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Foco nas Afrotaças coloca Sagrada na rota do título

Ao dimensionar o plantel comandado tecnicamente por Roque Sapiri, às exigências das Afrotaças, a direcção de José Muacabalo colocou o Sagrada Esperança na rota dos clubes que abordam de forma assumida a conquista do título do Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão, Girabola.

04/05/2021  Última atualização 05H05
Equipa diamantífera perdeu na ronda frente ao Sporting © Fotografia por: António Soares| Edições Novembro/Cabinda
A conclusão da primeira volta com números de candidato prova que a desistência da eliminatória da fase de grupos da Taça Nelson Mandela, depois da derrota (0-1), diante dos sul-africanos do Orlando Pirates, foi uma decisão avisada do elenco directivo do clube diamantífero, preocupado com os riscos de propagação da Covid-19, ao contrário da ideia de "fuga para frente”, por incapacidade de anular a desvantagem no terreno do adversário. 

Sem incluir no balanço do desempenho parcial dos lundas, os proventos saídos do expediente administrativo que transformou a derrota (0-1) em campo, frente ao Ferrovia do Huambo, em vitória na secretaria, na sequência do protesto do Wiliete de Benguela, por alegada utilização irregular de Vinguma, a agremiação da cidade do Dundo atingiu os dígitos habituais dos mais capazes, nomeadamente os arqui-rivais 1• de Agosto e Petro de Luanda. 

Safra que obriga o recuo a 2005, ano em que o emblema do Leste de Angola superou a concorrência, sob a batuta de Mário Calado, apoiado num grupo combativo, cujas referências eram Sena, Lebo Lebo, N’suka, Santana Carlos, Chinho (falecido) e o actual treinador. Francisco Moniz "Frank”, símbolo dos diamantíferos, foi preponderante como adjunto.

 
Melhor safra em seis anos

Nas últimas seis edições da prova, sendo que a anterior foi cancelada devido à pandemia, apenas os 29 pontos, quinto lugar com 65% de eficácia, na primeira volta do Girabola de 2017, são dignos de comparação com os 32 e 71% de aproveitamento, que deram suporte ao segundo posto transformado às pressas, nos corredores da Federação, em primeiro lugar invicto, 35 pontos.  

No entanto, as "cormobilidades administrativas” do órgão reitor da modalidade, há meio ano sem direcção, por força dos processos em curso nos tribunais, estão longe de manchar o percurso assinalável do Sagrada Esperança, sobretudo pela forma ousada como aborda os adversários, inclusive os dois colossos. Em 2016 o pecúlio dos lundas foi de 22 pontos, em sexto lugar, com 49% de eficácia, 2018 (15 pts, 9º, 36%), 2018/19 (19 pts, 5º, 42%) e 2019/20 (20 pts, 6º, 48%). 

Ausente da prova em 2016, por ter descido de divisão, o FC Bravos do Maquis reforça a prometedora prestação dos embaixadores do Leste, com os robustos 31 pontos, quarto lugar e 69% de eficácia, apesar dos sinais de esmorecimento dados pelos dois empates consecutivos, que muito provavelmente levarão o presidente Augusto Quitadica "Docas” a descer ao balneário, segundo conversas nos meandros da competição.

Para proteger os jogadores da pressão, Zeca Amaral, único treinador campeão em actividade no Girabola, recusa de forma reiterada a atribuição do estatuto de candidatos aos maquisardes, por falta de recursos humanos e materiais no plantel, tese contrariada pelos resultados e os apoios financeiros arregimentados, tendo em vista a participação nas provas continentais.  Em 2017 a equipa do Moxico fez, no primeiro turno, 18 pontos, 9º lugar, 40% de aproveitamento, 2018 (16 pts, 8º, 38%, apenas 15 jogos, face à desistência do JGM do Huambo), 2018/19 (17 pts, 9º, 38%) e 2019/20 (19 pts, 7º, 45%, o 1º de Maio de Benguela acabou desclassificado). 


Dominador em campo
Condicionado pela Covid-19 na corrida às fases de grupo da Liga dos Clubes Campeões e da Taça da Confederação, o 1º de Agosto apresentou o melhor desempenho dentro das quatro linhas. Mesmo com a quebra da eficácia, os militares liderados por Paulo Duarte somaram 33 pontos, no comando, num aproveitamento de 73%, contra os 35 pts, 1º, 78% de 2016; 2017 (33 pts, 2º, 73%), 2018 (31 pts, 1º, 74%), 2019 (33 pts, 1º, 73%) e 2019/20 (34 pts, 2º, 81%). 

Ainda à procura da reabilitação de um período de menor fulgor, que ditou a saída do espanhol Antonio Cosano, para a entrada do angolano Mateus Agostinho "Bodunha”, o Petro de Luanda somou 31 pontos, no terceiro lugar, 69%. Em 2016 os números foram 27 pts, também terceiro, 60%, 2017 (34 pts, 1º, 76%), 2018 (27 pts, 2º, 64%), 2018/19 (31 pts, 2º, 69%) e 2019/20 (35 pts, 1º, 83%). 

Estruturado para ser um dos grandes, o Interclube, campeão em 2007 e 2010, tem ficado por "promessas eleitorais” de início de época, com os frequentes anúncios de candidatura gorada antes de terminar a primeira volta. Os polícias totalizaram 25 pontos, no quinto posto, 56%, à semelhança de 2016, enquanto em 2017 atingiram 21 pts, 8º, 47%, 2018 (26 pts, 3º, 62%), 2018/19 (17 pts, 8º, 38%) e 2019/20 (17 pts, 9º, 40%).

Honorato Silva e Dinho Soares 

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