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Síria: 31 mortos desde o início do ano no campo de refugiados de Al-Hol

Pelo menos 31 pessoas foram mortas desse o início de 2021 no campo de Al-Hol na Síria, que acolhe dezenas de milhares de deslocados e membros de famílias de ‘jihadistas’, indicou hoje um responsável curdo.

03/03/2021  Última atualização 15H28
Pelo menos 31 pessoas foram mortas © Fotografia por: DR

O recrudescimento da violência e das mortes, que também atingiram trabalhadores humanitários, implicou a suspensão das actividades da organização não governamental (ONG) Médicos sem Fronteiras (MSF) neste campo do nordeste da Síria controlado pelas forças curdas.

A ONU alertou por diversas vezes contra uma crescente deterioração da situação securitária no campo, o mais vasto da Síria.

"Desde o início de 2021 foram mortas 31 pessoas, incluindo seis com um objecto cortante, e outras abatidas a tiro”, indicou à agência noticiosa AFP Jaber Cheikh Moustafa, um responsável curdo do campo.

"Pensamos que células do ‘Daech’ [o grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico, EI], estão pode detrás destas mortes (…) que se produzem em particular na secção reservada aos iraquianos e aos sírios”, acrescentou, precisando que a maioria das pessoas mortas eram iraquianos.

Segundo a ONU, o campo acolhe cerca de 62.000 pessoas, com 93% de mulheres e crianças, principalmente sírios e iraquianos mas também milhares de estrangeiras e os seus filhos, designadamente provenientes da Europa ou Ásia, que são próximos de ‘jihadistas’ do EI.

Nos últimos meses o campo registou diversos incidentes que por vezes envolveram apoiantes do EI; incluindo tentativas de evasão e ataques contra guardas ou funcionários de ONG.

Segundo um relatório da ONU publicado no início de Fevereiro, a presença de ‘jihadistas’ detidos e das suas famílias nos campos de deslocados das forças curdas, em particular no de Al-Hol, constitui uma "ameaça latente”.

Na terça-feira, os MSF anunciaram a suspensão "temporária” das suas actividades, incluindo o fornecimento de cuidados médicos, no interior deste campo superpovoado.

"Não constitui um ambiente seguro e decerto não é um lugar apropriado para as crianças. O pesadelo deve terminar”, lamentou a ONG.

Em paralelo, seis pessoas, incluindo cinco crianças, morreram no passado sábado num incêndio que deflagrou no campo, de acordo com um novo balanço hoje anunciado pelas autoridades curdas.

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