Mundo

Nyusi apela aos militares a defenderem projectos

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, apelou, quarta-feira, às Forças Armadas para terem uma “atenção acrescida” na defesa dos projectos de gás natural na província de Cabo Delgado, considerando a restauração da paz um “desafio imediato”, noticiou a Lusa.

22/01/2021  Última atualização 10H05
Chefe de Estado moçambicano exorta forças de Defesa e Segurança a redobrar a vigilância © Fotografia por: DR
Falando na tomada de posse do novo chefe do Estado Maior-General das FADM, Eugénio Mussa, e do vice-chefe, Bartolino Capitine, o Presidente salientou que um dos desafios dos militares é "defender com garra todas as infra-estruturas e projectos económicos em curso ou a ser desenvolvidos em todo o território nacional, olhando com uma atenção acrescida aos que ocorrem na península de Afungi”.
A zona, na província de Cabo Delgado, Norte de Moçambique, acolhe o maior projecto de investimento privado no continente africano destinado à exploração de gás natural.O Presidente moçambicano descreveu como "terroristas” os grupos armados que protagonizam ataques naquela província, assinalando que a violência armada na região faz parte de uma estratégia de pilhagem dos recursos naturais do país.

"Os recursos naturais africanos têm sido alvo de uma pilhagem sistemática, sendo Moçambique parte deste continente, vê-se hoje mergulhado em ataques terroristas com o mesmo objectivo de pilhar as riquezas nacionais”, enfatizou Filipe Nyusi. Os recursos naturais que deveriam ser uma salvação para o continente são hoje uma maldição, continuou.O Presidente moçambicano apontou igualmente os ataques armados protagonizados pela Junta Militar, uma dissidência armada da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), o principal partido da oposição, como outro desafio para a nova direcção das FADM.

Os ataques armados da Junta Militar "são algumas dessas ameaças que urge continuar a responder com cada vez maior contundência e eficácia combativa”, destacou.O chefe e o vice-chefe do Estado Maior-General, prosseguiu, devem assegurar a criação de condições logísticas necessárias à eficácia das operações das FADM no combate à violência armada no Norte e Centro do país. Eugênio Mussa substitui no cargo Lázaro Menete e Bertolino Capitine vai ocupar o lugar de Raúl Dique.

Na véspera, Filipe Nyusi tinha aceite que a companhia petrolífera francesa que opera na província de Cabo Delgado pudesse reforçar a segurança do empreendimento de gás natural. Grupos rebeldes que há três anos aterrorizam a província nortenha de Moçambique aumentaram os ataques em 2020 e têm se aproximado do recinto de construção, levando a um abrandamento do projecto e à saída de pessoal no final do ano.

A 24 de Agosto de 2020, a companhia francesa já tinha anunciado uma revisão do memorando de entendimento com o Governo moçambicano para a operacionalização de uma força conjunta com as Forças de Defesa e Segurança (FDS) para protecção do projecto.

  África do Sul lamenta "impotência” regional

A ministra das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, Naledi Pandor, considerou preocupante a "incapacidade” dos países da África Austral para encontrar uma solução conjunta para a violência armada no Norte de Moçambique."A situação em Moçambique e a nossa incapacidade como SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral) em acordar o tipo de apoio conjunto que poderemos providenciar continua a ser um enigma muito preocupante para nós, o Governo sul-africano”, declarou Naledi Pandor.

A chefe da diplomacia sul-africana sublinhou que Pretória "encetou todos os esforços possíveis junto do Governo de Moçambique para delinear em conjunto uma agenda de apoio”, mas até ao momento ainda não foi possível "concretizar exactamente a natureza do apoio” que deverá ser dado ao Governo moçambicano, "seja através da Polícia, dos serviços de informação, ou mesmo através das Forças Armadas”.

A ministra explicou ainda que a SADC vai realizar uma cimeira especial sobre "as incursões que temos acompanhado naquele país e as várias acções terroristas”, na província de Cabo Delgado, onde a violência armada está a provocar uma crise humanitária com cerca de duas mil mortes e 560 mil pessoas deslocadas. "Estamos muito preocupados com a situação humanitária em Cabo Delgado, e recebemos um pedido da Cruz Vermelha em Moçambique para a África do Sul enviar ajuda humanitária de emergência, estamos a considerar os parcos meios de que dispomos e espero que através do Fundo de Renascença Africana possamos prestar alguma ajuda”, disse a ministra sul-africana. Naledi Pandor falava, quarta-feira, numa videoconferência promovida pelo Instituto de Política Internacional britânico Chatham House, com sede em Londres, sobre o papel regional e global da África do Sul.

Enquanto isso, o chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva, esteve em Moçambique, como enviado da União Europeia (UE) em resposta ao pedido de cooperação de Maputo face à violência armada em Cabo Delgado.A União Europeia pretende ajudar Moçambique no treino e equipamento militar, na ajuda humanitária às populações deslocadas e, eventualmente, missões de vigilância costeira como eventuais áreas da cooperação europeia. Filipe Nyusi, no encontro com o enviado da União Europeia, manifestou-se satisfeito e optimista quanto à ajuda que a organização pretende dar ao seu país, mas que não especificou.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Mundo

Opinião

Política