Reportagem

Luanda festeja sem “os milhares” de turistas

Na capital de Angola (Luanda), fundada em 1576, quando Paulo Dias de Novais desembarcou na Ilha do Cabo, existem locais muito interessantes que, desde finais de Março de 2020, milhares de turistas deixaram de visitar por conta das medidas impostas pela Covid-19.

28/01/2021  Última atualização 12H00
© Fotografia por: DR
O Miradouro da Lua, um conjunto de falésias a 40 quilómetros a sul do distrito da Samba, município de Luanda, é um desses locais, onde a erosão provocada pelo vento e pela chuva à paisagem de tipo lunar, na paragem obrigatória para quem se dirige de Luanda à Barra do Cuanza ou às praias do Cabo Ledo, deixavam-nos extasiados.
Os nove municípios que compõem a província de Luanda, Cacuaco, Belas, Cazenga, Icolo e Bengo, Luanda, Quiçama, Viana, Kilamba-Kiaxi e Talatona, apresentam, na sua maioria, pontos turísticos de encher os olhos, como a Fortaleza de São Miguel, localizada no antigo monte de São Paulo, no actual Morro da Fortaleza, nas proximidades da ponte da Ilha de Luanda.

Foi a primeira "fortificação” a ser erguida em Luanda, no século XVI, durante o governo de Paulo Dias de Novais, primeiramente construída em barro. Depois da ocupação holandesa, começou a ser construída em alvenaria, em 1705, a mando do governador D. Lourenço de Almada, fazendo parte das obras obrigatórias dos sucessivos governadores.Finalmente, no governo de D. Francisco de Sousa Coutinho (1764 - 1772), as obras terminam, com a construção de uma bateria do cavaleiro, armazéns à prova de bomba e uma cisterna que ficou conhecida como Cova da Onça.

No bairro do Maculusso, distrito da Ingombota, município de Luanda, turistas oriundos de vários pontos do mundo gostavam de visitar a Igreja da Sagrada Família, a primeira de Angola a adoptar uma arquitectura mais geométrica e mais próxima das formas industriais e moduladas. Com a sua volumetria de carácter estrutural, introduziu na cidade uma inovadora visão de um sagrado moderno.Num dos corações palpitantes da capital, ponto de convergência de artérias importantes, a Igreja da Sagrada Família impõe-se em reflexão e desafio.

Também a arquitectura da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, na antiga Cidade Baixa de Luanda, cuja construção foi da iniciativa de comerciantes e moradores locais para competir com os edifícios religiosos da Cidade Alta, era muito apreciada pelos que visitavam a capital do país. As obras dessa igreja começaram em 1651 e terminaram em 1679, ano em que foi inaugurada solenemente pelo bispo D. Manuel da Natividade.

Em 1716, a sede da Diocese de Angola e Congo foi transferida de São Salvador do Congo para Luanda, o que eventualmente levou a Igreja dos Remédios a transformar-se na Catedral de Luanda. Em 1949 foi declarada Imóvel de Interesse Público, quando ainda era parte do Império Colonial Português.Mas os turistas morrem de saudades da Ilha de Luanda. Um cordão litoral composto por uma estreita língua de terra, com sete quilómetros de comprimento que, separando a cidade de Luanda do Oceano Atlântico, cria a Baía de Luanda.

A Ilha de Luanda encontra-se ligada à cidade por um pequeno istmo no sopé da Fortaleza de São Miguel. É o local de divertimento e lazer dos luandenses e das demais pessoas que desejam conhecer a Ilha do Cabo, podendo encontrar ali uma grande variedade de equipamentos turísticos, dos bares aos restaurantes junto ao mar, e das discotecas aos hotéis, sem esquecer as inevitáveis praias. Localiza-se no Distrito Urbano da Ingombota, município de Luanda.

Luanda é um grande centro de negócios. Uma importante capital africana que possui mais de oito milhões de habitantes. Um excelente destino para quem gosta de ir à praia e fazer passeios ao ar livre. Além das lindas praias, proporcionava uma agitada vida noturna.

Saudades do Mussulo

A ilha do Mussulo é um banco de areia, com cerca de 30 quilómetros de comprimento, formado pelos sedimentos do rio Cuanza, na costa sul de Luanda. A restinga do Mussulo abriga a Baía com o mesmo nome, que alberga três ilhas no seu interior, sendo a ilha dos Padres a maior e mais conhecida.As águas calmas da Baía favorecem a prática de desportos aquáticos. O local está repleto de casas de fim-de-semana, com traçados simples e escondidas pela vegetação. É lugar de luxo, de vaivém de lanchas, iates, de embarcações de recreio e pequenos barcos dos pescadores.A Baía de Luanda, cujas águas são protegidas pela Ilha de Luanda, foi o lugar de fundação da cidade, por Paulo Dias de Novais, em 1576. Junto à Baía, foi erguida a Cidade Baixa, onde se instalou a maior parte da população, enquanto a Cidade Alta era administrativa e militar.

A Avenida 4 de Fevereiro segue o contorno da Baía, dando origem à marginal marítima e a respectiva orla urbana da capital. É o principal espaço público da cidade e o epicentro social e económico do país.Um bom lugar para os amantes do Surf. A praia de Sangano é uma das mais belas da capital de Angola. Fica a cerca de uma hora do centro de Luanda. É lá onde muitos dos luandenses e turistas  iam fazer piqueniques, fugiam da rotina e do stress da cidade. Ficavam mais próximo da natureza. Situada a cerca de 27 quilómetros para sul da Barra do Kwanza, Sangano está numa localização privilegiada da costa ocidental.

Em Luanda, as águas do mar que banham a vila de Cacuaco juntam-se às águas das lagoas da comuna da Funda, como a da Kilunda, que já é uma alternativa bastante conhecida dos luandenses. A Praia de Santiago, por exemplo, é muito conhecida, não pelas suas águas calmas ou areias desertas, mas sim, pelo grande cemitério de navios em que se transformou. O lugar impressiona. São dezenas de navios que enferrujam ao longo da costa. Uma paisagem surreal em pleno século XXI. O local é, também, um singular mercado de peixe.

Além das luxuosas praias ao longo da península, Luanda dispõe também de actividades em mar aberto, como a pesca desportiva, pesca de tubarões, mergulho e observação de baleias e golfinhos. Da alta gastronomia aos alimentos preparados em barracas ou nas ruas, antes da pandemia, Luanda oferecia, aos visitantes, uma diversidade de pratos de dar água na boca.

Museus

Fundado em 13 de Novembro de 1976, o Museu Nacional de Antropologia foi a primeira instituição museológica criada, depois da Independência de Angola. Localizada no bairro dos Coqueiros, a instituição, vocacionada para a recolha, investigação, conservação, valorização e divulgação do património cultural angolano, tem 14 salas distribuídas por dois andares, que abrigam peças tradicionais, designadamente utensílios agrícolas, de caça e pesca, fundição do ferro, instrumentos musicais, jóias, peças de pano feitos de cascas de árvores, e fotografias de vários grupos étnicos de Angola.

O museu da moeda, um projecto impulsionado pelo Banco Nacional de Angola, foi criado para reunir a história do país, contada a partir da evolução da sua moeda ou de outros meios de troca. Do zimbo ao kwanza, passando pelo sal, o cobre e o sisal, incluindo os reis, o angolar e o escudo, é a História de Angola, desde o Reino do Congo à actual República, reunida num espaço de exposição permanente, com outros predicados, além da beleza arquitectónica e das preciosidades ali expostas. O empreendimento ocupa uma área bruta de 95 mil metros quadrados de construção.

Criado em 1938 como "Museu de Angola” e instalado na Fortaleza de São Miguel de Luanda, o actual Museu de História Natural, localizado no Largo do Kinaxixi, contava inicialmente com secções de Etnografia, História, Zoologia, Botânica, Geologia, Economia e Arte, e hoje apresenta um amplo acervo de espécies representativas da rica e variada fauna angolana. Tem três andares e alberga amplos salões onde estão exemplares empalhados de mamíferos, peixes, cetáceos, insectos, répteis e aves.

O Museu da Escravatura está no Morro da Cruz. Dedicada à memória da escravidão, é uma destacada instituição cultural do país. Criado, em 1977, pelo Instituto Nacional do Património Cultural, com o objectivo de dar a conhecer a história da escravatura em Angola, o Museu Nacional da Escravatura tem a sua sede na Capela da Casa Grande, templo do século XVII, onde os escravos eram baptizados antes de embarcarem nos navios negreiros, que os levavam para o continente americano.

Um imponente Monumento com enquadramento paisagístico admirável, o Memorial Agostinho Neto foi criado para dar a conhecer a história do primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, com fotos, documentos e objectos da época. A estrutura, rapidamente se converteu numa obra de Santa Engrácia, que demorou décadas para ser completada. De Mausoléu, o Memorial passou a ser conhecido por "Foguetão”, analogia elevada ao seu potencial máximo, por vários artistas angolanos, entre os quais Kiluanji kia Henda.
Parque da Quiçama e o Palácio de Ferro

Quiçama é um Parque Nacional de Angola que possui 9.600 quilómetros quadrados de extensão e apresenta uma grande diversidade de vegetação, que vai desde a mata tropical seca, com cactos e embondeiros, até florestas tropicais e savanas, além de animais de várias espécies, como elefantes e girafas.

Interessante também é ver lá do alto o famoso Rio Kwanza, o maior e mais importante rio de Angola. Localizado a 75 quilómetros a norte de Luanda, o parque foi criado como reserva de caça, aos 16 de Abril de 1938. Tornou-se Parque Nacional em 1957, mediante declaração do Ministério do Ultramar a 20 de Janeiro de 1955.

Palácio de Ferro. Edifício histórico de Luanda, que se crê ser da autoria de Gustave Eiffel. A história está envolta em mistérios, já que não existem registos da sua origem. Acredita-se que a estrutura em ferro forjado tenha sido construída na década de 1880 ou 90, em França, como pavilhão para uma exposição, e posteriormente desmontado e transportado de barco, com destino provável a Madagáscar.

O mesmo navio terá sido desviado da sua rota pela corrente de Benguela, naufragando perto da Costa dos Esqueletos. Após a Independência e a subsequente Guerra Civil Angolana, o palácio entrou em ruína e o espaço envolvente ficou transformado num parque de estacionamento. Em 2009, o Palácio de Ferro sofreu obras de restauro e foi entregue ao Ministério da Cultura.

Do areal às centralidades
O surgimento de projectos habitacionais do Estado, em particular das novas centralidades, constitui um dos principais ganhos de Luanda, nos últimos 19 anos de paz efectiva, num processo que marca o acentuar gradual da transformação da cidade.A problemática do fomento e acesso à habitação continua nas prioridades do Executivo angolano, que já concebeu mais de 10 projectos habitacionais, só na capital do país, com vista a conferir dignidade e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.Os novos fogos habitacionais surgem ao abrigo do Programa Nacional de Urbanismo e Habitação, que se apoia em três premissas fundamentais: construção de habitações sociais, desenvolvimento de novas centralidades e requalificação urbana.

No quadro da estratégia nacional de fomento à habitação, Luanda tem sido a província mais privilegiada, tendo registado a execução de várias obras de construção de projectos habitacionais de média e baixa renda, com destaque para as centralidades.Em termos concretos, o Kilamba é a maior centralidade construída até ao momento, em todo o país, quer em número de equipamentos, quer em termos de serviços. Segue-se a centralidade do Sequele, considerada a segunda maior a nível de Angola, país com mais de 30 milhões de habitantes, grande parte a residir na periferia das urbes, sem acesso à água potável e saneamento básico.

Entre os principais projectos de urbanização da província constam as centralidades do Kilamba, Sequele, Vida Pacífica, KK 5000, Zango 5, Km44 e a Urbanização Nova Vida. A estes juntam-se outros de média renda e as casas sociais nos Zangos I, II, III, IV, além dos projectos habitacionais de Luanda Sul, da Sapú e do Mayé-Mayé.  Estes últimos surgiram no quadro do Programa de Emergência Habitacional, que se iniciou com os projectos Luanda Sul e Zango, onde foram realojados os munícipes saídos de zonas de risco e de áreas requalificadas pelo Gabinete de Obras Especiais.

O programa abrange, em concreto, os moradores das Encostas da zona do Palácio Presidencial, Chicala 1 e 2, Boavista, entre outras áreas requalificadas da capital do país, que completou, na última segunda-feira, dia 25 de Janeiro, 445 anos desde a sua fundação, em 1576.Na base da criação dos Zangos, Luanda Sul e Sapú, esteve a necessidade de reabilitação e modernização do centro da cidade, a requalificação de alguns bairros e a expansão da cidade rumo a novos eixos.

As autoridades pretenderam com esta estratégia, que deu impulso às centralidades,  reverter a ocupação ilegal de terrenos e o crescimento desordenado da cidade.Neste âmbito, surgiram os projectos Zango, com mais de 600 mil habitantes, Sapú, com mais de 20 mil moradores, e Luanda Sul, com mais de 40 mil, que passaram a tomar as dimensões de pequenas cidades, tornando-se em referências a nível nacional.

As residências ali construídas ajudaram na melhoria da qualidade de vida de milhares de famílias, permitindo a execução de infra-estruturas sociais básicas e estruturantes.Actualmente, as populações retiradas de várias zonas de risco e onde foram executadas diversas obras estruturantes da cidade de Luanda tiveram as suas condições de habitabilidade melhoradas, com acesso a diversos serviços, até então inexistentes.

José Bule

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