Sociedade

Luísa Grilo inspecciona condições em Calumbo

A ministra da Educação, Luísa Grilo, efectuou, ontem, na comuna de Calumbo, uma visita de constatação sobre as condições de biossegurança para o reinício das aulas da primeira à quinta classe, que devem arrancar a 10 de Fevereiro em todo o país.

26/01/2021  Última atualização 10H12
Ministra constata que estão criadas as condições para o arranque das aulas da sexta classe © Fotografia por: Agostinho Narciso |Edições Novembro
No Complexo Escolar 5097,  Luísa Grilo ouviu de professores,  moradores e do soba da localidade problemas ligados à degradação das infra-estruturas, como fissuras no chão, falta de estradas asfaltadas, merenda escolar, transporte para docentes e discentes e o excesso de alunos nas salas de aula.

A ministra, que efectuou ainda a visita no âmbito do Dia Internacional da Educação, que se assinalou domingo, 24 de Janeiro, sublinhou que "a educação acontece nas localidades, no interior das comunidades, por isso viemos celebrar com a escola de uma comuna  rural distante, para provar que não estão esquecidas. Há dificuldades, mas estamos aqui para juntos vencermos”.
Considerou o elevado número de alunos nas salas de aula e os que estão fora do sistema de ensino como "um desafio que rapidamente deve ser resolvido”.

Luísa Grilo, que levou materiais didácticos e de biossegurança, sublinhou que estão criadas as condições para o reinício das aulas e apontou a higienização das casas de banho e a observância nos cuidados como indicativos positivos.
"Existem condições, tivemos antes, já para o ensino primário, o reinicio da 6ª classe. Se não tivemos qualquer  constrangimento, então acredito que, com as  cautelas que se impõem, vamos começar, porque há condições mínimas na maioria das escolas”, sublinhou.

O facto de cada sala albergar cem alunos é outra preocupação que aflige  professores e a própria comunidade, facto também constatado pela ministra Luísa Grilo.

Dificuldades apresentadas    

Osvaldo Tchinhama, professor da 6ª classe, disse que a escola, por estar numa zona rural, os docentes encontram muitas dificuldades de transporte, porque têm de recorrer às moto-táxis para chegarem à instituição, gastando para isso grande parte do salário.
Revelou que a falta de me-renda escolar é algo que desmotiva a continuação dos alunos nas aulas. "A fome é um factor que tem causado desistência escolar. Vivem distantes e ficam muitas horas sem uma refeição”, lamentou.

O soba da localidade, José Anselmo, apontou problemas como a degradação da escola, e o baixo número de professores, que as autoridades devem suprir. Inácio Gonga, presidente da Associação dos Professores Angolanos (APA),  apelou ao Governo que dê maior valorização à Educação e ao ensino no país.”Peço que continue a acreditar numa educação de qualidade, mas não se pode descurar de um princípio que é a criação de condições materiais e humanas para que de facto possamos ter a escola dos sonhos”, disse.

Inácio Gonga disse ainda ser importante para a construção de uma Angola melhor investir-se mais na educação, nas infra-estruturas e na formação de professores. Referiu que as principais dificuldades que o professor de uma zona rural enfrenta estão ligadas à habitabilidade e salários condignos.

"É preciso que no surgimento das escolas nas zonas rurais não fique esquecida  a figura do professor. O professor deve ser motivado e para ter  amor à profissão é preciso ter o básico para sobreviver com alguma dignidade”, disse, lembrando que nas cidades os professores têm algumas condições criadas, e na zona rural a realidade é diferente.
Para o responsável, a melhoria das condições nas escolas contribui para motivar o professor a não abandonar as zonas rurais para as cidades.

Edna Mussalo

Jornalista

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