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Julgamento de Donald Trump começa no dia 9 de Fevereiro

O processo de impeachment contra Donald Trump deu entrada no Senado na segunda-feira, mas o julgamento só vai começar a 9 de Fevereiro.

27/01/2021  Última atualização 11H03
Caso seja culpado, o ex-Presidente fica vetado de ocupar qualquer cargo político nos EUA © Fotografia por: DR
 Enquanto isso, o Presidente Joe Biden continua a assinar decretos para revogar as políticas do seu antecessor e os republicanos mostram-se divididos na defesa de Trump. O ex-Presidente, que é acusado de "incitar a insurreição" nos eventos que levaram à invasão do Capitólio, a 6 de Janeiro, continua longe dos olhares de todos, no seu clube de Mar-a-Lago, na Florida. Mas não tem descanso: andam a sobrevoar aviões com mensagens que mostram que não é bem-vindo. "Trump, o pior Presidente de sempre", lia-se numa das faixas.

Os congressistas democratas, que servem de acusação contra Trump percorreram formalmente a distância que separa a Câmara dos Representantes do Senado para entregar o artigo de impeachment. O texto, que acusa o ex-Presidente de responsabilidade nos eventos que resultaram na morte de cinco pessoas, foi lido depois pelo líder dos "gestores" do impeachment (como são conhecidos os congressistas responsáveis pela acusação), Jamie Raskin.

Ontem, os senadores transformaram-se oficialmente em jurados, mas o julgamento não começa de imediato como é normal. Democratas e Republicanos chegaram a acordo para que as audiências só comecem a 9 de Fevereiro, dando tempo quer à defesa do ex-Presidente, liderada pelo advogado Butch Bowers, quer à acusação para preparar o processo, que avançou de forma acelerada na Câmara dos Representantes. Não se sabe ainda depois quanto tempo durará o julgamento, havendo quem diga que não será preciso chamar testemunhas - todos os senadores foram testemunha do que aconteceu no Capitólio.

Adiar o julgamento permitirá, também, ao Senado ter tempo para continuar nas confirmações dos cargos da nova Administração Biden e discutir o pacote de resposta à pandemia da Covid-19. "Quanto mais tempo tivermos para avançar e responder a estas crises, melhor", disse o Presidente na sexta-feira, questionado sobre o adiamento. Ontem, em mais uma ordem executiva para revogar políticas de Trump, Biden levantou a proibição dos transgénero servirem nas Forças Militares dos Estados Unidos.

Para o impeachment ser bem sucedido (e poder desencadear uma segunda votação que afaste Trump de qualquer cargo público), além do voto dos 50 senadores democratas, é preciso que 17 republicanos virem as costas ao ex-Presidente. E a discussão já está lançada dentro do partido. Apesar de não haver ainda nenhum republicano a dizer publicamente que vai votar contra ele, há, pelo menos, 15 que se mostram abertos a ouvir os argumentos.

Entre eles Rob Portman, do Ohio, que na segunda-feira anunciou que não tentará a reeleição em 2022.
Os senadores que estejam a pensar votar contra o ex-Presidente têm que ter capacidade para lidar com as consequências. Na Câmara dos Representantes, dez congressistas republicanos votaram a favor do impeachment. Duas semanas depois já estão a ser desafiados com as primárias para as eleições de 2022 e a ser criticados pelas lideranças partidárias. É o caso de Liz Cheney, a número três do partido na Câmara. Na quarta-feira, quando Biden tomava posse, o senador estadual do Wyoming, Anthony Bouchard, anunciava a candidatura às primárias contra a filha do ex-vice-Presidente Dick Cheney, dizendo que ela estava "desligada" da realidade do Estado.

Nove democratas do lado da acusação

O congressista democrata, Jamie Raskin, do Maryland, é o líder dos nove "gestores" do impeachment que vão argumentar, no Senado, contra Trump. "Não vou perder o meu filho em 2020 e o meu país em 2021", disse Raskin, que enterrou o filho de 25 anos na véspera do ataque ao Capitólio, durante o qual ficou separado dos familiares que tinha convidado para assistirem à confirmação de Biden. Professor de Direito Constitucional, lidera uma equipa que inclui peritos em acusação criminal e defesa e em legislação federal e estadual. "Um grupo que reflecte verdadeiramente o país", disse outro membro da equipa, o latino Joaquim Castro. Os restantes são os afro-americanos Stacey Plaskett e Joe Neguse, o asiático Ted Liey, o homossexual David Cicilline, além de Diana DeGette, Eric Swalwell e Madeleine Dean.

Advogado de ética lidera a defesa

A defesa do ex-Presidente vai ser liderada pelo advogado Butch Bowers, especialista em ética da Carolina do Sul. Donald Trump terá recorrido aos seus serviços por recomendação do senador republicano Lindsey Graham, visto que a maioria dos advogados que fizeram parte da sua defesa no primeiro impeachment terão recusado repetir a experiência inclu-indo o advogado pessoal Rudy Giuliani, Jay Sekulow, Alan Dershowitz e o ex-conselheiro da Casa Branca Pat Cipollone. Bowers tem no seu currículo, entre outros casos, a defesa do ex-governador da Carolina do Sul Mark Sanford, alvo de uma tentativa falhada de impeachment em 2009 que se tornou num caso de ética - foi acusado de desaparecer do estado durante cinco dias, sem deixar ninguém ao comando, para ver a amante na Argentina.

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