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França, Alemanha e Ucrânia discutem escalada de tensão com Rússia

Os presidentes francês, Emmanuel Macron, ucraniano, Volodymyr Zelensky, e a chanceler alemã, Angela Merkel, debatem na sexta-feira os riscos de escalada de um conflito causados pela concentração de militares russos na fronteira com a Ucrânia, anunciou esta quinta-feira o Eliseu.

15/04/2021  Última atualização 18H59
© Fotografia por: DR
Volodymyr Zelensky, que realiza na sexta-feira uma visita oficial a Paris, "será recebido para o almoço pelo Presidente Macron" e, depois do almoço, farão uma videoconferência com [Angela] Merkel, disse a presidência francesa.

A França e a Alemanha fazem parte, em conjunto com a Rússia e a Ucrânia, das negociações do chamado formato da Normandia (os representantes destes quatro países encontraram-se informalmente durante a celebração do Dia D, em 2014 na Normandia) para tentar acabar com o conflito armado desencadeado, há sete anos, no leste da Ucrânia.

A Ucrânia alertou recentemente a comunidade internacional para o aumento da presença militar russa perto da sua fronteira e na Crimeia e para o aumento das violações do cessar-fogo na área de Donbass [leste], onde o exército ucraniano e os separatistas pró-russos lutam desde 2014.

"O nosso trabalho, o nosso objectivo e a nossa convicção visam diminuir a tensão. É isso que estamos à procura", explicaram fontes do Eliseu, citadas pela agência francesa de notícias AFP, sobre o papel mediador de Paris e de Berlim.

A visita de Zelensky a Paris foi agendada "há várias semanas", mas a sua chegada coincide precisamente com um aumento das tensões.

Em Dezembro de 2019, Macron reuniu-se com os membros do formato da Normandia, tendo os quatro organizado um calendário específico para avançar com o cumprimento dos Acordos de Paz de Minsk.

O reforço do cessar-fogo - em vigor desde 2015, mas continuamente violado - foi um dos pontos acordados e entrou em vigor em Julho do ano passado.

A reunião desta sexta-feira irá tratar da manutenção desse cessar-fogo e colocar em debate "a forma como se pode ir mais longe para virar a página dessa guerra e chegar a um acordo político", acrescentaram as mesmas fontes.

Apesar do momento de crescente tensão entre a Rússia e a Ucrânia, Paris garantiu ainda que a visita de Zelensky não tem como objectivo pedir ajuda à França.

"Temos muito respeito pela soberania ucraniana. Não consideramos que [o Presidente ucraniano] venha à procura de apoio. Vem para ver o seu homólogo", referiram.

Ainda assim, as fontes da AFP admitiram que a soberania ucraniana "está ameaçada" e lembraram, a título de exemplo, que a Rússia anexou ilegalmente a Crimeia em Março de 2014, após um referendo em que prevaleceu a vontade da população de língua russa da península.

"É por isso que todos os esforços que realizamos são a favor da soberania ucraniana", concluíram.

O conflito não será o único ponto na agenda de sexta-feira. Macron e Zelensky falarão também sobre questões de interesse bilateral, nomeadamente em matéria económica, e sobre as relações de Kiev com a União Europeia.

O chefe da diplomacia ucraniana acusou hoje a Rússia de ameaçar "abertamente" a Ucrânia ao reforçar o número de militares presentes junto da fronteira.  

Em conferência de imprensa, Dmytro Kouleba garantiu que "se a Rússia violar a 'linha vermelha' [as fronteiras] vai sofrer" e apelou ao Ocidente para aplicar novas sanções a Moscovo.

A Rússia colocou, nas últimas semanas, dezenas de milhares de militares junto à fronteira com a Ucrânia e na península da Crimeia, alegando estar a realizar "exercícios militares" em resposta às ameaças da NATO, sublinhando que não aceita as intenções de Kiev de integrar a organização militar liderar pelos Estados Unidos.

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