Opinião

Futebol em desnorte

Matias Adriano

Jornalista

Houve, ao princípio da presente semana, um estardalhaço daqueles, que chegou a ocupar espaço na agenda noticiosa.

12/03/2021  Última atualização 16H12
A praça desportiva foi sacudida com a notícia segundo a qual não havia condição financeira que permitisse os Palancas Negras realizarem os dois jogos, em falta, para o fecho do torneio que apura para o CAN ‘2022 nos Camarões.
Era, sem quaisquer equívocos, a primeira vez que tal entaladela acontecia. Pois, o comum foi  faltar dinheiro, o que também ocorreu poucas vezes, para estágios fora do país em véspera de determinado compromisso competitivo, e nunca para despesas de deslocação ao reduto do adversário.

É evidente que, com o mundo de cócoras, em função dos efeitos da Covid-19, situação que leva as mais robustas economias ao colapso, determinadas instituições resvalem para um condicionamento financeiro. Ainda assim, faz alguma espécie que a Federação Angolana de Futebol  chegue a este extremo, quando é sabido que os jogos qualificativos obedecem a um calendário inviolável.
Mas também é verdade que o actual estado em que se encontra o órgão máximo do nosso futebol, sem uma direcção legalizada, e sem uma Comissão de Gestão, que faça a vez, a situação de falência pode não dar azo para  inquietações, sendo o normal que pode ocorrer a uma instituição desgovernada.

Porém, a  intervenção do Ministério da Juventude e Desportos, comunicada na pessoa do seu secretário de Estado, Carlos Almeida, surge como uma lufada de ar fresco, quanto mais não seja para livrar o país de um vexame, que se previa iminente. Afinal, a não realização de jogos programados pela Confederação Africana de Futebol, regra comum, acarreta as suas consequências, que beliscam a honra.
De todo modo, este imbróglio deve despertar-nos para a necessidade de se pôr ordem no circo. Quem de direito não pode infundir a sensação de viver alguma crise de autoridade. De resto, é este o entendimento com que se fica, se se olhar para a margem de tempo que vai da realização de eleições na FAF aos dias de hoje, sem que se vislumbrem esforços para a normalização da situação.

Se há uma direcção eleita, e não investida, algo devia ser feito em tempo útil, para que o órgão tivesse um comando. Não tendo sido criada nenhuma Comissão de Gestão, quem será o interlocutor válido do Minjud na FAF? A direcção eleita e não empossada? Funcionando na ilegalidade terá esta direcção ânimo para arrepiar caminhos em busca de apoios para as selecções?
Em síntese, não se sabe, em concreto, que rumo se pretende dar ao futebol nacional. "Está tudo à toa”, parafraseando um certo radialista da nossa praça. A começar pelo Girabola até às selecções é tudo um cenário de incertezas. Quando se permite, por exemplo, que no Campeonato Nacional uma equipa candidata ao título, faça todos os seus jogos em função dos resultados do seu concorrente é o cúmulo...

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