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Retrospectiva/2020: Um ano atípico

Muitas agendas de instituições públicas e privadas e até mesmos pessoais foram, certamente, alteradas nos últimos 365 dias de 2020, um ano atípico, caracterizado por diversas vicissitudes, devido, sobretudo, à crise económica e financeira e à pandemia da Covid-19.

31/12/2020  Última atualização 18H46
© Fotografia por: Edições Novembro
Os sectores da Saúde e da Educação estão entre os que mais constrangimentos enfrentaram. Na Saúde, os embaraços causados pela falta de pessoal técnico e qualificado, infra-estruturas e fármacos só não "colapsaram” o sector devido às políticas do Executivo, que fizeram com que, paulatinamente, os problemas fossem ultrapassados.

Foram admitidos mais técnicos, com destaque para médicos e enfermeiros, bem como reabilitadas e construídas unidades sanitárias em várias localidades do país. Além dos esforços para evitar o aumento de casos da Covid-19, um dos aspectos que marcou o sector foi o anúncio feito pelo Presidente da República, João Lourenço, da abertura, em breve, de centros de hemodiálise nas capitais de províncias.

O objectivo é evitar ou reduzir as transferências para localidades distantes ou para o exterior. O Presidente da República anunciou, para o primeiro trimestre de 2021, a inauguração de centros de hemodiálise nas províncias de Benguela e de Cabinda.

"O Executivo vai continuar a trabalhar no sentido de os angolanos não terem mais necessidade de viajar para o estrangeiro em Junta Médica”, garantiu o Chefe de Estado, salientando que o dinheiro que o Estado gasta, custeando juntas médicas no exterior, deve ser investido na construção de hospitais e outros equipamentos sociais, em prol do bem estar dos cidadãos.

De referir que cerca de 1.500 pacientes já fazem tratamento de diálise nos vários centros de hemodiálise espalhados pelo país. O primeiro centro inaugurado no país está no Hospital Pediátrico de Luanda e tem capacidade para atender 56 doentes. O segundo na Huíla (para 192 doentes), o terceiro no Moxico (56 doentes), o quarto no Hospital Geral de Luanda (272 doentes) e o quinto no Bié (96 pacientes).

No sector da Educação, depois do início do ano lectivo em Fevereiro, os constrangimentos começaram a agudizar-se depois do anúncio do primeiro caso de Covid-19 em Angola, em Março, o que causou a interrupção do ano lectivo no mesmo mês.

Depois de muita controvérsia, com certos círculos a defenderem o ensino à distância, as aulas retomaram em Outubro, deixando de fora o ensino de base. Até que se volte ao novo normal, depois da pandemia, as aulas que eram ministradas entre Fevereiro e Dezembro passam a ser entre Setembro e Julho.

Pessoas carentes

O Executivo gizou, durante o ano findo, várias políticas e projectos para apoiar milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade.  O Programa de Fortalecimento da Protecção Social "Kwenda”, por exemplo, cadastrou, até dia 25 de Dezembro, 310.842 agregados familiares em 24 municípios do país, tendo ultrapassado a meta prevista, que era de 300 mil.

O Kwenda arrancou com uma fase piloto, que decorreu de Maio a Julho de 2020, em cinco municípios, nomeadamente  Nzeto, na província do Zaire, Ombadja, no Cunene, Cacula, na Huíla, Cuito Cuanavale, no Cuando Cubango, e Cambundi Catembo, em Malanje.

Em Agosto decorreu a fase de expansão, com a entrada dos municípios de Quiculungo (Cuanza-Norte), Quilenques (Huíla), Quiçama e Icolo e Bengo (Luanda), Luquembo (Malanje), Seles e Ebo (Cuanza-Sul), Curoca (Cunene), Andulo (Bié), Mungo e Londuimbali (Huambo), Chongoroi (Benguela), Virei (Namibe), Belize (Cabinda), Muconda (Lunda-Sul), Dembos (Bengo), Luau (Moxico) e Cuango (Lunda-Norte).

Em seis meses de implementação foram criados e estão já em funcionamento quatro centros de acção social integrada, dos 19 previstos até 2023, que permitiram que mais de três mil famílias beneficiassem de acções educativas, tratassem de forma célere documentos de identificação e tivessem acesso a serviços e canais de apresentação de queixas e reclamações.Para 2021 está previsto o arranque da componente de inclusão produtiva, que prevê apoiar, com acções de geração de renda, famílias em situação de vulnerabilidade.

Sinistralidade rodoviária

Até Novembro de 2020 havia o registo de 8.106 acidentes de viação, que provocaram 1.600 mortes e 9.360 feridos, com os automobilistas a atribuírem as culpas ao mau estado de alguns troços rodoviários e à falta de iluminação, ao passo que as autoridades policiais falam em imprudência e desobediência ao Código de Estrada.   

Tendo em conta que a sinistralidade rodoviária tornou-se a segunda causa de morte em Angola, depois da malária, só resta aconselhar os automobilistas no sentido de evitarem o excesso de velocidade, ultrapassagens irregulares e a cumprirem o Código de Estrada, para ajudar a fazer com que os próximos anos não sejam atípicos.

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