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Rússia promete tomar medidas de retaliação à República Checa

A Rússia considerou, ontem, uma "provocação" a expulsão de 18 diplomatas russos pela República Checa, que os acusa de espionagem, prometendo "medidas de retaliação" em plena crescente tensão entre Moscovo e o Ocidente.

19/04/2021  Última atualização 05H55
Moscovo refuta as medidas e anunciou, também, a expulsão de diplomatas checos © Fotografia por: DR
"Nós expressamos o nosso forte protesto às autoridades checas. Nós tomaremos medidas de retaliação que permitirão aos autores desta provocação ter plena consciência da sua responsabilidade na destruição dos alicerces das relações entre os nossos países", indica, num comunicado, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros.

O chefe da diplomacia russa qualifica a decisão das autoridades checas como "sem precedentes" e Moscovo de-nuncia as acusações "infundadas e bizarras" feitas contra os seus diplomatas.
"Este procedimento hostil faz parte de uma série de acções anti-russas empreendidas pela República Checa nos últimos anos. Não conseguimos deixar de ver vestígios dos Estados Unidos", continua o Ministério.

"Num esforço para agradar aos Estados Unidos no contexto das recentes sanções americanas contra a Rússia, as autoridades checas até ultrapassaram os seus mestres estrangeiros nesse aspecto", acrescenta.

Paralelamente à expulsão de 18 diplomatas russos identificados como agentes dos serviços de espionagem de Moscovo, Praga assegurou, no sábado, que tinha "provas irrefutáveis" que implicavam agentes do GRU, a inteligência militar russa, na explosão de um depósito de munições em Vrbetice, que matou duas pessoas em 2014.

A Polícia checa indicou que procurava dois homens com passaportes russos pelo  presumível envolvimento na explosão, com os mesmos nomes dos suspeitos da tentativa de envenenamento de Novitchok pelo ex-agente duplo Serguei Skripal, na Grã-Bretanha, em 2018.
A Polónia anunciou, também, na quinta-feira, a expulsão de três diplomatas russos acusados de "acções hostis", depois de os Estados Unidos terem tomado medidas semelhantes como resposta a uma série de actos imputados a Moscovo.

Washington anunciou, na quinta-feira, uma nova onda de sanções contra a Rússia, acusada de ciberataques massivos e de ingerência nas eleições americanas. Moscovo nega qualquer implicação.
A Rússia, por sua vez,  anunciou, na sexta-feira, que, em resposta, expulsaria dez diplomatas americanos e cinco diplomatas polacos.

"Percebemos a rapidez com que Varsóvia jogou o jogo da Administração norte-americana, exigindo a saída de três diplomatas russos da Polónia. Por sua vez, cinco diplomatas polacos serão expulsos da Rússia", anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo num comunicado.
Ao manifestar a sua "total solidariedade" com as sanções e as expulsões de diplomatas anunciadas por Washington, o Ministério dos Negócios Es-trangeiros polaco afirmou, na quinta-feira, que "as decisões tomadas em conjunto com os aliados são a resposta mais apropriada às acções hostis da Federação Russa".

A decisão da Administração norte-americana foi uma resposta a um ataque informático ocorrido a 2020, agora formalmente imputado à Rússia, que através de uma empresa de 'software' norte-americana, a SolarWinds, conseguiu introduzir códigos maliciosos e ter acesso às redes de várias agências federais norte-americanas.
As sanções anunciadas pela Casa Branca acontecem num momento particularmente delicado das relações diplomáticas entre os EUA e a Rússia.

Ontem, a diplomacia russa avançou que vai expulsar 10 diplomatas norte-americanos em Moscovo como retaliação a idêntica medida tomada pelos EUA, tendo ainda "recomendado" o regresso a Washington do embaixador norte-americano na capital russa, John Sullivan.

Dirigentes norte-americanos
proibidos de entrar na Rússia

Rússia anunciou que vai proibir a entrada, no seu território, aos ministros norte-americanos da Justiça e da Segurança Interna, assim como ao conselheiro de Política Interna, ao chefe do FBI e ao director dos serviços secretos.
Além de Merrick Garland, Alejandro Mayorkas, Susan Rice, Christopher Wray e Avril Haines, respectivamente, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo disse ainda que a mesma medida será aplicada ao chefe do Gabinete Prisional dos EUA, Michael Carvajal, ao antigo conselheiro de Donald Trump, John Bolton, e ao antigo líder da CIA, Robert Wolsey.

Segundo o Ministério russo, todos estes responsáveis participaram de alguma forma "na implementação de uma linha anti-Rússia" seguida pela política norte-americana.
A Rússia disse, no  entanto, estar aberta à ideia de uma cimeira entre Vladimir Putin e Joe Biden, o que considera uma proposta "positiva".
Entretanto, Moscovo propôs estudar a proposta.

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