Política

Projecto de mobilidade vai ser discutido em Luanda

Isaque Lourenço

Jornalista

O projecto de mobilidade na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa é visto como um passo decisivo na integração das pessoas, dos negócios e dos empresários, o que faz com que a próxima Cimeira, a realizar-se em Julho, em Luanda, seja de grande importância para os nove Estados que integram a comunidade, segundo o Presidente em exercício da organização e da República de Cabo Verde.

06/05/2021  Última atualização 10H25
Mais de 250 entidades em representação dos nove países membros participam no encontro © Fotografia por: DR
Jorge Carlos Fonseca falou por videoconferência, ontem, na abertura, da Cimeira de Negócios da Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP), que decorre até amanhã, em Malabo, Guiné Equatorial.De acordo com o presidente em exercício da CPLP, o documento do projecto sobre a mobilidade vai ser apresentado e discutido na Cimeira de Luanda, momento em que Angola assume a presidência da organização.

Nesta ocasião, vai também acontecer a segunda edição da Cimeira de Negócios, um evento que se pretende regular e tem já prevista a terceira edição que se realiza na Guiné-Bissau, em Novembro.Para Jorge Carlos Fonseca, iniciativas desse teor, que juntam empresas e empresários, mobilizam parcerias e congregam sinergias, neste mundo altamente competitivo, constituem não só uma grande ajuda na construção dessa comunidade de pessoas, mas também dão uma contribuição muito significativa no processo de desenvolvimento económico dos países da CPLP.

"As nossas economias assentam basicamente no sucesso das nossas empresas e este facto depende, em muito, da intensidade e da qualidade das interacções, dentro da nossa comunidade, das empresas dos países que a integram. Temos ainda muito por fazer nessa área, designadamente procurar alguma convergência normativa nos processos ligados à actividade económica, de sorte a facilitar a mobilidade de empresas, de negócios, de capital e de tecnologias, enquanto condição necessária para que a almejada parceria estratégica entre as empresas da nossa comunidade se materialize", afirmou.
Protecção dos investimentos

Na opinião do presidente da CPLP, a comunidade não deve descurar a urgente necessidade de, também, se criar soluções conjuntas de protecção recíproca de investimentos. Deve ainda reduzir ou mesmo eliminar, sempre que possível, a dupla tributação ou mesmo adoptar medidas facilitadoras para a circulação de documentos públicos no espaço comunitário, sem sobrecargas excessivas de autenticações e de reconhecimentos notariais.

O Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, disse, na abertura oficial da primeira Cimeira de Negócios da Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP), que a presença de mais de 250 entidades, entre chefes e representantes de Governos e empresários, representa a atenção e amizade para com o seu país.Para o estadista, que falou também por videoconferência aos participantes face às restrições impostas pela pandemia, apesar das dificuldades que o mundo atravessa, devido à crise sanitária da Covid-19, a presença dos convidados ao fórum de negócios reflecte bem a importância do evento.
Festa do português

Na ocasião em que se comemorou o Dia da Língua Portuguesa,  ontem, 5 de Maio, os Estados-membros da CPLP confirmaram, também, a plena integração da Guiné Equatorial ao grupo dos oito, passando para nove, os que têm o português como língua oficial espalhados em quatro continentes.Teodoro Obiang Nguema Mbasogo discursou integralmente em português, um sinal de inclusão plena e início de uma nova etapa para o país.
Novos desafios

O presidente da Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP), Salimo Abdula, reconheceu que, apesar das dificuldades económicas resultantes da Covid-19, os Governos e empresários demonstram a enorme vontade de dar a volta aos constrangimentos impostos por esta situação, virando assim a página, rumo a novos desafios.

Para o organizador da Cimeira de Negócios, o compromisso da organização mantém-se e prioriza alguns projectos estruturantes que visam a livre circulação de pessoas, de bens e de capitais e a eliminação de barreiras económicas na comunidade.Dentre estes projectos, Salimo Abdula destacou o da criação do Tribunal Arbitral da CPLP. Outro projecto é o da criação do Banco ou Fundo de Desenvolvimento da CPLP, que possa apoiar e financiar projectos de pequeno, médio ou grande porte, ultrapassando assim a dificuldade de acesso ao financiamento que muitas vezes tem custo elevado nos países da comunidade.
O responsável desejou sucesso a Angola no acolhimento da Cimeira da CPLP, em Julho bem como nos destinos da comunidade no mandato que vai assumir.

Isaque Lourenço | Malabo

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