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Relatório das Nações Unidas confirma problemas de nutrição em Timor-Leste

Timor-Leste regista os piores indicadores de nutrição, especialmente entre as crianças e mulheres em idade materna, em toda a região do Sudeste Asiático e Pacífico, de acordo com um novo relatório das Nações Unidas.

23/01/2021  Última atualização 19H06
© Fotografia por: DR
O relatório, produzido por várias agências da ONU, mostra que a incidência de subnutrição ultrapassa os 40% em Timor-Leste, o maior valor do sudeste asiático e o terceiro maior de toda a Ásia, só abaixo da Coreia do Norte e do Afeganistão.
Os dados fazem parte do relatório "Análise Regional da Ásia e Pacífico sobre Segurança Alimentar e Nutrição 2020: Dietas Maternais e Infantis no Centro da Melhoria da Nutrição”, publicado conjuntamente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, pelo Programa Alimentar Mundial e pela Organização Mundial da Saúde.

No estudo, Timor-Leste regista a segunda taxa mais elevada de debilitação infantil ou 'wasting '(crianças com menos de cinco anos que têm baixo peso para a sua altura, reflectindo subnutrição aguda), nanismo ou stunting (crianças com menos de cinco anos e que têm altura baixa para a sua idade, reflectindo crónica subnutrição), condições que afectam 57% das crianças timorenses com menos de cinco anos, abaixo apenas dos valores da Papua Nova Guiné (66%). No que se refere ao nanismo, Timor-Leste regista o valor mais elevado de todos os países analisados, com uma "muito alta prevalência”, acima dos 50% das crianças com menos de cinco anos. Já em debilitação, Timor-Leste regista melhores dados, com 9,9% das crianças com menos de cinco anos, valores abaixo da vizinha Indonésia e de países como Papua Nova Guiné, o Sri Lanka e a Índia.

O gráfico onde Timor-Leste surge mais bem classificado é na obesidade infantil, com apenas 1,6%, um dos mais baixos de toda a região. Ainda assim, o relatório mostra que a obesidade entre a população adulta duplicou de 10 para mais de 20% desde 2000. O relatório estima que, em termos globais, "cerca de 350,6 milhões de pessoas na região da Ásia e do Pacífico ou 51% do total estavam subnutridas em 2019”, com a debilitação infantil a atingir 74,5 milhões de crianças com menos de cinco anos e o nanismo a atingir 31,5 milhões. A situação agravou-se, segundo o estudo, devido à pandemia da Covid-19, "afectando as condições alimentares de quase dois mil milhões de pessoas na região, que, mesmo antes da pandemia, já não tinham dinheiro para pagar dietas saudáveis”.

"As estimativas apontam para um aumento de 14,3% na prevalência de debilitação infantil moderada ou grave em crianças com menos de 5 anos, o que equivale a mais 6,7 milhões de crianças, devido à pandemia da Covid-19”, refere. O relatório analisa ainda a alimentação das crianças entre os seis e os 23 meses, com base em três critérios: Diversidade Alimentar Mínima (MDD), Frequência Mínima de Refeições (MMF) e Dieta Minimamente Aceitável (MAD).
No caso de Timor-Leste, apenas 13,3% das crianças têm uma dieta minimamente aceitável, só 27,6% atingem uma dieta minimamente variada e menos de metade, 45,6% tem uma frequência mínima de refeições.

Os dados mostram que a situação varia entre as zonas rurais do país, com uma taxa de MDD de 41% nas zonas urbanas, versus 23% nas zonas rurais. No caso da MMF, Timor-Leste regista dos piores indicadores da região, com apenas 53% das crianças em zonas urbanas e 43% nas zonas rurais a atingirem este objectivo. Já no que se refere ao consumo de ovos e comida fresca por crianças entre os 6 e os 23 meses, os dados mostram que apenas 46,2 por cento das crianças o fazem em Timor-Leste, valor muito abaixo dos 75% de média do Sudeste Asiático e Pacífico.

A percentagem de crianças neste grupo etário que em Timor-Leste não come fruta fresca ou vegetais é de 35,1%, ainda assim acima da média de 23% do Sudeste Asiático e Pacífico. Os dados indicam ainda que, em Timor-Leste, a percentagem de crianças com menos de seis meses que são exclusivamente amamentadas é de 44%, valor que é 14 pontos acima da média do Sudeste Asiático e Pacífico. Destas crianças amamentadas, cerca de 62,4% ainda o faz até ao primeiro ano de vida.

O relatório refere ainda ter-se registado um aumento da prevalência de anemia entre mulheres em idade reprodutiva, de cerca de 35% para mais de 40%, desde 2000. No caso de crianças com menos de cinco anos, a situação agravou-se significativamente, passando de menos de 40% em 2000 para mais de 60% em 2016, valor que nesse ano era o mais elevado de todos os países.


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