Política

João Lourenço reitera apelo à sensibilidade aos países pobres

César Esteves

Jornalista

O Presidente da República, João Lourenço, reiterou, ontem, em Luanda, o apelo aos países mais desenvolvidos, com capacidade industrial de produção de vacinas contra a Covid-19, a serem mais sensíveis e compreensíveis, tendo em conta que ninguém se vai salvar sozinho.

14/05/2021  Última atualização 08H00
Chefe de Estado recebeu, ontem, a primeira dose da vacina Sputnik e lembrou que a pandemia atingiu todo o planeta © Fotografia por: Kindala Manuel | Edições Novembro
"Ou nos salvamos a todos, ricos e pobres, poderosos e não poderosos, ou ninguém se vai salvar”, disse o Presidente, lembrando que a pandemia atingiu todo o planeta e, em função disso, a resposta à doença tem de ser, também, a nível planetário. Em declarações prestadas à imprensa, depois de ter apanhado a primeira dose da vacina russa Sputnik V, no posto de vacinação do Paz Flor, no Morro Bento, o Chefe de Estado admitiu que a população mundial é, por enquanto, maior do que a capacidade de resposta da parte das farmacêuticas, mas insistiu na necessidade de haver um esforço no aumento das vacinas e facilitação na sua distribuição aos beneficiários a preços acessíveis. 

João Lourenço mostrou-se optimista em relação à consideração, pelos produtores das vacinas, do apelo, por si lançado, para uma maior atenção aos países mais necessitados e com menos capacidade para a aquisição das vacinas. "Não sabemos qual será, exactamente, a solução, se a abertura das patentes ou não. Mas, seja qual for, temos fé de que o problema vai ser resolvido nos próximos dias”, realçou. Destacou o facto de muitos países, sobretudo africanos, estarem sem recursos financeiros para adquirir as vacinas aos preços estipulados, neste momento, pelo mercado. 

O Presidente informou que Angola recebeu, no quadro da iniciativa Covax, pouco mais de 600 mil doses da vacina AstraZeneca e 200 mil oferecidas pelo Governo chinês, além de ofertas de grupos empresariais, em pequenas quantidades. O Chefe de Estado disse ter consciência que não se pode confiar apenas nas ofertas. "Temos que comprar mais vacinas e este esforço já vem sendo feito, apesar das dificuldades existentes”, realçou. 

João Lourenço destacou, que apesar da aquisição, pelo país, de seis milhões de doses da vacina russa Sputnik V, cuja primeira tranche, de 40 mil doses, já se encontra em Angola, ainda são insuficientes. Disse que, à medida que se vão mobilizando mais recursos financeiros, vai continuar-se a lutar para que mais vacinas sejam adquiridas, não importando a marca.Helena Muginga, licenciada em Análises Clínicas e Saúde Pública, foi quem vacinou o Presidente João Lourenço. 

  Primeira-Dama da República também foi vacinada

A Primeira-Dama da República também foi vacinada ontem. Ao falar para os jornalistas, disse não ter sentido qualquer reacção estranha, tendo, em função disso, lançado um apelo aos cidadãos que ainda não se vacinaram a fazerem-no. "É mais um elemento de segurança que se vem juntar à máscara, à lavagem das mãos com água e sabão, desinfecção com álcool em gel e ao distanciamento social”, referiu. 

No mesmo momento em que o Presidente e a Primeira-Dama da República eram vacinados, os cidadãos Dorca Nzagi e Jacinto Novais também estavam a sê-lo. Disseram ter ido ao Paz Flor para apanhar a primeira dose da vacina Sputnik V, sem saber que o Chefe de Estado estaria lá."Foi uma surpresa agradável ver o Presidente ser vacinado, bem ao lado da nossa mesa. Foi muito emocionante”, disse Jacinto. Para Fátima Airosa, também vacinada ontem, a ida de João Lourenço ao posto do Paz Flor vai ajudar a acabar com desconfianças de alguns cidadãos em relação à vacina. "O gesto do Presidente da República vai encorajar muita gente a apanhar a vacina”, frisou.
 Cláudia Sil confessou que ganhou mais confiança para apanhar a vacina quando ficou a saber que o Presidente João Lourenço apanharia também. "Foi uma surpresa muito agradável a presença do Presidente. Isto representa segurança e confiança”, afirmou.Além do Chefe de Estado e da Primeira-Dama da República, foram, igualmente, vacinados, ontem, no posto de vacinação do Paz Flor, o Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, e a esposa, o presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, e a esposa. Na ocasião, o líder do Parlamento angolano encorajou os cidadãos a apanharem, sem receio, a vacina contra a Covid-19, para estarem prevenidos da doença. Fernando da Piedade Dias dos Santos disse ser importante respeitar as medidas preventivas contra a pandemia. "A vacina é importante para nos defendermos desta doença terrível que é a Covid-19”, frisou.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Política