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Mais de 50 crianças foram raptadas em Cabo Delgado

Pelo menos 51 crianças foram raptadas por grupos rebeldes desde Maio de 2020 em Cabo Delgado, Norte de Moçambique, anunciou, ontem, a Organização Não Governamental (ONG) internacional Save the Children.

11/06/2021  Última atualização 05H00
Muitos menores são raptados por grupos armados para servirem como soldados © Fotografia por: DR
 "Pelo menos 51 crianças, a maioria raparigas, foram raptadas por grupos rebeldes na província, nos últimos 12 meses”, sendo que "os números reflectem apenas os casos reportados, estimando-se que o balanço real de raptos de crianças seja muito superior”, lê-se em comunicado.
A análise baseia-se em dados recolhidos pelo projecto de registo de conflitos e segundo a ONG "mostra o rapto de crianças como uma nova e alarmante táctica dos grupos armados envolvidos no conflito”.

"Antes de 2020, não havia registo de assassínios ou raptos de crianças”, sublinha.
Chance Briggs, director da Save the Children em Moçambique, diz que "raptar uma criança constitui uma das seis violações graves em tempos de conflitos, como definido pela ONU” e "pode ser um primeiro passo para a existência de crimes de guerra - a par do recrutamento forçado de crianças ou a violência sexual contra menores”.

O comunicado relata detalhes de alguns raptos, como num ataque, a 7 de Janeiro, em que 21 pessoas, incluindo seis crianças, foram raptadas, num incidente em que, pelo menos, sete pescadores foram decapitados.
Noutro ataque, a 9 de Junho de 2020, dez raparigas foram raptadas enquanto tiravam água de um poço.

Os sinais de recrutamento de menores para formação de crianças-soldado pelos grupos rebeldes foram relatados à Lusa em Abril pelo padre Latifo Fonseca.
"Algumas pessoas que foram aos acampamentos de rebeldes encontraram crianças”, referiu, na altura, o missionário e investigador do Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE) moçambicano, de acordo com informações que ouviu de quem já foi raptado pelos grupos armados e conseguiu fugir.

As descrições alinham-se com outras de mães, cujos filhos desapareceram durante a investida de rebeldes contra as aldeias de Cabo Delgado.
João Feijó, investigador do Observatório do Mundo Rural (OMR), referiu, numa outra entrevista à Lusa, também há dois meses, que o destino de raparigas seleccionadas pelos rebeldes pode ser redes de tráfico de mulheres que se estendem até à Europa e Golfo Pérsico.

Os grupos armados aterrorizam a província desde 2017, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo Estado Islâmico, numa onda de violência que já provocou mais de 2800 mortes segundo o projecto de registo de conflitos e 714 mil deslocados de acordo com o Governo moçambicano.
Um ataque a Palma, junto ao projecto de gás em construção, a 24 de Março, provocou dezenas de mortos e feridos, sem balanço oficial anunciado. As autoridades moçambicanas recuperaram o controlo da vila, mas os tiroteios têm continuado e o ataque levou a petrolífera Total a abandonar o recinto do empreendimento que tinha início de produção previsto para 2024 e no qual estão ancoradas muitas das expectativas de crescimento económico de Moçambique na próxima década.


Guerra contra  a corrupção


Um tribunal de Maputo condenou, ontem, o ex-presidente do município, David Simango, a uma pena de prisão convertida em multa, depois de a esposa ter recebido em 2013, um apartamento, num prédio em cuja construção o autarca interveio.
Segundo a Lusa, eleito pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, David Simango foi acusado dos crimes de "aceitação de oferecimento ou promessa e abuso de cargo e função” e acabou condenado a uma pena de 18 meses de prisão e 15 meses de multa- sendo que a pena de prisão foi também convertida em multa.

Em causa está um apartamento T3 avaliado em cerca de 375 mil euros numa das principais artérias de Maputo, recebido pela esposa como contrapartida pela intervenção do edil a favor da sociedade Epsilon Investimentos no processo de construção. No âmbito do processo, o imóvel foi declarado a favor do Estado.

Ainda ontem, o Fórum de Monitoria do Orçamento (FMO) defendeu que o Presidente moçambicano deve responder à notificação judicial da Privinvest no caso das dívidas ocultas, considerando não haver impedimento à luz da Constituiçãodo país nem do Direito Internacional.


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