Sociedade

Metodistas condenam demolição de templo

A Igreja Metodista Unida considera desrespeito à sua imagem a demolição do templo na Urbanização do Sequele, em Luanda, e agressão física de um fiel, no passado dia 3, por elementos do Serviço de Fiscalização, afectos à Administração do Município de Cacuaco.

19/11/2020  Última atualização 12H51
Além da estrutura do templo foram destruídos vários meios para a realização © Fotografia por: DR
Contactada para comentar a publicação feita na passada segunda-feira, 16, no Jornal de Angola, o presidente para Comunicação da Conferência Anual do Oeste de Angola, órgão colegial responsável pela gestão da Igreja Metodista Unida, a nível nacional, defende que a igreja merecia ser tratada com mais respeito e dignidade.
Segundo Augusto Bento, a direcção da Igreja Metodista Unida recebeu com tristeza as informações sobre o sucedido, por ser igreja centenária, vincada na disseminação da palavra de Deus e dedicada à formação.

Augusto Bento disse que o fiel agredido se encontra bem de saúde, depois de ter sido submetido aos primeiros socorros numa unidade sanitária próxima do sucedido, sem no entanto contar ao detalhe as circunstâncias em que ocorreu o incidente. Prometeu avançar, noutra ocasião, informações sobre uma possível abertura de um processo, por agressão física e ofensas corporais ao fiel.
O presidente para Comunicação da Conferência Anual do Oeste de Angola mostrou-se surpreso pela atitude, numa altura em que negociações estavam em curso com a Administração do Distrito Urbano do Sequele, para a deslocação do templo.
Disse que, além da estrutura, foram destruídos os meios para os cultos, bem como material de construção.

O templo, de estrutura pré-fabricada, foi montado há mais de quatro anos e tinha capacidade para mais de 800 pessoas.
"Precisávamos apenas de um aviso prévio, que nos permitisse retirar as coisas para um outro local, porque a nossa estrutura é pré-fabricada. Houve muita perda. Não estávamos ilegais, pois a Administração Municipal e do Distrito tinham conhecimento da nossa existência”, explicou, para informar que decorrem negociações entre as direcções da Igreja e da Empresa Gestora de Terrenos Infraestruturados no sentido de se encontrar um lugar, para a fixação de outro templo.

Na publicação de segunda-feira, a Igreja condena a demolição do templo por efectivos do Serviço de Fiscalização afectos à Administração do Município de Cacuaco, a quem acusa de terem agredido fisicamente um fiel.
A nota foi assinada pelo Bispo Gaspar João Domingos, que lamenta o facto, lembrando que a Igreja é do povo e existe para servi-lo.  "A Igreja Metodista Unida é uma reserva moral do país, um repositório da memória das Lutas de Libertação e uma instituição a ser respeitada e protegida”, lê-se na publicação.

O templo em causa faz parte de uma lista de mais de 20 estabelecimentos destruídos, sem aviso prévio, na Urbanização do Sequele, por terem sido construídos sem a autorização do proprietário do espaço, a Empresa Gestora de Terrenos Infraestruturados (EGTI). A Administração do Distrito Urbano do Sequele tinha cedido provisoriamente os espaços, mediante uma licença de exploração, renovável por um período de um ano.
O Jornal de Angola tentou contactar o director do Serviço de Fiscalização do Município de Cacuaco para reagir às acusações que recaem sobre os efectivos, mas não obteve sucesso.

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