Sociedade

SIC refuta onda de raptos em Luanda

O director nacional do Crime Organizado, comissário Pedro Lufungula, desmentiu, ontem, a existência de uma onda de raptos e sequestros em Luanda, conforme tem sido disseminado nas redes sociais.

27/01/2021  Última atualização 10H00
Meliantes utilizam mais as viaturas para a realização de roubos e furtos na capital do país © Fotografia por: Paulo Mulaza| Edições Novembro
Falando em conferência de imprensa, nas instalações do Serviço de Investigação Criminal (SIC-Geral), em Cacuaco, O comissário esclareceu que, nos últimos dias, as pessoas têm confundido crimes de roubo com casos de rapto."Essas pessoas, que estão a fazer a exposição de áudio, não apresentaram queixa aos órgãos da Polícia Nacional. Os áudios em que se ouve a voz de uma senhora, que relata factos sobre uma suposta tentativa de sequestro ou rapto, não oferece dados que permitem a realização de  investigação”, sublinhou.

Acrescentou que existem mais dois vídeos, um dos quais a relatar factos ocorridos na Avenida dos Combatentes, em Luanda, onde alguém alega ter sofrido uma  tentativa de  sequestro. "Este facto foi esclarecido. Apurou-se que se tratava de um crime de roubo, em que foram detidos os três autores e a viatura que era utilizada na prática dos crimes”, explicou. "Terá sido, igualmente, interpretado como um caso de tráfico de menores no país. As pessoas que estão a passar esta informação estão a influenciar o sentimento de insegurança no seio dos cidadãos”, alertou. O SIC apresentou, também, durante a conferência de imprensa, seis grupos de supostos malfeitores, envolvidos em diversos crimes.

Tino, um dos jovens que aparece no assalto ocorrido numa casa na Rua 26, no LAR do Patriota, contou ao Jornal de Angola que o seu amigo, que dá pelo nome de "Suave”, trabalhava numa residência e passou a informação para sete amigos que vivem em Viana para a acção e confessou que já realizam assaltos há dois anos. "A nossa intenção era apenas retirar os valores que o Suave deu a conhecer, mas como os donos de casa não estavam, fomos filmados pelas câmaras. É o vídeo que está a circular nas redes sociais”, detalhou.

Foram exibidas, no acto, pelo SIC, 10 armas de fogo, 8 do tipo AKM, duas das quais com canos cortados, duas pistolas, seis telefones, cinco cartões multicaixas, dois computadores, uma farda de oficial superior da Polícia, vários electrodomésticos e quatro carros. Dois desses carros são de marca I10 e igual número de Hiaces, que serviam  para os meliantes fazerem as simulações de táxi para assaltarem os passageiros.

O SIC registou, no ano passado, 332 casos de desaparecimento de pessoas, 271  dos quais foram classificados  como simulação de jovens que estavam em casa de namorados. Trinta e dois (32) foram esclarecidos O SIC registou, ainda, crimes de roubo, em que os autores simulavam ser taxistas para depois anunciarem o assalto. Esses assaltos também foram interpretados como sequestro e rapto, quando na verdade se tratava de crimes de roubo.

Kátia Ramos

Jornalista

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