Coronavírus

OMS acusa países ricos de minar o sistema de distribuição de vacinas

O director da Organização Mundial da Saúde (OMS) acusou na segunda-feira "certos países ricos de minar" o sistema de distribuição equitativa de vacinas contra a Covid-19, o Covax, ao persistirem na abordagem directa aos fabricantes para ter acesso ao imunizante.

23/02/2021  Última atualização 18H45
Tedros Adhanom Ghebreyesus, director-geral da OMS © Fotografia por: DR
"Alguns países ricos estão actualmente a abordar fabricantes para garantir o acesso a doses adicionais de vacinas, o que tem efeito nos contratos com o Covax, e o número de doses alocadas ao Covax foi reduzido por causa disso", criticou Tedros Adhanom Ghebreyesus durante uma conferência de imprensa conjunta por videoconferência com o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier.

O sistema Covax foi criado para tentar evitar que os países ricos obtenham todas as doses das vacinas que são fabricadas ainda em quantidade muito pequena para atender às exigências globais, incluindo um mecanismo de financiamento que deverá permitir que 92 economias de baixa e média renda tenham acesso às vacinas

Também na segunda-feira, a OMS alertou para um défice de 22,9 mil milhões de dólares no financiamento, em 2021, do programa internacional de apoio a vacinas, tratamentos e diagnósticos para a Covid-19.
Segundo Tedros Adhanom Ghebreyesus, faltam 22,9 mil milhões de dólares para "financiar plenamente o ACT Accelerator este ano".

Coordenado pela OMS, o programa ACT Accelerator é uma iniciativa global lançada em Abril de 2020 que visa acelerar o desenvolvimento, a produção e o acesso equitativo a testes de diagnóstico, tratamentos e vacinas para a Covid-19, envolvendo governos, sociedade civil, empresas, filantropos e organizações públicas e privadas.

Tedros Adhanom Ghebreyesus enalteceu que os países do G7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) e a União Europeia se tenham comprometido na sexta-feira, numa cimeira virtual, a doar 4,3 mil milhões de dólares para o ACT Accelerator, destacando a sua "capacidade de liderança".
"Mas precisamos de acelerar (mais)", advertiu, ressalvando, no entanto, que "o dinheiro não é o único desafio".

"Se não há vacinas para comprar, o dinheiro é irrelevante", apontou o director-geral da OMS, reiterando o apelo para que os países ricos partilhem vacinas para a Covid-19 com os mais pobres, as farmacêuticas produzam mais vacinas e uns e outros respeitem os acordos com o mecanismo de distribuição equitativa Covax.

Tedros Adhanom Ghebreyesus vincou que as vacinas "serão um recurso limitado" até ao fim do ano, pelo que há que "usá-las de forma estratégica", priorizando os profissionais de saúde e os idosos, mais vulneráveis à Covid-19.

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