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Refugiados angolanos regressam da Zâmbia

Pelo menos, 35 cidadãos angolanos que viviam na condição de refugiados no centro de acolhimento de Mayukuayukua, na República da Zâmbia, regressaram definitivamente ao país e foram alojados, desde o dia 29 de Dezembro de 2020, na sede comunal do Missombo, a 16 quilómetros da cidade de Menongue, província do Cuando Cubando.

12/01/2021  Última atualização 07H42
Más condições no centro de acolhimento de Mayukuayukua força o regresso de angolanos © Fotografia por: Carlos Paulino | Edições Novembro
Consta do grupo de refugiados, quatro homens, nove mulheres e 22 crianças, correspondente a oito famílias, que foram acomodadas em quatro residências sociais do tipo T-3, erguidas na comuna do Missombo.

Miguel Marcos, de 50 anos, 19 dos quais vividos na Zâmbia, disse que decidiu regressar definitivamente a Angola devido às condições difíceis no centro de acolhimento de Mayukuayukua, onde dependiam de terceiros ou de ajuda humanitária para se alimentarem e vestirem.

Explicou que, por este motivo, em princípios do ano passado, solicitaram ajuda do Consulado de Angola na Zâmbia que, em Agosto, criou todas as condições para que regressassem ao país a partir de Santa Clara, província do Cunene, passando pela Namíbia.
Acrescentou que, depois de 30 dias, foram transferidos de Santa Clara para a cidade de Ondjiva, onde permaneceram  quatro meses aos cuidados da Direcção Provincial da Família, Promoção da Mulher e Acção Social do Cunene.

Salientou que como o desejo do grupo era viver na província do Cuando Cubango, no dia 27 de Dezembro de 2020 saíram de Ondjiva até ao Lubango, onde no dia seguinte partiram de comboio em direcção à cidade de Menongue.   
A maior parte dos refugiados, antes de irem para a Zâmbia, vivia no município do Rivungo, que dista 700 quilómetros da cidade de Menongue. Eles fugiram do país em 2001, devido ao conflito armado.  

Miguel Marcos realçou que, desde que foram alojados na comuna do Missombo, já beneficiaram de apoio alimentar, vestuário, assistência médica e medicamentosa e uma lavra de cinco hectares para a produção de milho, soja, feijão-frade, tomate, cebola, repolho, couve, entre outras culturas.

Miguel Marcos referiu que um cidadão que vive como refugiado não tem direito a registo civil e bilhete de identidade, trabalhar ou fazer negócio para o sustento da família, apenas depende da ajuda humanitária do Governo do país de acolhimento e das Organizações Não-Governamentais (ONG).

Há duas semanas na comuna do Missombo, Miguel Marcos disse não haver comparação com o sofrimento que passavam na Zâmbia, por isso pretendem viver definitivamente nessa localidade, que possui excelentes condições para a prática da agricultura e garantir o auto sustento das famílias a curto prazo.

Miguel Marcos disse que, neste momento, a principal preocupação prende-se com a falta de registo civil e Bilhete de Identidade, sobretudo para as crianças em idade escolar, para que possam estudar ainda no presente ano lectivo.

A administradora adjunta do Missombo, Luciana Sacatuala, disse que, desde a chegada dos 35 refugiados, têm estado a prestar todo o apoio necessário para que os mesmos possam estar bem alojados, com realce para alimentação, vestuário e fornecimento de água potável.

Referiu que tão logo chegaram à província, o governador do Cuando Cubango, Júlio Bessa, orientou a Administração Municipal de Menongue, em coordenação com o Gabinete Provincial da Família, Promoção da Mulher e Acção Social, Saúde e Agricultura, no sentido de criarem todas as condições necessárias de assistência alimentar, médica e medicamentosa e meios agrícolas e vestuário.

Luciana Sacatuala assegurou que a Administração Comunal está a trabalhar, em coordenação com a Delegação Provincial da Justiça e Direitos Humanos, para o início do processo de registo civil e atribuição de Bilhete de Identidade aos ex-refugiados.

Carlos Paulino | Menongue

Jornalista

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