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General bósnio apanha dez anos de prisão

Um antigo general das forças muçulmanas da Bósnia foi ontem condenado a dez anos de prisão por crimes cometidos pelos 'jihadistas' estrangeiros durante a guerra civil na década de 1990.

23/01/2021  Última atualização 18H59
Sakib Mahmuljin culpado pela morte de prisioneiros de guerra © Fotografia por: DR
Sakib Mahmuljin, 68 anos, e na qualidade de responsável hierárquico, foi reconhecido culpado por um tribunal de Sarajevo pela morte de mais de 50 prisioneiros de guerra sérvios na região de Vozuca e Zavidovici, Nordeste do país.
Os crimes foram cometidos pela unidade El Mudjahid, constituída por centenas de 'jihadistas' provenientes de países africanos, do Médio Oriente e de alguns países ocidentais.

A unidade também integrava muçulmanos bósnios e integrava o 3º Corpo da Armija, o Exército muçulmano bósnio, comandado por Sakib Mahmuljin.
O acusado "não evitou (...) que fossem cometidos estes crimes de morte e de tratamentos inumanos” e em "assegurar que os autores desses crimes fossem punidos”, indica um comunicado do tribunal. Na sua qualidade de comandante, foi ainda reconhecido culpado de torturas a diversos civis, feridos e prisioneiros de guerra. A decisão constitui uma das raras condenações a antigos altos responsáveis militares das forças bosníacas (muçulmanas) por crimes cometidos durante o conflito inter-étnico (1992-1995).

De acordo com o procurador, estes factos ocorreram entre Julho e Outubro de 1995, na sequência de duas ofensivas das forças bosníacas, em particular após a detenção em 11 de Setembro de 1995 de 63 soldados das forças sérvias bósnias e três civis.
A identidade dos 'jihadistas' não foi divulgada.

A defesa do acusado argumentou que Sakib Mahmuljin "não possuía controlo efectivo sobre a unidade”. O veredicto é susceptível de apelo.
A unidade El Mudjahid adquiriu uma sinistra reputação devido aos abusos cometidos contra prisioneiros de guerra sérvios da Bósnia e ainda croatas, antes da aliança militar croato-muçulmana.
A guerra na Bósnia-Herzegovina provocou cerca de 100 mil mortos e dois milhões de refugiados e deslocados, perto de metade da população bósnia nessa época.




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