Sociedade

“Executivo não vai abrir mão das vacinas a favor das clínicas privadas”

A ministra da Saúde garantiu ontem, em Luanda, que, numa primeira fase, o Executivo vai assegurar a compra, controlo e administração das vacinas e “não vai abrir mão às clínicas privadas”.

07/03/2021  Última atualização 11H05
Acto de vacinação dos profissionais de saúde, é necessário cumprir com vários regulamentos © Fotografia por: DR
Sílvia Lutucuta, que falava durante o acto de vacinação dos profissionais de saúde, esclareceu que é necessário cumprir com vários regulamentos para a administração da vacina contra a Covid-19.
"Também há a necessidade de se monitorar a eficácia e os efeitos colaterais da vacina. Por isso, numa primeira fase, não podemos abrir mão das vacinas aos privados”, aclarou.

Para o efeito, disse, existe a Direcção Nacional de Controlo de Medicamentos, que faz a certificação e verificação da qualidade, em linha com organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Profissionais de saúde inscritos

Até ontem, nove mil profissionais de saúde estavam inscritos em Luanda para o início da campanha de vacinação, que prevê imunizar, diariamente, até seis mil pessoas.
A ministra da Saúde reiterou que as inscrições estão a ser feitas mediante uma plataforma electrónica e os hospitais estão mobilizados para o efeito. A previsão, disse, é concluir, em uma semana, o processo de vacinação dos profissionais de saúde em Luanda.
Sílvia Lutucuta disse que a vacina da AstraZeneca, que está a ser administrada, garante boa imunidade. "A vacina salva vidas, é segura e eficaz”, afirmou, frisando que os profissionais de saúde, por estarem expostos ao risco de contágio, precisam estar protegidos.

Depois dos profissionais de saúde, serão imunizadas as pessoas idosas, doentes crónicos com insuficiência renal, sobretudo, aqueles sob controlo das autoridades sanitárias.
A governante precisou que para o efeito serão colocadas equipas móveis de vacinação nos centros de hemodiálise. "São também prioritários, nesta fase, os polícias e outros profissionais expostos diariamente ao risco”, disse.
Hoje, a Comissão Multissectorial de Prevenção e Combate à Covid-19 vai dar continuidade ao processo de vacinação no Centro Cultural Paz Flor, em Luanda. A ideia é criar outros postos de vacinação, além das equipas móveis, para imunizar os profissionais colocados nos centros de tratamento e laboratórios.
De acordo com a ministra da Saúde, depois de Luanda, seguir-se-ão as províncias de Benguela e Cabinda, por possuírem um número elevado de casos activos de Covid-19.

Tranquilidade e satisfação

O director da Clínica Multiperfil, Belmiro Rosa, 68 anos, foi um dos primeiros médicos a ser vacinado. Em declarações à imprensa, disse que o processo foi "normal e tranquilo”.
Esclareceu que todas as vacinas quando são administradas, dependendo do organismo de cada um, provocam sempre uma reacção, como dor no corpo, dores de cabeça e febres ligeiras. "Mas não é preocupante, porque é próprio da reacção à vacina”, assegurou, acrescentando que gostou da forma como foi atendido. "Os técnicos estão a cumprir com rigor todos os pormenores e dão todas as explicações possíveis”, disse.
O director do Hospital Sanatório de Luanda, Carlos Alberto Masseca, manifestou o sentimento de "dever cumprido” por ter recebido a vacina contra a Covid-19. "Como médico, receber esta vacina constitui uma obrigação diante dos utentes e da minha família”, sublinhou.

Por isso, exortou outros profissionais de saúde a seguirem o mesmo exemplo, inscrevendo-se para serem vacinados, no sentido de cortar a cadeia de transmissão da pandemia no país.
Por seu turno, o enfermeiro anestesista da Clínica Luanda Medical Center, Alfredo Cruz, considerou "necessário e urgente” o início do processo de vacinação contra a Covid-19 no país. "O meio mais seguro para acabar com a Covid-19 é a vacina”, afirmou.

A técnica de Recursos Humanos da Clínica Multiperfil, Eunice Miguel, considerou "rápido e prático” o processo de vacinação e manifestou satisfação por ter recebido o imunizante da AstraZeneca.
"Embora esteja um pouco apreensiva com possíveis efeitos colaterais, a vacina é, até à data, é o método mais eficaz para travar a pandemia”, disse, apelando os colegas a aderirem ao processo em curso.
O Governo prevê vacinar cerca de 17 milhões de angolanos em duas etapas. Numa primeira fase, serão priorizados os cidadãos com 40 anos ou mais. Até final de Julho, o país conta receber 12,8 milhões de doses de vacinas.

  29 INFECÇÕES EM 24 HORAS
Número de mortes sobe para 512


O total de mortes de Covid-19 no país subiu, ontem, para 512, com a notificação de mais um óbito, em Luanda, cuja vítima é uma mulher de 75 anos.
Dados do Boletim Informativo da Direcção Nacional de Saúde Pública dão conta do registo de 29 novos casos positivos, 22 em Luanda, cinco no Huambo, enquanto Malanje e Cabinda registaram cada um caso.
Os infectados têm idades entre dois meses e 84 anos. Do total de infecções, 15 são do sexo masculino e 14 feminino. Ainda ontem, 16 pessoas foram recuperadas da Covid-19.

Por outro lado, os laboratórios realizaram 915 testes de RT-PCR, contabilizando, nesta altura, 402.283 amostras processadas, cuja taxa de positividade indica para 5,2 por cento.
Angola contabiliza, desde Março do ano passado, 21.055 casos confirmados da doença, dos quais 19.640 recuperados, 512 óbitos e 903 activos. Dos activos, dois são críticos, 11 graves, 37 moderados, 18 leves e 835 assintomáticos. Estão internados nas unidades de saúde 61 doentes.
Ontem, também foram realizados 1.449 testes rápidos serológicos nos pontos de fronteira. Deste número, 1. 052 são do sexo masculino e 397 feminino. Do total, 146 foram reactivos, sendo 120 a IGG, 10 a IGM e 16 a IGG/IGM. Os 146 casos reactivos foram submetidos ao teste rápido antígeno, mas todos foram negativos.

Xavier António

Jornalista

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