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Segunda vaga está mais mortífera no continente

A segunda vaga da pandemia de Covid-19 está a revelar-se mais mortífera em África, onde a taxa de mortalidade excede a média mundial, anunciou o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC).

23/01/2021  Última atualização 19H17
© Fotografia por: DR
A taxa de mortalidade do novo coronavírus em África situa-se agora em 2,5% dos casos registados, acima da média mundial de 2,2%, explicou, quinta-feira, o director da agência especializada da União Africana (UA), John Nkengasong, na conferência de imprensa semanal do Africa CDC, através da Internet, a partir de Adis Abeba.

O número de casos no continente aumentou 14% por semana, ao longo do último mês. Desde o início da pandemia, África permanece oficialmente um dos continentes menos afectados pela contaminação com o vírus SARS-CoV-2, com 3,3 milhões de casos e quase 82.000 mortes, de acordo com a agência.

Mas o aumento da taxa de mortalidade marca uma ruptura em relação à primeira vaga, em que se encontrava abaixo da média global, indicou Nkengasong.
"Estamos a assistir a uma inversão. Esta é uma das características notáveis da segunda vaga, que temos de combater duramente”, advertiu.

Actualmente, 21 países africanos registam taxas de mortalidade superiores aos 2,2% que são a média mundial. Entre os exemplos dados pelo CDC, estão o Sudão, com uma taxa de mortalidade de 6,2%, o Egipto (5,5%, a) Libéria (4,4%) e a República Árabe Saharaui Democrática (RASD) - Estado-membro da UA (11,8%).
Este aumento da mortalidade é causado pelo número acelerado de casos, que está a entupir os sistemas de saúde do continente, de acordo com o Sr. Nkengasong.

A dinâmica da epidemia "excede a capacidade dos enfermeiros e médicos para gerir os doentes”, explicou. "Os pacientes não estão a receber a atenção e os cuidados de que necessitam, porque temos um número limitado de camas e de mantimentos”.
Nkengasong salientou, particularmente, a necessidade de oxigénio, que é utilizado para tratar formas graves de Covid-19, que se estão a tornar "críticas”. Na Nigéria, o país mais populoso de África, as autoridades de saúde relatam ter de "escolher quais os pacientes a tratar e a quem recusar cuidados”, disse ele.

A UA anunciou, na semana passada, que encomendou 270 milhões de vacinas para distribuir por todo o continente, para além das vacinas planeadas através do esquema Covax, uma iniciativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) e de parceiros privados destinada a proporcionar um acesso equitativo às vacinas.
A União Africana está em negociações com a Rússia e com a China para encomendar doses adicionais de vacinas, mas "ainda não há um acordo”, informou Nkengasong.

África registou nas últimas 24 horas mais 922 mortes por Covid-19 para um total de 81.861, e 28.109 novos casos de infecção, segundo os últimos dados oficiais da pandemia no continente.
O primeiro caso de Covid-19 em África surgiu no Egito, em 14 de fevereiro, e a Nigéria foi o primeiro país da África subsaariana a registar casos de infecção, em 28 de Fevereiro.

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