Opinião

Propaganda enganosa

Luanda, na barafunda que a caracteriza, já não surpreende ninguém, a não ser forasteiros recentes, incrédulos com nossas banalidades, como a da frase estampada nas viaturas de recolha do lixo: “Luanda mais limpa, Luanda mais linda”.

01/03/2021  Última atualização 15H37
A "indisponibilidade de verbas” não justifica tudo, a não ser tentar esconder incompetências, preguiça e pouco mais. Verdade que o país não nada em dinheiro, pelo contrário, quase se afogou nos buracos causados pelos saques ao erário, o que não aconteceu por muito pouco. As bóias utilizadas para o manter à tona tiveram preços elevadíssimos, que ainda estão por contabilizar ou jamais o serão, pois o valor de vidas humanas  - crianças, mulheres e homens de todas as idades - são incalculáveis, porque, por serem invariavelmente feitas de subtracções, com resultados feitos de lágrimas e lutos, que hão-de de continuar  a ser feitas por mais décadas.

O  dinheiro continua a ser escasso para tanto que podia ser feito, mas não para apagar ou encobrir a frase transportada pelos "carros do lixo” em Luanda. Raspada, lavada com a água que jorra pela via pública. Já nos bastam a nojeira dos contentores, das próprias viaturas, do que elas deixam pelo caminho, entre tanta imundície que caracteriza a capital do país e o resto da província que lhe herdou o nome para sermos gozados por quem vem de fora e assustar eventuais investidores. Atentem, ao menos, nisto, os detentores de cargos, de vários níveis, comprovadamente incapazes de os honrar,

A propaganda descuidada é contraproducente e serve-se a trocadilhos. Não nos admiremos se surgirem no estrangeiro imagens de Luanda, com a frase "Luanda mais suja, Luanda mais feia”. Deixa-nos ficar mal, mas é verdadeira. Ao contrário da que percorre Luanda estampada nos "carros do lixo”.

Luciano Rocha

Jornalista

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