Opinião

O que a crise nos pode dar

Depois de tudo o que foi dito sobre a crise económica e a retoma dos índices de actividade industrial em fase pós pandemia, um aspecto salta à vista, pela importância capital que exerce nos processos de desenvolvimento:

24/11/2020  Última atualização 06H25
Os valores sociais, ou seja, os princípios ético-morais que os gestores, quer públicos, quer privados, devem implementar no exercício das suas funções. O fraco controlo da cartilha de valores por parte destes gestores põe em causa o funcionamento do sistema económico, destrói valor e arrasta terminantemente para o desemprego milhares de pessoas em todo mundo.

O surgimento da pandemia vem reforçar não só a importância dos valores sociais, tais como a solidariedade e amor ao próximo, como também realçar a interdependência dos cidadãos, sem discriminação do estrato social, uma vez que todos os cidadãos são susceptíveis de serem infectados. Ora, urge retirar ilações e preparar o futuro, pois os ciclos têm o seu percurso. Já se vislumbra a fase terminal da pandemia e é preciso que as organizações estejam preparadas para o processo de recuperação e retoma económica.
Na fase da retoma, estarão na linha da frente aquelas grandes, pequenas e microempresas que estiverem preparadas para abordar os seus mercados de uma forma visionária, com o modelo de governance ajustado aos novos desafios. Para os países africanos, será importante promover reformas estruturais, para recentrar as economias em função do novo enquadramento económico. Deve ser dada prevalência à modernização da administração pública e apostar no desenvolvimento de áreas como o agro-negócio, energias limpas, etc.

Em tempo de crise, é preciso arrumar a casa, estudar as várias alternativas de posicionamento do negócio e consolidar uma gestão que crie valor. A criação de valor deve estar intimamente ligada ao comportamento ético, à integridade e honestidade empresarial. Por muito estranho que pareça, estes valores estão na base da solvência e robustez das instituições que não sucumbiram à crise e passam por ela gerindo as ameaças que se põem no ambiente de negócio. O sentimento de crise associado à ausência de valores impacta nos índices de confiança, o que, de certa forma, cria incertezas.

É importante a recuperação da confiança do mercado, para que a classe empresarial, investidores e cidadãos participem de forma activa. Esta confiança constrói-se por via das reformas já referidas, também, por acções, atitudes e comportamentos que visem o enriquecimento do cidadão como principal agente de transformação social. Portanto, é da alavancagem destes valores, que serão partilhados e aceites por todos, que surgirá um espírito nacional verdadeiramente positivo.

Angola melhorou nos últimos anos no índice de governação em Africa e o desafio passa precisamente pela transposição destes valores sociais para o âmbito estratégico e à sua posterior ‘tradução’ em objectivos específicos e metas quantificáveis no que à organização empresarial diz respeito. Portanto, a ideia é tornar esses valores explícitos, para que possam ser entendidos e geridos.
Ora, perante este estado de coisas, e preocupados com a situação económica mundial, os Estados decidiram pela intervenção, para conter os danos que teimam em alastrar-se por toda economia mundial. São definidas estratégias para cimentar os índices de confiança e por via desta estimular a economia, proteger o emprego, assim como reforçar o sistema bancário mundial.

*Economista

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