Cultura

Os poetas e os escrevedores de qualquer coisa

Compelido pela força da solidariedade artística e saudade da UEA, oficina intelectual que muito frequentei entre 1994 e 1997, fui lá parar, nesta sexta-feira (26.02.2021) a convite da autora Mãe dos Setinhos para descobrir “No lugar onde hoje guardo a saudade”, poemário de 58 páginas (incluindo capa e contracapa), editado e distribuído pela Páginas e prefaciado e elogiado pelo jovem Eduardo Panzo, que se apresenta como escritor e editor.

28/02/2021  Última atualização 09H15
© Fotografia por: DR
Cumpridas as formalidades lúdicas e elogiosas, a audiência foi convidada a colocar questionamentos sobre três componentes: conteúdo, autora e editor.
Elogiada a presença dos entes mais importantes sempre que surja um livro (qualquer que seja), os leitores, fizemos vênia à editora (que transforma a intenção e meras palavras em produto legível) e à bafejada pela inspiração e sofredora da transpiração (para conferir beleza e forma estética às ideias que são naturais). Foi o lado formal do meu discurso indagador. Uma vez ao ataque, questionámos a existência de gralhas e incorrecções no texto escrito em Português e em expressões em Kimbundu, a magreza do livro (embora tenhamos reconhecido que a qualidade de um livro não se mede pelo tamanho) e o porquê que a Catarina, a Mãe dos Setinhos, "saiu novamente com poesia quando a aguardava com crónicas ou outro género narrativo?”

À parte, Catarina Rosa Linda, como ela se apresentava, é uma senhora que conheci no Facebook, há quase dez anos, e que acabou por me "adoptar” como pai ou seu mentor na aventura à escrita. Coitado de mim, que também aspiro à luz dos literatos!
Disse à Catarina, na sua pele de Mãe dos Setinhos, quando respondia às questões dirigidas à mesa, que "a crítica era a vitamina dos artistas”. Senti um conforto, um bálsamo às minhas perguntas (tecnicamente únicas) que aguardavam por respostas.

Mas foi do seu prefaciador e editor que ouvi a até agora inaudita loisa. Dentre várias flores, disse o jovem editor, se bem o percebi, que "quem não escreve poesia não é escritor!”
Será? Será mesmo?
É pena que o evento tenha sido da Catarina, minha filha adoptante.
Uanhenga Xitu e Manuel Pedro Pacavira, só para retirar estes de uma extensa floresta nacional e internacional (que não publicaram poesia) não foram escritores?
"Aquilo”, dito numa casa como a UEA,  local de erudição e excelência, confesso, soou-me a heresia.
A terminar essa pros’apressada, refugio-me na acha do mestre David Mestre que escreveu e retenho, "nem tudo é poesia”!
Soberano Kanyanga |


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