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Líder da oposição detido pelas forças de segurança

O líder da oposição senegalesa, Ousmane Sonko, foi ontem preso por elementos das forças de segurança em Dakar, disse um dos seus advogados à AFP.

05/03/2021  Última atualização 08H35
Líder da oposição senegalesa, Ousmane Sonko © Fotografia por: DR
O deputado havia saído de casa no início da manhã, escoltado por uma multidão de apoiantes, quando o cortejo automóvel foi bloqueado pelas autoridades, que identificaram e detiveram Ousmane Sonko.
Dois dias antes, o Parlamento do Senegal tinha aprovado o levantamento da imunidade do deputado Ousmane Sonko, acusado de estupro, facto que ele nega, segundo a Efe.

Sonko, 46 anos, ficou em terceiro lugar nas eleições de 2019, que viram o Presidente Macky Sall ganhar um segundo mandato, mas é considerado a figura de oposição mais proeminente do Senegal.
Ousmane Sonko enfrenta acusações judiciais depois de uma esteticista o ter acusado de violação. O Parlamento do Senegal, com 165 assentos, votou, na terça-feira, pelo levantamento da imunidade, com 98 parlamentares a votar a favor da moção, um contra e dois abstendo-se, de acordo com a rádio local.

Na conferência de imprensa, realizada na quarta-feira, Sonko disse que não falaria com os investigadores da Polícia, citando irregularidades processuais no levantamento da sua imunidade. "Se Macky Sall se quer livrar de mim, ele deve, pela primeira vez, concordar em sujar as mãos”, disse.

Mas a verdade é que ele, segundo a Efe, já se havia comprometido a cooperar com a Polícia, depois de ter negado as acusações num post no Twitter no qual acusou Sall, que cumpre o seu segundo mandato, de conspirar contra si.
Sonko disse que visitou o salão para receber uma massagem para aliviar dores nas costas e sublinhou que a acusação de estupro foi uma "tentativa de liquidação política”, acrescentando que duas pessoas sempre estiveram presentes durante a massagem.
Também ontem, a imprensa senegalesa revelou que cerca de 80 apoiantes de Ousmane Sonko foram detidos quando participavam numa reunião onde estavam a ser decididos os passos a dar para apelar para a libertação do referido deputado. Na altura, a Polícia cercou o local onde decorria a reunião para identificar e deter os cerca de 80 manifestantes que ainda estão detidos.


  Presidente alerta para ameaça de ataque jihadista
O Presidente Macky Sall advertiu, ontem, que o seu país e outros na África Ocidental se devem preparar para um ataque jihadista vindo da vizinha região do Sahel.
Sall defendeu uma atitude vigorosa em relação aos jihadistas, com uma posição forte para recusar o diálogo com eles, disse numa entrevista à estação de rádio francesa RFI.

O Senegal há muito que acompanha a situação nas suas fronteiras com a Mauritânia a Norte e o Mali a Leste, o epicentro da violência jihadista que se espalha pelo Sahel. Esta nação da África Ocidental é um dos principais contribuintes de pessoal para a missão da ONU no Mali (MINUSMA). Em Fevereiro, oficiais de justiça senegaleses acusaram e prenderam quatro homens numa cidade na fronteira com Mali, acusados de serem membros de uma célula de apoio a um dos principais grupos jihadistas armados que operam no Mali, afiliado à al-Qaeda.

O novo Governo do Mali parece estar determinado a dialogar com alguns jihadistas, já que o debate para as negociações ocorre no vizinho Burkina Faso.
O Presidente senegalês disse ser "contra uma discussão com terroristas”. Macly Sall, como outros líderes africanos e a MINUSMA, defende uma missão mais ofensiva, fazendo recurso ao uso da força em caso de ameaça à paz ou acto de agressão.

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