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Rebeldes são acusados de violações no Norte

A Amnistia Internacional (AI) acusou, ontem, os grupos armados que têm protagonizado ataques em Cabo Delgado de violarem os Direitos Humanos naquela província do Norte de Moçambique.

03/03/2021  Última atualização 12H13
A ONG acusa homens com farda militar a espancarem uma mulher © Fotografia por: DR
A Organização Não-Governamental faz igual acusação às forças governamentais moçambicanas.
"Centenas de civis foram mortos ilegalmente em Moçambique pelo grupo armado conhecido na zona como al-Shabab, pelas forças de segurança governamentais e por uma empresa militar privada contratada pelo Governo”, referiu a AI num novo relatório sobre o conflito armado no Norte de Moçambique e ao qual a Lusa teve acesso.

O relatório, intitulado "O que vi foi a Morte: crimes de guerra no Cabo esquecido”, é baseado em entrevistas com 79 deslocados de 15 comunidades afectadas pelo conflito desde Março do ano passado. Nos últimos doze meses extremistas protagonizaram um grande ataque à sede da vila de Mocímboa da Praia.

Embora não o confirme oficialmente, segundo a AI o Governo moçambicano terá contratado a empresa militar privada sul-africana Dyck Advisory Group (DAG) para fazer face às incursões dos grupos armados. "Os operacionais da DAG dispararam metralhadoras dos helicópteros, lançaram granadas de mão de forma indiscriminada contra multidões e dispararam repetidas vezes contra infra-estruturas civis, incluindo hospitais, escolas e habitações”, referiu a AI, citando 53 testemunhas.

"Os residentes de Cabo Delgado estão encurralados entre as forças de segurança moçambicanas, as milícias privadas que lutam ao lado do Governo e o grupo de oposição armada conhecido na zona como al-Shabab”, comentou o director da AI para a África Oriental e Austral. 
 
 Deprose Muchena acusa as três partes de "crimes de guerra que causaram a morte de centenas de civis”.
A ONG exemplifica com um vídeo que circulou em Setembro a mostrar  homens com farda militar a espancarem uma mulher na rua.

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