Sociedade

Manifestantes marcham pela “melhoria das condições sociais”

Um grupo de jovens manifestou-se hoje, no Largo da Independência, em Luanda, reivindicando melhores condições sociais básicas, como emprego, fornecimento de água potável, energia eléctrica, educação de qualidade, redução dos preços da cesta básica e um combate transparente e verdadeiro contra a corrupção.

21/11/2020  Última atualização 21H36
Manifestante defendem a redução dos preço da cesta básica © Fotografia por: Contreiras Pipa | Edições Novembro
Fernando Macedo, um dos promotores da manifestação (juntamente com Helena Victória Pereira, Leandro Freire, Laura Macedo e Muata Sebastião) disse que é necessário que o titular do poder Executivo evite combater "a corrupção usando dois pesos e duas medidas, porque, desta forma, não se conseguirá melhorar a condição de vida dos angolanos”.

Por seu lado, Muata Sebastião, activista social, disse que as manifestações vão continuar até que o partido no poder "dê ao povo, pelo menos, as condições sociais básicas”.
"Hoje há falta de quase tudo, as famílias estão a passar fome e o número de jovens desempregados aumentou consideravelmente”, assegurou.

Muata Sebastião frisou que tudo acontece porque "um certo grupo de pessoas” achou que era”dono do país e tiraram tudo o que bem entenderam”.
Em relação à pacificidade da manifestação, Mota Sebastião disse que, ao contrário da última, "correu calmamente e a Polícia respeitou os manifestantes. Espera-se que a próxima, marcada para dia 10 de Dezembro, aconteça no mesmo ritmo”, disse o activista.

Os manifestantes concentraram-se apenas no Largo 1º de Maio, com cartazes e músicas que apelavam pela melhoria das condições sociais básicas. Os agentes da Polícia Nacional mantiveram-se à distância e sem interferir no grupo de manifestantes, que deveria rondar as 100 pessoas. A manifestação terminou por volta das 17 horas.

Morte de Inocêncio de Matos

A família de Inocêncio de Matos, manifestante que morreu no dia 11 de Novembro, pediu, hoje, em conferência de imprensa, em Luanda, que se faça justiça. O pai do antigo estudante está em vigília silenciosa junto à Procuradoria Geral da República (PGR).

No final da intervenção, Alfredo de Matos garantiu que iria abandonar a sala para se dirigir-se ao edifício da PGR, em Luanda, para ali ficar em vigília silenciosa, "até que se faça justiça” e que seja possível enterrar o filho "com dignidade”.
"Vou-me postar frente à PGR até que se faça justiça pelo meu filho. Não vou para retaliações, não vou fazer desacatos”, disse Alfredo de Matos.

O Jornal de Angola confirmou, durante a tarde de ontem, a presença do pai de Inocêncio de Matos nas imediações da PGR.
Durante o encontro com os jornalistas, Alfredo de Matos reafirmou a vontade familiar em realizar "uma autópsia assistida”, rejeitando as explicações da PGR (divulgadas ontem em comunicado), e também que seja permitido fotografar o corpo do malogrado antes do início dos trabalhos.

Zola Bambi, advogado da família, afirmou que vai processar o Estado e a Polícia Nacional, estando a efectuar diversas diligências, entre as quais o pedido de autópsia independente face às "desconfianças” quanto à versão oficial.
"Havendo dúvidas quanto à primeira autópsia, para, nós é essencial ter imagens do corpo. Como não permitiram a entrada do fotógrafo, solicitamos que, pelo menos, pudéssemos fotografar o corpo antes da autópsia. Não permitiram. Assim, a equipa decidiu não prosseguir com a autópsia”, salientou o advogado, acrescentando que apresentou uma reclamação junto da PGR.

Alfredo de Matos garantiu ainda que, na sua opinião, a manifestação que aconteceu no dia 11 de Novembro era legítima e que Inocêncio de Matos estava apenas a exercer os seus direitos de cidadania.
Alexa Sonhi e Miguel Gomes


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