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Os motivos que levam Genebra a um salário mínimo de 3700 euros

A notícia de que o cantão suíço de Genebra passou a ter um salário mínimo de 23 francos (cerca de 21 euros) por hora, cerca de 3.700 euros mensais, o mais alto do mundo, surpreendeu muitos, mas há explicações para este elevado valor.

15/11/2020  Última atualização 13H05
O cantão suíço tem um custo de vida muito elevado © Fotografia por: DR
Genebra é uma zona muito rica, com um enorme sector bancário privado, as Nações Unidas e as famosas casas de leilões Sotheby's e Christie's, que regularmente vendem pedras preciosas enormes por preços assustadores. A introdução do salário mínimo resulta de um referendo no final de Setembro. E o que levou a isso?

Este cantão suíço pode ser rico, mas também é o lar de dezenas de milhares de funcionários de hotéis, empregados de mesa, pessoal de limpeza e cabeleireiros que lutam para sobreviver. Quando a Suíça entrou em confinamento, em Março passado, as imagens de filas de pessoas nos bancos de alimentos em Genebra chegaram às manchetes da imprensa.

Charly Hernandez dirige a instituição de caridade Colis du Coeur e explicou à reportagem da BBC que 4.000 euros podem parecer muito, mas há factores a ter em conta, sobretudo o elevado custo de vida em Genebra.
"Um quarto individual custa mil francos por mês, precisa ainda de 500 francos por mês para comida, se tiver um seguro de saúde são mais 550 por mês por pessoa. Quem tiver uma família com dois filhos, mal consegue sobreviver.”

O novo salário mínimo fará a diferença para muita gente, como Ingrid, que recorre ao banco de alimentos.
"No final do mês, os meus bolsos estão vazios. Este (banco de alimentos) tem sido excelente, porque garante uma semana de alimentação. Uma semana de alívio”, relatou à BBC.

Até mesmo alguns dos voluntários da associação, como Laura, consideram o custo de vida de Genebra difícil. Com o salário de enfermeira, não pode pagar uma casa própria na cidade.
"Só se fosse a morar num lugar muito pequeno, um quarto. Por isso, ainda moro com minha família. Tenho 26 anos”, explicou.

Quem vai pagar?
As empresas que oferecem menos de 23 francos por hora agora terão que aumentar o salário dos funcionários. Ter que arcar com esse novo custo numa pandemia de Covid e com uma queda drástica nos lucros pode causar mais danos do que benefícios, teme Vincent Subilia, da Câmara de Comércio de Genebra.
"Hotéis e restaurantes são áreas que já enfrentam grandes desafios devido à pandemia. Isto pode comprometer a própria existência desses sectores”, disse.

Um dono de restaurante, Stefano Fanari, disse à televisão suíça que não considerava ter capacidade para pagar a conta.
"Não sou contra alguém que ganha 4.000 por mês, mas chegamos a um ponto em que simplesmente não podemos pagar isso. Sacrifiquei-me, trabalho 12 horas por dia aqui. O que devo fazer?”

O salário mínimo de Genebra foi legislado não por vontade do Governo, mas porque cidadãos de Genebra propuseram-no como uma "iniciativa do povo”. Reuniram assinaturas suficientes para convocar um referendo sobre o assunto e, em 27 de Setembro, os eleitores disseram que sim, com uma maioria de 58% a 42%.


COMBATE AO SEXISMO

A palavra "mulher” recebeu novas definições nos dicionários de OxfordPara combater o sexismo e estereótipos de género, a Oxford University Press efectuou mudanças nas definições da palavra "mulher” nos seus dicionários, incluindo o Dicionário de Inglês Oxford. Publicações passam a incluir formas mais positivas de descrever uma mulher.

"Expandimos as definições da palavra 'mulher' nos nossos dicionários, com mais exemplos e frases idiomáticas que retratam as mulheres de uma maneira positiva e activa”, refere o departamento de publicações da Universidade de Oxford, num comunicado citado pela CNN.
A editora diz que isto faz parte do esforço contínuo de "reexaminar” a linguagem para garantir que esteja actualizada para um "público moderno”.

"Assegurámos que sinónimos ou sentidos ofensivos sejam claramente rotulados como tais e incluídos apenas onde houver evidências de uso no mundo real”, acrescenta.
Por outro lado, frases como "a mulher do momento” foram adicionadas para igualar a expressão até aqui exclusivamente masculinizada de "homem do momento”, utilizada para realçar alguém em destaque.

A diversificação das definições de "mulher” incorpora também uma nova abertura à inclusão de relações pessoais mais diversificadas: assim, mulher refere-se agora a "esposa, namorada ou amante” de uma pessoa, em vez de estar ligada apenas a um homem. Mas também a definição de "homem” foi actualizada, para incluir termos de género neutro.

Uma petição no site Change.org, em 2019, exigia que as publicações da Universidade de Oxford removessem os termos sexistas nas definições de mulher. A petição foi assinada por dezenas de milhares de pessoas.
Entre as frases denunciadas, estavam exemplos como os seguintes: "A Sra. September vai personificar a mulher profissional, inteligente e sexy;” "Eu disse para você estar em casa quando eu chegar, mulherzinha;” ou "Se isso não funcionar, elas podem tornar-se mulheres de rua”. Frases que surgiam em livros de referência produzidos pela editora, bem como no diccionário online Lexico, que obtém conteúdo dos diccionários da Universidade de Oxford..

Os lexicógrafos de Oxford reviram então exemplos e actualizaram conteúdos para assegurar que as representações da mulher passam a ser "positivas e activas”, disse a organização.
Assim, foram adicionados avisos em palavras "ofensivas, depreciativas ou datadas”. E os sinónimos foram revistos de forma a garantir que são "sinónimos genuínos”.

Por isso, alguns dos sentidos atribuídos à palavra mulher no passado, como "wench” (moça” ou "prostituta”) ou "piece” ("pedaço”), num termo de objectificação sexual)”, foram removidos ou viram ser-lhes acrescentado um rótulo de ofensivos, como acontece com o termo "bitch” ("vadia” ou "prostituta”).

A definição de "trabalho doméstico” também foi actualizada para tirar os atributos de género. "Ela ainda faz todo o trabalho doméstico” foi alterado para "Eu estava ocupado a fazer o trabalho doméstico quando a campainha tocou”.
"Os nossos dicionários reflectem, não ditam, a forma como a linguagem é usada”, afirma a editora da Universidade de Oxford, no comunicado citado pela CNN. "O conteúdo é motivado apenas pela evidência de como pessoas reais usam o inglês nas suas vidas diárias.”

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