Política

Josefa sacko: ““Agricultura deve tornar-se na alavanca da transformação económica do continente”

A comissária da União Africana para o Departamento da Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável, Josefa Sacko, defendeu, ontem, em Addis Abeba, Etiópia, que a agricultura deve tornar-se na alavanca da transformação económica do continente.

08/04/2021  Última atualização 11H32
Josefa Sacko exortou a adopção de políticas agrícolas de África tenham de responder aos desafios de enriquecer os africanos © Fotografia por: João Gomes | Edições Novembro
A diplomata, que falava num fórum com o tema "Que política agrícola para a África do amanhã?”, decorrido por vídeoconferência, alertou que o continente de amanhã não será o do petróleo ou outros recursos não renováveis, mas da agricultura, sector vital para o desenvolvimento."A política deve ser, antes de tudo, uma New Deal para promover o financiamento, facilitar o crescimento inclusivo, por meio da inovação e inteligência, especialmente com as mudanças climáticas”, defendeu.

A natureza das políticas agrícolas para a África do futuro, disse, também significa contar com as fortunas e infortúnios do sector agrícola, por várias décadas, para melhorar e ter em conta as oportunidades oferecidas pelos  diversificados ecossistemas, baixa ocupação dos territórios, crescente procura alimentar continental e reforço da resiliência, face às várias crises para ultrapassar a insegurança alimentar.Lembrou que o continente africano se prepara para participar na Cimeira das Nações Unidas sobre Sistemas Alimentares e no debate interno a respeito período pós-Covid-19.

Josefa Sacko adiantou que o objectivo deste debate é discutir os instrumentos políticos que podem permitir, amanhã, aos agricultores fazer da sua profissão uma actividade que possa gerar bem-estar no meio rural, responda ao desafio do emprego e contribua com as expectativas de melhor vida e independência económica.De acordo com as estimativas da comissária da UA, África terá mais de dois biliões de pessoas em 2050, principalmente mulheres e jovens. 

Preservar os recursos

Josefa Sacko  exortou a adopção de políticas agrícolas de África de amanhã também tenham de responder aos desafios de "nutrir e enriquecer os africanos”, bem como  preservar os recursos para as gerações futuras. Neste contexto, considerou  que o grande desafio de África é o de escolher políticas agrícolas que coloquem o processo de transformação da agricultura entre as prioridades do continente para a erradicação da pobreza e da fome, a revitalização do comércio intra-africano e a promoção dos investimentos.
Industrialização

Sugeriu, também, a rápida industrialização, o programa de agro-parques comum a África, para facilitar mega corredores industriais transfronteiriços e transnacionais, para a produção de alimentos e o livre comércio de produtos agrícolas, diversificação económica, gestão sustentável dos recursos e o ambiente de criação de empregos, segurança e prosperidade compartilhada.

"Esta deverá ter por base a implementação ao pé da letra, pelos Estados-membros, da Declaração de Malabo de 2014, da Agenda 2063 e das conclusões esperadas da Cimeira das Nações Unidas sobre os Sistemas Alimentares e da Agenda 2030, porque o continente tem um imenso potencial que deve permitir-lhe não só alimentar-se, mas também eliminar a fome e a insegurança alimentar e, além disso, tornar-se um actor importante nos mercados internacionais”, defendeu.

O Programa de Desenvolvimento Detalhado da Agricultura, referiu, adoptou sete compromissos sobre prioridades específicas e concretas. Josefa Sacko disse tratar-se do "motor da grande política agrícola comum” e do processo da revolução agrícola continental.O porgrama, acrescentou, envolve  investimentos agrícolas, desenvolvimento do empreendedorismo e investimentos nas cadeias agro-alimentares, melhoria dos mercados agrícolas nacionais e regionais, promoção da pesquisa agro-pecuária, extensão rural e avanços no manejo sustentável dos recursos naturais.
  Incumprimento da Declaração de Malabo
A comissária da União Africana lamentou o facto de as duas últimas avaliações semestrais terem mostrado que o continente não está a cumprir um conjunto de compromissos relacionados com a implementação da Declaração de Malabo.

"Os Estados-membros têm dificuldades em colocar as suas próprias decisões em prática, apesar dos esforços da Comissão da União Africana em facilitar o processo de domesticação da Declaração de Malabo nos seus planos nacionais de investimento agrícola”, disse a engenheira agrónoma.Josefa Sacko revelou que, desde a Declaração de Maputo, em 2003, os Estados ainda não conseguiram alocar 10 por cento dos orçamentos nacionais à agricultura, conforme acordado, o que adia, ainda mais, o processo de transformação do sector agrícola, que poderia conduzir outros sectores económicos, como a indústria, infra-estruturas e serviços, a conhecerem outra dinâmica.

Além disso, defendeu que a natureza das políticas agrícolas também deve levar em conta a integração e o fortalecimento do papel das mulheres na revolução agrícola africana, porque a agricultura e o agro-negócio também abrem possibilidades para milhões de jovens que entram regularmente no mercado de trabalho."A cooperação agrícola e o intercâmbio das melhores práticas devem estar no centro das estratégias de desenvolvimento intra-africanas e da parceria com grandes blocos económicos, como a União Europeia, os EUA, a China e a Índia”, sugeriu.

Segundo Josefa Sacko, "enquanto os Estados-membros da União Africana continuarem a não implementar compromissos fundamentais como os constantes na Declaração de Malabo, que constitui um instrumento válido para reforçar o financiamento dos investimentos na agricultura, África atrasará a sua marcha para a segurança alimentar”.

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