Opinião

Mais do que o dinheiro

As verbas disponibilizadas, por decreto e despacho presidenciais, para limpeza da província de Luanda, no total de muitos milhares de milhões de kwanzas, são para o cidadão comum difíceis de calcular e perceber se chegam, sobram ou escasseiam.

26/02/2021  Última atualização 11H04
A imundície na capital do país e no resto da província na qual se insere é de tal modo tamanha que poucos luandenses conseguem calcular para o que servem. O que sabem é o que desejam: que aos responsáveis por tanto dinheiro sobeje empenho, competência, honestidade e vigilância. Para quê? Para evitar repetições de cenários conhecidos com duplos no lugar de actores tristemente famosos. A tentação pelo alheio é grande. Todo o cuidado é pouco.

Há por aí ainda muita raposa disfarçada de "cão de guarda” a farejar capoeiras.  Que não se caia, também, na hora das barrelas,  de privilegiar bairros e ruas onde vivam familiares, amigos, funcionários de organismos participantes, directa ou indirectamente, nas "operações de limpeza”. Além disso, que a maquinaria não seja "guardada” em "espaços vedados”, pertenças de partilhadores de vigarices, ou postas ao serviço de obras privadas.

O que também é necessário ter sempre presente é que as barrelas não têm efeito eterno. São "curitas”, ligaduras, algodão, adesivo, tintura, soro, primeiros socorros prestados antes da grande operação, quando... houver vaga. Entretanto,  há que constituir a equipa de profissionais experimentados, com provas dadas, que conheçam os males e o tratamento a dar a Luanda. A juntar,  que a conheçam e a amem desinteressadamente.

As verbas de muitos milhares de milhões de kwanzas, agora disponibilizadas para acudir a uma situação extremamente gravosa apenas existem porque durante décadas se olhou para Luanda, designadamente a capital, como coisa de somenos, ponto de partida de fortunas pilhadas ao erário. O que interessava - e interessa - à gatunagem de "colarinho branco” eram - são - os luxos faraónicos egoístas e bacocos. 

Os milhares de milhões de kwanzas acabados de ser disponibilizados para livrar Luanda do lixo que a transborda, a curto ou médio prazo, de pouco servirão se não for seleccionado, de imediato, um grupo de profissionais, de vários sectores, comprovadamente competentes, honestos e empenhados, avessos a poses, promessas vãs, discursos de nada dizer.  O dinheiro, em certas situações, ao contrário do que possa parecer, pode não chegar.

Luciano Rocha

Jornalista

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