Entrevista

Hugo Teles:“Não fecho a porta a que hajam fusões nos bancos”

O Banco BIC mantém liquidez necessária para apoiar o Estado e a economia real, apesar de prever uma significativa queda dos resultados este ano.

04/06/2021  Última atualização 06H05
© Fotografia por: Francisco Bernardo | edições Novembro | Arquivo
Quais os indicadores do Banco BIC, passados 16 anos desde a sua criação?


O Banco BIC é um operador de referência em Angola. Temos a maior rede privada de agências a nível do país e estamos presentes em 102 municípios. O objectivo da instituição sempre foi ser o motor da economia. Esse é um papel essencial que os bancos têm e devem ter. A estratégia de crescimento não está fácil, pois a economia está numa fase lenta do seu desenvolvimento. Logo, estamos à espera de tempos melhores.


O que os bancos estão a fazer para mudar este quadro?


Os bancos, tal como todas as empresas, têm feito um esforço para tentar ultrapassar esta situação com menos danos possíveis. Não escondo que é triste ver muitas empresas a fechar ou a dispensar muita gente. É o que temos assistido no último ano e meio. A maioria das empresas não está a passar por uma boa situação. Há sempre algumas empresas que crescem durante a crise, mas não é o caso dos bancos, que perderam muitos depósitos. Este ano vai ocorrer o que há muito não se via: vários bancos vão dar prejuízos e os que davam muito lucro, este ano, provavelmente, darão muito menos. Diria que os lucros dos bancos vão cair aos trambolhões. É normal que assim seja. Os depósitos caíram muito. Havendo pouco negócio na economia, também não é fácil crescer, ou seja, os bancos, hoje em dia, tentam, por um lado, segurar ou ajudar as empresas a ultrapassar esta crise e, por outro, estão a fazer um esforço no sentido de apoiar as empresas para que comecem a produzir localmente.


É também esta a realidade do Banco BIC?


Nós continuamos a ter a necessidade de começar a fazer funcionar a pequena indústria ou até mesmo a grande indústria. Refiro-me à grande indústria no sentido de perceber o que é que se importa ainda em grande quantidade e tentar produzir localmente. Há muita coisa que podemos perfeitamente produzir com qualidade e com preços que permitam fazer face aos praticados pelos importadores. O objectivo dos bancos, hoje em dia, é fazer as empresas crescer no interior, e creio que também seja este um dos objectivos do Estado. Provavelmente, não pode ser tudo em Luanda, e o que vemos é que começa haver projectos que têm pernas para andar. O objectivo é que sejam viáveis no futuro e consigam trabalhar.


Que impacto tem tudo isso na evolução da carteira de negócios do banco?


O banco sempre esteve virado para as empresas. Nós chamávamos antigamente o Banco BIC de o banco dos comerciantes. Somos uma instituição de retalho que também ajuda as empresas a investirem. Neste momento, o banco tem uma carteira de cerca 60 por cento de crédito sob forma de Obrigações do Tesouro. O restante é credito a particulares e a empresas. Penso que somos o banco mais contra-corrente neste caso, pois a maioria dos bancos tem os depósitos (80 por cento) aplicado em Obrigações do Tesouro e só cerca de 20 atribuídos a particulares e a empresas. Eu diria que, se calhar, é uma boa estratégia por parte de alguns bancos.


Se assim é, porquê não o fazem também?


Nós preferimos continuar a apoiar os particulares e as empresas porque, de contrário, as coisas não avançam e será mais difícil haver lucros e crescimento por parte dos empresários. Os privados têm mesmo de crescer e o Estado tem vindo a dar um empurrão para que haja incentivos para o tal crescimento esperado. É por aí que as coisas têm que ir, isso a nível da carteira de crédito. Quanto à carteia de depósitos, continuamos a ser o quarto banco. Se calhar, neste momento, o quinto em crédito, e devemos ser o segundo ou terceiro a nível de toda banca.


Qual é a maior taxa de crescimento alcançada?


Posso afirmar que para os bancos, nos últimos dois anos, a taxa de crescimento foi negativa sempre. Os bancos têm diminuído o seu crescimento. Já tivemos cerca de sete mil milhões de kwanzas em depósitos há quatro ou cinco anos. Neste momento, temos 2,5 ou três. Isto é geral a toda a banca. Se analisarmos, os depósitos dos bancos caíram todos aos trambolhões, também, por força da desaceleração da economia. Esta situação é um mal que vem para bem. Primeiro, porque o preço do petróleo, felizmente, continua a dar indícios de recuperar, mas penso que isso não deva ser o mote para se parar de fazer as coisas, pelo contrário, se calhar vem um balão de ar puro para que a economia, por forma que as coisas não estejam tão apertadas, concretamente para o Ministério das Finanças. Em segundo lugar, com tudo isso, conseguirmos ter bases mais sólidas para apoiar um crescimento futuro de todo tipo de empresas, seja o Estado ou as empresas privadas com foco na produção local. Penso que isto é o mais importante.


A situação económica agravou os custos operacionais e potencialmente os lucros. Como isso se repercutiu no Banco BIC e no número de balcões?


Como se tem assistido, a grande maioria dos bancos tem fechado balcões. O Banco BIC tem feito um esforço hercúleo para não fechar agências. Sempre  tivemos consciência que temos vários balcões, nomeadamente a nível do interior, que não têm rentabilidade. Estamos sempre focados em ter rentabilidade. como é obvio, mas também nestes anos, fomos tendo lucro que dá para sustentar o prejuízo de uma série de balcões. É que, muitas vezes, mantemos um balcão mesmo dando prejuízo numa determinada zona,  porque faz com que, por exemplo, os serviços públicos, nomeadamente os professores, o pessoal da AGT e quem lá vive tenha acesso ao crédito e comecem a ter uma relação tímida com a banca. Ou seja, é uma forma de bancarizar e facilitar na movimentação dos respectivos salários. Muitas vezes, os administradores municipais ou mesmo os governadores provinciais, quando falam connosco, naquelas zonas, fazem menção de que as pessoas têm que percorrer 300 quilómetros, por exemplo, para ir ao banco. Nestes casos, abrimos agências mais na perspectiva de apoiar a zona, como pretendemos fazer agora no Chipindo, um  município da Huíla muito mais próximo do Huambo.


O que é que determinaria essa decisão?


Custa-nos muito mandar alguém para casa. Despedir não é algo que nos dá prazer algum. No Banco BIC, somos todos como se fôssemos uma família. Conhecemo-nos todos. Aliás, nós somos dos poucos bancos em operação no mercado que, nos últimos anos, tem feito actualizações nos salários por forma que mantenham o poder de compra. Por outro lado, temos feito o possível para cortar os custos ao máximo. Onde haver para cortar, nós tentamos cortar, mas há serviços que não podemos cortar, nomeadamente, no que toca à segurança e comunicações, tudo isso tem de funcionar.


Que implicações têm para a instituição as altas taxas de juro do mercado, assim como para a carteira de crédito e de depósitos? 


Nesse capítulo, as taxas de juros em Angola nunca foram baixas. Temos assistido um esforço grande do Banco Nacional de Angola para baixar a taxa de referência. Quando o actual governador assumiu a gestão, a Luibor devia rondar os 20 por cento e já conseguiu baixar a taxa de uma forma significativa. Não deve ter sido um trabalho nada fácil. Agora, muito se tem feito para baixar as taxas ao máximo possível e tentar que haja certa estabilização da moeda. Não havia maneira de conter a estabilização da moeda. Tem sido um trabalho árduo e bem feito da parte do banco central, que tem tentado tudo para reduzir as taxas de referência do mercado o máximo possível. Isso para mim é um óptimo sinal. Quanto mais baixa for a taxa, mais fácil é o negócio da moeda. Ou seja, com uma taxa de juros de 20 por cento, os bancos ainda têm que fazer face ao seu "spread”, mesmo que seja só 1,0 por cento.
O ganho do banco é 21 por cento ao ano. Nenhuma empresa, salvo se tivesse lucros fabulosos, faria face a tais taxas de juros. Porém, convém salientar que a alta dos juros encarece os preços. Isto é, o preço do financiamento também conta no preço final. Nisso, vejo com muitos bons olhos esta descida constante da taxa de juro. Penso que, com sorte, ainda iremos baixá-la mais um pouquinho, afinal, quanto mais alta for a taxa, menos crédito se dá à economia. Aqui o factor principal é a desvalorização.


Como vê a execução e quantos projectos foram aprovados no âmbito do PRODESI?


Temos quase 200 projectos que analisámos. Isso é um processo que também demora um bocado. Há projectos que se tem que ir estruturando até a nível de documentação, por forma a que se possa avançar. Está falar-se aqui de várias reformas da parte do Estado para poder legalizar terra e imóveis para estes projectos que sabemos que a maioria deles não tem documentação. A maioria dos imóveis e das terras não têm documentação necessária que permita fazer uma hipoteca, por exemplo, e os bancos precisam dessa segurança. Mesmo lá fora, as entidades internacionais olham para Angola e dizem "vocês têm de resolver isso”. Neste momento se for a um país da América Latina e quiser fazer um projecto agrícola, por exemplo, ou projecto de produção animal, compra um bocado de terra e a terra é sua e permite entregar a terra ao banco para servir de hipoteca. Acho que isso é o normal.


Assumiu a presidência da Comissão Executiva há dois anos. Como define o seu modelo de liderança?


Assumi a liderança numa altura um bocado ingrata, digamos assim. A fase mais difícil da crise é aquela que eu apanhei como presidente do Conselho Executivo. Particularmente, creio que o meu modelo é de uma liderança inclusiva. Toda a gente deve contribuir com opiniões, todos têm que se sentir incluídos, como parte de uma equipa, e dar os "inputs” no sentido de termos uma estratégia melhor para sermos mais eficazes junto dos colaboradores e para a economia. Por outro lado, o BIC cresceu rapidamente, e, logicamente, como todos os bancos que cresceram rapidamente, sente umas dores de crescimento que estamos a corrigir, fazendo face às coisas que aparecem de uma forma  não reactiva, mas mais proactiva. Fazemos mais planeamento hoje em dia, sendo que com a situação da economia actual é muito difícil fazer um planeamento adequado.


A fusão entre o Banco BIC e o BFA foi muito propalada. Até que ponto isso poderá avançar, a julgar pelas declarações do banco central a admitirem um cenário generalizado de fusões e aquisições?


Penso que fusões de bancos normalmente acontecem quando isso resulta num bom negócio. Por exemplo, um banco funde-se com outro porque há um que tem a nível da imobiliária agências óptimas e está numa situação difícil; há um banco que tenha mais dificuldades que tem balcões melhores localizados se calhar pode incorporar num banco ou porque tem quadros muito bons. Agora, os maiores bancos fundirem-se só porque sim, não sei se faz muito sentido. Ninguém fecha a porta a eventuais fusões, mas não diria, necessariamente, que tem que ser fusão entre os grandes  bancos. Como se vê lá fora, não são os grandes que estão em situação difícil. Acho que não faz sentido fundirem grandes bancos, quando ambos estão a trabalhar de forma normal. E o que assistimos, até lá fora, quando dois grandes bancos se fundem, é para ganhar quota de mercado.


Não é o caso?


Como disse, não fecho a porta. Não estou a falar de fusão entre o Banco BIC e o BFA especificamente. Não fecho a porta que hajam fusões a nível dos bancos que operam no sistema bancário que, se calhar, estão mesmo a precisar que alguém adquira capital. Não acharia estranho, são coisas normais da economia.
Não estou a ver que seja obrigação nem que seja uma necessidade. Os bancos estão sempre de olho num bom negócio. Se for bom negócio para um banco adquirir outro banco, não vejo mal nisso. Principalmente, se segurar postos de trabalho. Se for a ver bem, a maioria das fusões o que faz mais é cortar postos de trabalho. O que se vê lá fora, quando dois bancos se juntam, cerca de 30 por cento vai imediatamente para o desemprego. Se não trazer um grande benefício à economia, fundir dois bancos não me parece que seja de bom grado o fazer. Se houver um banco em risco de falir, aí a situação se calhar é diferente. Não pode é ser por imposição. Mas, tudo é possível.

 "A constituição de provisões é o grande desafio da banca este ano!”



Que expectativas há para com os resultados de 2021?
Para ser sincero, os resultados de 2021 vão ser muito mais baixos, provavelmente, cerca de 25 por cento do que foram no ano passado. A nossa expectativa é que os resultados caiam pelo menos 75 por cento. É bastante penalizador para os bancos, mas isso é fruto das provisões que temos de criar agora sobre o crédito concedido ao Estado. Como deve saber, a imprensa não tem noticiado muito esse assunto, mas, os bancos vão começar agora a constituir provisões sobre a carteira de crédito ao Estado. A situação pode, eventualmente, querer dizer que o Estado está com dificuldades em honrar com os compromissos em relação às Obrigações do Tesouro. A constituição de provisões é o grande desafio dos bancos este ano. Os bancos este ano vão ter que constituir provisões sobre a carteira de Obrigações do Tesouro. É uma coisa é inédita. Nunca aconteceu em Angola. Ninguém esperava que acontecesse. Acredito que o Estado vai acabar por dar a volta. Isso vai afectar, directamente, o lucro. Eu penso que a redução do lucro dos bancos, este ano, será muito por força de ter que se constituir esse tipo de provisões.

 
Até que ponto o nível de crédito malparado afectou os financiamentos?


Nós somos um banco que tem tido sempre liquidez e, dentro de todo o crédito que vamos concedendo, somos um daqueles que não está numa situação mais aflitiva. Logo, ainda não tivemos um grande problema no que toca à liquidez para conceder crédito. Nesse aspecto, penso que estamos bem. Outros bancos estão numa situação bastante mais complicada. Nós continuamos ainda com liquidez para conceder crédito. Claro que olhamos para os projectos de uma forma mais minuciosa, muitas vezes as pessoas criticam muito. Ouvimos que os bancos não dão crédito, mas muitas vezes diz-se isso de forma ingénua, porque nem sequer se preocupam, os críticos, em saber os motivos pelos quais os bancos dizem que não concedem os mesmos créditos. Isso é um bocado como ir à padaria e o padeiro dizer que não lhe quer vender o pão. Não faz sentido. Ou seja, o padeiro quer vender o pão, mas se ele achar que se está a ir fazer negócio ou alguma coisa qualquer ou que não vai ter pão que chegue para todos, vai optar por dividir. É isso que acontece. Nunca se dá o caso de o padeiro não querer vender o pão. Só não vende se não tiver para vender.


Quer dizer o quê em concreto?

Os bancos precisam ter alguma liquidez que lhes permite conceder o crédito que seja produtivo, digamos assim. Os bancos não têm a intenção nenhuma de ficar com as propriedades ou hipotecas ou coisas dos clientes. Não é esse o negócio dos bancos. O negócio dos bancos é conceder crédito à economia, para que as empresas cresçam. O nosso lema sempre foi "Crescemos Juntos”. Logo, queremos apoiar as empresas particulares e os empreendedores para que cresçam e, à medida que tal ocorre, o banco também cresce; crescem as empresas, crescem os depósitos e os clientes surgem com mais pedidos de crédito. É assim que se intensifica a relação bancária.


A cultura de poupança entre nós é ainda incipiente. Que novos produtos de captação de poupança existem no vosso banco?


Há um produto em curso e temos feito várias campanhas neste sentido, em linha com aquilo que é um bocado a filosofia do próprio banco central, nomeadamente, a poupança mais dos jovens para se irem habituando. Também percebemos que é mais difícil convencer as pessoas mais velhas, hoje em dia, a fazer poupança quando não têm tal cultura. Apelar aos mais jovens e fazer com que entendam desde cedo o que é a poupança, pensamos ser uma estratégia acertada. Os jovens têm outra abertura agora. Porém, é difícil poupar quando não sobra muito, a verdade é essa. A cultura da poupança é incipiente, como disse, mas tudo estamos a fazer para estimulá-la. Todos os anos, se reparar, o Banco BIC traz novos produtos no que toca a depósitos a prazo. Estamos a pensar lançar produtos para os jovens estudantes e, também, os mais velhos reformados,  para que todas as franjas da população continuem a poupar. Atacar agora os jovens é mais fácil. Quanto mais jovem, mais rapidamente se entende a necessidade de começar a fazer poupança. Nós já tivemos a "Conta Mealheiro”, na qual oferecíamos um mealheiro. Ainda há poucos dias, vi um vídeo na Internet em que um jovem tinha um mealheiro e pedia ao Banco BIC para arranjar-lhe outro, porquanto, o seu, de madeira, feito por artesões locais, tinha apanhado humidade e queria substitui-lo. Prontamente, arranjámos uma maneira de oferecer outro mealheiro para que continuasse a poupar. Ele não queria tirar o dinheiro e estava preocupado, porque o  mealheiro se estava a desfazer. Como vê, já começa a haver pessoas que querem poupar.


  "Queremos continuar a ser o motor da economia”


O crédito concedido à economia continua a ser pouco expressivo no balanço dos bancos. A que ponto isso tem a ver com os riscos que a economia real ainda representa?


Acho que os bancos não estão a conceder crédito porque também não têm assim muitos pedidos. Esta é uma fase de crise. A maioria das pessoas, ou estão a fazer um negócio novo, ou retraem-se um pouco no que toca em pedir crédito ao banco, o que é normal. As pessoas dizem que os bancos não querem conceder crédito, isso não é verdade. Os bancos querem conceder crédito, a não ser que hajam motivos muito fortes para não o concederem. No nosso caso, nós queremos continuar a conceder crédito e a ser o motor da economia.


Qual a sua visão quanto à reforma cambial?


Se me perguntar se eu acho bem que haja estabilização de preços entre o mercado oficial e o paralelo, acho que sim: quanto mais próximo estiverem o preço do banco central e do informal, melhor é o negócio cambial e menor é a vontade de ir à rua comprar dinheiro. Tudo que traga negócio para a banca é bom e, consequentemente, tudo passa a ser oficial e deixa de haver o oficioso. Acho que o caminho é este. Agora, relativamente às reformas e estratégias que estão a ser implementadas, depende de  quem de direito e que tem esta responsabilidade.
 
O governador do BNA advoga que os bancos comerciais reavaliem os modelos de negócios que assentam na dívida pública e nas operações cambiais, por não ser sustentável. O que se lhe oferece comentar?


Se calhar por isso é que os bancos estão a ser obrigados a constituir provisões, parece-me bem. Aliás, como lhe disse, o Banco BIC será um dos bancos que está um pouco contra a corrente, ou seja, apesar de ter uma grande fatia de carteira de dívida pública, mas isso fruto do tamanho da liquidez que possui, somos um dos bancos que mais apoia os particulares e as empresas. Acho que o caminho é por aí. Penso que conceder crédito ao Estado é muito mais fácil para alguns bancos. É um crédito que, à partida, não tem risco nenhum. Portanto, encostamo-nos todos ao Estado. Compramos Obrigações do Tesouro e ficamos à espera. Não me parece mesmo que o caminho seja por aí. Nesse caso, estou de acordo com o governador, mas os bancos só o fazem, ou seja, alguns o fazem mesmo por inércia, por ser fácil, mas a maioria dos bancos poderia ter mais liquidez empregue no crédito a particulares e às empresas. Concordo com a afirmação de que os bancos, ao tentarem ir aplicar recursos em Obrigações do Tesouro, é um bocado tentar deixar seguros os depósitos dos clientes. Os bancos têm que se proteger contra a desvalorização da moeda.

Como é que o Banco BIC soluciona estas questões? 


No nosso caso, preferimos dar crédito a particulares e empresas. Não pode ser sempre o Estado a fazer tudo. O Estado tem responsabilidade sim, mas ficar-se única e exclusivamente a depender do Estado não é o caminho. O caminho é as pessoas começarem a empreender, começar a fazer. Acho que a maioria das pessoas que quer empreender tem que começar devagarinho. Vejo muita gente que quer e está a empreender. Usa os seus fundos próprios e com algum receio de ir ao banco. Acham que é muito difícil, mas não é nada assim. Há também pessoas a querer sempre dar passos maiores do que a perna. Também não me parece boa ideia. O indivíduo tem que ir devagar, se calhar demora mais tempo. O banco também vai conhecer melhor o negócio da pessoa e a seguir vem buscar um bocadinho mais e cresce um pouco mais e por aí fora. É assim que gostamos de apoiar as empresas.
Pensamos que não é certo uma pessoa que tem um negócio pequeno e depois quer ganhar uma escala enorme com um financiamento enorme que nem sequer sabe se vai conseguir acompanhar esse negócio. Desta maneira, para entrar em crédito malparado, é melhor nem conceder. Uma das regras do crédito é: havendo dúvida em relação à operação, não se concede o crédito. Acho que é uma gestão responsável.

PERFIL

Hugo Silva Teles

Cargo

Presidente da Comissão Executiva

Pelouros

Conselho de Crédito; Direcção de Sistemas de Informação (DSI); Direcção de Aprovisionamento, Direcção de Património; Gabinete de Fixing; Direcção de Private Banking; Direcção de Centros de Investimento; Direcção de Tesouraria Central e CE Oil& Gas.

Qualificações

2º Ano de Medicina Veterinária
2º Ano de Economia na Universidade Católica de Angola
MBA no Instituto Superior de Ciências e do Trabalho e da Empresa de Lisboa (ISCTE)
Gestão Bancária no Instituto de Formação Bancária de Lisboa (IFB)

Experiência Profissional

Iniciou a actividade bancária em 2005 no Banco BIC, tendo durante vários anos desempenhado funções de relevo no banco, sendo desde 2019 presidente da Comissão Executiva. Desde 2015 é Administrador não- executivo no Banco BIC Namíbia, Limited.

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