar que este Supremo fosse um "Tribunal justo”, depois de ter decidido rejeitar dezenas de declarações juramentadas, alegadamente apresentadas depois de um prazo limite.

Yoweri Museveni venceu já outras impugnações legais às suas vitórias eleitorais, e vários analistas haviam já previsto que seria pouco provável que os juízes decidissem contra o Chefe de Estado.
O Presidente Museveni rejeitou as alegações de fraude eleitoral, considerando estas presidenciais  de serem "as mais isentas de fraude” desde a independência da antiga colónia britânica em 1962.

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