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Ugandeses escolhem hoje um novo Chefe de Estado

Depois de uma campanha eleitoral marcada pela desordem e a violência, com o Presidente Yoweri Museveni acusado de tentar manter o poder a qualquer custo, o Uganda vai, hoje, a votos.

14/01/2021  Última atualização 09H25
Actual Presidente, Yoweri Museveni está no poder desde 1986 e é um dos mais antigos de África © Fotografia por: DR
No mês que antecedeu à realização das eleições, se-gundo as agências internacionais, muitos candidatos da oposição foram presos, vários comícios foram proibidos e dezenas de manifestantes mortos. Para esta corrida, cerca de 18 milhões de eleitores estão registados para a eleição presidencial e parlamentar, o que coloca Museveni e o seu dominante Movimento de Resistência Nacional (NRM) contra uma série de candidatos e partidos da oposição.
O Presidente, de 76 anos, está no poder desde 1986, o que o torna um dos líderes mais antigos de África. Os seus cartazes de campanha - com o amarelo característico do partido no poder e a exibir um sorridente Museveni de chapéu de aba larga - os seus apoiantes contavam com confiança os dias para a vitória.

"Estamos certos da vitória”, disse o ex-líder rebelde em Janeiro. O mesmo não pode ser dito dos seus concorrentes presidenciais, que o acusam e ao Governo de inclinar o campo de jogo injustamente - e muitas vezes com violência - contra eles. O desafiante mais forte de Museveni, um cantor que virou parlamentar chamado Bobi Wine, passou a maior parte da campanha com um colete à prova de bala e capacete de combate, angariando votos a partir da capota aberta de um carro em movimento.

As forças de segurança usaram gás lacrimogéneo e balas de borracha para interromper os seus comícios e mataram, pelo menos, 54 pessoas a tiro em dois dias de violência em Novembro, depois da prisão de Wine ter gerado protestos generalizados. "Todos os meus assessores e assistentes pessoais foram alvejados”, disse o candidato, de 38 anos, cujo nome verdadeiro é Robert Kyagulanyi, à AFP numa recente entrevista realizada em Kampala.

No último fim-de-semana, o aspirante a Presidente condenou a detenção de dezenas de membros da sua equipa de campanha, classificando-a como um "abuso da lei”."Como eu disse, o Uganda não é governado de acordo com a lei”, disse a repórteres, acrescentando que havia enviado os seus quatro filhos para os Estados Unidos durante o período eleitoral por temer pela segurança deles.

Patrick Amuriat, um outro aspirante à Presidência, perdeu os sapatos durante uma   briga com a Polícia, enquan-to tentava arquivar os seus papéis de candidatura, tendo a partir de então passado a dirigir-se descalço aos eleitores, num acto simbólico de desafio.Os outros líderes da oposição encontraram os  caminhos para eventos de campa-nha pré-aprovados, repentinamente bloqueados pela Polícia, ou chegaram envoltos em enormes nuvens de gás lacrimogéneo.Os observadores dizem que as regras foram aplicadas selectivamente e usadas como pretexto para deter líderes da oposição e minar as suas campanhas. Enquanto os apoiantes de Museveni puderam reunir-se em grande número, as manifestações de Wine foram interrompidas por motivos de saúde pública. Influência das redes sociais

O Facebook fechou uma série de contas pertencentes a funcionários do Governo  ugandês acusados de tentar manipular o debate público antes das eleições.

"Este mês removemos uma rede de contas e páginas no Uganda que se envolveram no CIB (Comportamento Inautentico Coordenado) para direccionar o debate público antes da eleição ", disse a chefe de comunicação do Facebook para a África Subsaariana, Kezia Anim-Addo, por e-mail. "Eles usaram contas falsas e duplicadas para gerir páginas, comentar sobre o conteúdo de outras pessoas, passar-se por usuários, compartilhar postes em grupos para fazer com que pareçam mais populares do que realmente eram”. 

"Dada a iminente eleição no país, agimos rapidamente para investigar e derrubar essa rede.” Em resposta, na véspera das eleições, o Governo decidiu ordenar à entidade competente, que bloqueasse o acesso às principais redes sociais, nomeadamente o Twitter, Facebook e Instagram, alegando que pretendia, desse modo, evitar a convocação de manifestações de protesto contra as eleições que, supostamente, estariam a ser preparadas por apoiantes de Bobi Wine.

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