Cultura

Joy Artur destaca contributo da canção política

O músico Joy Artur destacou, em Luanda, o papel importante desenvolvido pela canção política na altura da mobilização das populações, que culminou com a Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975.

22/11/2020  Última atualização 20H20
© Fotografia por: DR
Em declarações ao Jornal de Angola, a propósito do contributo da canção política para a conquista da independência, o músico explicou que o país vive hoje um clima de paz e estabilidade política, graças ao contributo da classe artística, sobretudo, da música na transmissão de mensagens, muitas delas em línguas nacionais sobre a necessidade de a sociedade estar preparada para a luta de libertação do país e da opressão colonial.

Os momentos de tortura e atrocidades perpetuados pelo regime colonial na época, disse, eram descritos nas músicas como forma de despertar a juventude e mobilizá-la para a luta contra a repressão. "Os jovens cantores, hoje, estão a dar continuidade àquilo que fizemos há anos e ajudar com composições construtivas a tornar o país, num lugar melhor para todos”.

Quanto às polémicas se há ou não o devido reconhecimento da sociedade e do Estado sobre o merecido contributo à classe artística, sobretudo, os músicos de intervenção política, Joy Artur pronunciou-se nos seguintes termos: "Não gosto muito de falar sobre o assunto. Numa revolução nem todos são reconhecidos. A vida é mes-mo assim, gostaríamos que fosse diferente, mas o importante é que os objectivos pelos quais lutamos foram alcançados com a conquista da independência”.

Henrique Lima Artur, conhecido nas lides artísticas por  Joy Artur, é um dos mais refinados cantores e compositores da música angolana. Nascido em Luanda, iniciou a sua carreira na década 1960. Integrou um grupo de jovens que fundou o agrupamento musical Kissanguela, uma componente importante no contexto da canção política até finais dos anos 1970.
Do repertório constam mais de 14 músicas gravadas, espalhadas por cinco singles, um LP (Long Play) e um CD, denominado  "Nga Vutuka”.  Uma outra nota de realce da sua carreira prende-se com a sua passagem pelo agrupamento Semba Tropical, com que gravou em Londres alguns temas, e ainda nos grupos os Maringas e Os Rios.

Manuel Albano

Jornalista

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